Saúde 08 de julho, 2026 Por Fernanda Labate

O corpo precisa mesmo de suplementos para “desinflamar”? Eles fucionam? Médico explica

suplemento para desinflamar o corpo

Médico explica se a ideia de que é necessário “desinflamar o corpo” procede, desmistificando também os suplementos e alimentos com promessas anti-inflamatórias

Muito se fala sobre desinflamar o corpo, e isso constantemente é atrelado ao uso de suplementos ou ao consumo de certos alimentos com suposta capacidade “anti-inflamatória”. Mas, afinal, isso é mesmo possível – ou sequer necessário? Entenda abaixo o que dizem os médicos e a ciência sobre suplementos para “desinflamar o corpo“, e sobre a forma como a alimentação interfere nisso.

“Desinflamar o corpo” é necessário?

GABA, desinflamar o corpo
(Crédito: supliful/Unsplash)

As discussões sobre suplementos e alimentos “anti-inflamatórios” estão por toda parte. Hoje, inúmeras marcas fazem esse tipo de promessa e influenciadores ganham notoriedade enquanto dão dicas sobre dietas que desinflamam o corpo – mas isso é uma forma muito limitada de compreender o processo inflamatório do corpo e não traz os benefícios que se imagina.

De acordo com o médico Ricardo Barroso, endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP), a inflamação é um mecanismo natural de defesa do corpo em pessoas saudáveis. Ela é, por exemplo, uma resposta a infecções ou traumas (como fraturas), agindo para defender o corpo e reparar tecidos. 

Há, no entanto, certos cenários em que o mecanismo de inflamação é exagerado. “Se o indivíduo tem obesidade, por exemplo, o excesso de tecido adiposo libera mediadores inflamatórios. Já o lipedema é uma doença que tem inflamação em uma gordura localizada – ou seja, uma região do corpo que tem essa tendência”, exemplifica o médico.

Ele explica ainda que nem as pessoas saudáveis e nem as que têm alguma condição que exacerba marcadores inflamatórios precisam “desinflamar o corpo“, especialmente via suplementação ou alimentação. O que precisa ser feito é melhorar as condições que causam essa exacerbação – como, por exemplo, tratar a obesidade.

Existe suplemento anti-inflamatório?

desinflamar o corpo
(Crédito: nensuria/Freepik)

De acordo com o médico, existem algumas evidências sobre certos suplementos agindo sobre marcadores inflamatórios. Isso, porém, se restringe a condições específicas, com níveis de melhora difíceis de medir ou de atribuir exclusivamente ao suplemento.

“Existem alguns estudos clínicos sobre a cúrcuma [agindo sobre] osteoartrite e algumas condições intestinais, mas precisa ser combinado com outras coisas e é muito difícil mensurar isso”, exemplifica, falando também sobre um suplemento a que muitos atribuem a capacidade “anti-inflamatória”: vitamina D.

Segundo o médico, pessoas com deficiência de vitamina D notam a queda de marcadores inflamatórios após a suplementação na dose correta. Isso, porém, não significa que ela tem capacidade de “desinflamar o corpo”, e sim que está tratando uma condição que exacerba os processos inflamatórios. É por isso que, em pessoas com níveis normais da vitamina, a suplementação não tem “efeito anti-inflamatório”.

Sendo assim, é possível afirmar que tomar suplementos não “desinflama o corpo”, mesmo que marcas prometam isso. O que ajuda a reduzir esses marcadores exacerbados é o tratamento adequado para as condições que os geram – algo que não se faz com suplementação isolada ou com produtos milagrosos.

Alimentos inflamatórios e anti-inflamatórios são um mito

Cúrcuma como tempero
(Crédito: KamranAydinov/ Freepik)

Assim como a ideia de que certos suplementos ajudam a “desinflamar o corpo“, o mesmo vale para alimentos. Segundo o endocrinologista, não existem alimentos “inflamatórios” ou “anti-inflamatórios” – o que existem são alimentos que potencializam ou ajudam a minimizar condições que geram inflamação.

Por exemplo: o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gorduras, é um fator de risco para a obesidade, uma condição inflamatória. Isso não significa que ultraprocessados, açúcar e gordura sejam inflamatórios em si. Da mesma forma, o consumo adequado de alimentos naturais, fibras e proteínas tende a contribuir com a redução do excesso de peso, diminuindo também marcadores inflamatórios. Isso, porém, não os transforma em alimentos “anti-inflamatórios”.

Aqui, a conclusão do médico é simples e categórica. “O ‘não’ é mais importante que o ‘sim’. Não gerar inflamação secundária à ingestão de ultraprocessados, que vão piorar a resistência insulínica e, por consequência, gerar inflamação secundária ao aumento da gordura corporal, é mais importante do que usar um suplemento ou alimento com promessa de ‘desinflamar’”, pontua.

Alimentação e saúde

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