A presença ou não de aminoácidos essenciais vai caracterizar uma fonte de proteína como completa ou incompleta, mas isso não significa ser melhor ou pior
Whey protein pode ser até a fonte de proteína em suplementos mais conhecida, mas está longe de ser a única.
Caseína, caseinatos, clara de ovo desidratada, colágeno, espirulina e proteínas de origem vegetal, entre outras fontes, também fazem parte da lista de ingredientes permitidos para uso em suplementos alimentares. Mas será que isso muda alguma coisa?
A relação entre proteína e aminoácidos

A nutricionista Lívia Almeida, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica ao Tá Saudável que as proteínas são formadas por aminoácidos.
“A gente pode pensar em um colarzinho de pérolas. O colar é como a proteína, enquanto cada uma das pérolas podem ser consideradas um aminoácido”, ilustra a especialista.
Depois da digestão da proteína, esses aminoácidos são liberados para absorção pelo organismo. A partir daí, o corpo pode utilizá-los para sintetizar novas proteínas, formar diversos compostos e, quando necessário, produzir energia.
Resumidamente, o organismo aproveita os aminoácidos para destinos e atividades metabólicas variadas em diversos órgãos do corpo.
Mas apesar de serem muito importantes para nossa saúde, o corpo não é capaz de produzir sozinho todos os aminoácidos necessários. É por isso que a gente precisa buscá-los na comida.
Só que nem toda proteína tem todos os chamados aminoácidos essenciais, que são justamente os que o organismo não consegue produzir, ou melhor dizendo, sintetizar.
Se voltarmos à analogia do colar, é como se alguns colares tivessem pérolas faltando. Mas calma, isso não é, necessariamente, um problema.
Proteínas completas e incompletas

Proteínas de origem animal, como carnes vermelhas, carnes de aves, peixes, ovos, leite e derivados são capazes de fornecer todos os aminoácidos essenciais. São como os colares de pérola completos.
O whey protein é derivado do leite e é realmente uma ótima fonte de proteína, com todos os aminoácidos essenciais. Mas ao separar os compostos de um alimento, como é feito com o whey, nem sempre o resultado vai ser o mesmo.
O colágeno também tem origem animal, mas é considerado uma fonte incompleta.
“Tem pessoas que nem sabem que colágeno é uma fonte de proteína. E ele acaba nem sendo tão divulgado dessa forma, acredito eu, justamente por ele ser considerado uma fonte de proteína incompleta. Se tem só oito dos nove aminoácidos essenciais, já é incompleto.”
Apesar disso, a nutricionista afirma que é uma opção que pode ser considerada na suplementação caso a pessoa tenha uma alimentação equilibrada e variada.
Isso porque o organismo é capaz de aproveitar os aminoácidos de outras fontes. Assim como o colágeno, muitas proteínas vegetais também são consideradas incompletas.
É nessa hora que a máxima “a união faz a força” deve ser adotada também por quem busca massa muscular e mais saúde.
Importância de variar as fontes

Lívia chama atenção para a composição de suplementos de proteína vegetal, que acabam sendo produzidos a partir de uma combinação de diferentes fontes, como ervilha e arroz.
“Quando a gente mistura uma leguminosa com um cereal, a gente consegue garantir esses nove aminoácidos essenciais. Por isso que a gente vive reforçando a importância de consumir arroz e feijão. É um símbolo cultural tão forte para a gente e que fornece nutrientes que são importantes para o nosso organismo.”
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Sendo assim, a fonte escolhida para suplementar proteína depende também do contexto alimentar de cada pessoa e objetivos individuais.
Lembrando que, aqui, a gente está falando de suplemento, que é indicado quando um indivíduo não consegue atingir a meta diária apenas com a alimentação.
Pode ser o caso de atletas, pessoas que estão em processo de construção de massa muscular e até quem está em tratamento com análogos de GLP-1, que por vezes podem sentir dificuldade para comer.
A orientação de um médico ou nutricionista se faz necessária justamente por conta dessas peculiaridades dos alimentos e suplementos que podem ser desconhecidas pela população em geral. Além do perfil de aminoácidos, por exemplo, as fontes também variam na velocidade e na capacidade de absorção pelo nosso corpo.
Este artigo usou como referência entrevista com a nutricionista Lívia Almeida e as publicações “Instrução Normativa – IN nº 28, de 26/07/2018”, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, “Conceitos Básicos”, Volume 2 – N.º 3 – 2020 do PECNutro, da Associação Brasileira de Nutrologia e “Diretrizes De Prática Clínica Para Nutrição Esportiva”, Associação Brasileira De Nutrição Esportiva.

