Além da cor vibrante que chama atenção em bebidas e massas, o ube ou cará-roxo reúne fibras, vitaminas e antioxidantes
O ube deixou de ser um ingrediente típico das Filipinas para conquistar cafeterias, confeitarias e redes internacionais de café. Depois de viralizar nas redes sociais por sua cor roxa intensa e natural, o tubérculo passou a aparecer em bebidas, sorvetes, bolos e outras sobremesas em diversos países, inclusive no Brasil.
Mas o sucesso do ube vai além da aparência. Conhecido cientificamente como Dioscorea alata, ele é uma fonte de carboidratos, fibras, vitaminas e compostos antioxidantes, características que fazem desse alimento um aliado potencial de uma alimentação equilibrada. No Brasil, ele já existe há muito tempo, mas é conhecido principalmente como cará-roxo.
Ube, cará-roxo ou inhame?

Apesar de muitas pessoas chamarem o ube de “inhame-roxo”, essa denominação pode gerar confusão.
O ube corresponde à espécie Dioscorea alata, um tubérculo considerado originário do Sudeste Asiático e amplamente cultivado em regiões tropicais, incluindo o Brasil. Publicações do Instituto Plantarum e do Cepagro identificam essa espécie pelos nomes populares cará-roxo, cará-de-asa e cará-roxo-do-ar.
No Brasil, porém, os nomes populares variam bastante de uma região para outra. Em alguns estados, espécies do gênero Dioscorea são chamadas de “inhame”, enquanto em outros recebem o nome de “cará”.
O Dioscorea alata aparece em publicações sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), principalmente por ser pouco consumido em determinadas regiões brasileiras.
Por que o ube ficou tão famoso?

Seu sabor é descrito como levemente adocicado, com notas que lembram baunilha e castanhas. Sempre fez sucesso em preparações como geleias, bolos, sorvetes e sobremesas, sendo um ingrediente tradicional das Filipinas.
Nos últimos anos, entretanto, a combinação entre a coloração roxa naturalmente intensa e o interesse crescente por alimentos diferentes transformou o ube em uma tendência mundial. Cafeterias passaram a utilizá-lo em cafés gelados, lattes, panquecas, waffles e sobremesas.
No Brasil, a Starbucks lançou uma linha limitada de bebidas à base de ube durante sua campanha de inverno 2026, refletindo uma tendência que já vinha crescendo nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Segundo reportagem da DW, a demanda internacional aumentou tanto que agricultores filipinos vêm enfrentando dificuldades para acompanhar o crescimento das exportações.
Quais são os benefícios do ube para a saúde?

Embora boa parte da fama do ube venha de sua aparência, seu perfil nutricional também chama atenção.
Rico em antioxidantes
A cor roxa intensa do ube é resultado da presença de antocianinas, pigmentos naturais encontrados também em alimentos como mirtilo, amora, jabuticaba e repolho-roxo.
As antocianinas possuem ação antioxidante, ajudando a proteger as células contra os danos provocados pelos radicais livres.
Estudos associam o consumo regular de alimentos ricos nesses compostos a benefícios para a saúde cardiovascular e para a redução do estresse oxidativo, quando inseridos em uma alimentação equilibrada.
Grande parte das evidências vem de pesquisas sobre alimentos ricos em antocianinas de forma geral. Os estudos específicos com ube ainda são mais limitados.
Fonte de energia
Como outros tubérculos, o ube fornece energia por meio dos carboidratos complexos, sendo uma alternativa interessante para substituir batata, mandioca ou batata-doce em diferentes preparações.
Seu consumo pode fazer parte tanto de refeições principais quanto de lanches, especialmente quando combinado com proteínas e vegetais.
Contém fibras alimentares
O cará-roxo também oferece fibras, importantes para:
- favorecer o funcionamento intestinal;
- aumentar a saciedade;
- contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal;
- auxiliar no controle da glicemia quando consumido dentro de uma alimentação balanceada.
Fornece vitaminas e minerais
O Dioscorea alata apresenta vitaminas do complexo B, vitamina C e minerais como potássio e manganês, nutrientes que participam de diversas funções do organismo, incluindo metabolismo energético, funcionamento muscular e imunidade.
Baixo teor de gordura
Assim como outros tubérculos, o ube apresenta baixo teor de gordura naturalmente e pode compor diferentes padrões alimentares.
Como consumir o cará-roxo

Muito além das sobremesas, o cará-roxo também pode ser utilizado em diversas receitas salgadas:
- purê;
- nhoque;
- chips;
- cozido;
- assado;
- bolos;
- pães;
- sorvetes;
- sorbet.
Seu sabor delicado permite substituir outros tubérculos em diversas receitas do dia a dia.
Assim como outros vegetais coloridos, o ube pode contribuir para uma alimentação variada e equilibrada, mas não substitui hábitos saudáveis nem trata doenças sozinho.
A principal vantagem talvez seja justamente incentivar o consumo de alimentos naturais e ampliar a diversidade de vegetais presentes no prato.
Referências: CEPAGRO. Plantas alimentícias não convencionais (PANC): guia de reconhecimento para agricultores e consumidores. 2023; KINUPP, V.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. Instituto Plantarum, 2014; DW. Agricultores filipinos correm para acompanhar a febre global do ube. 2025; Delicioso. Ube chega ao cardápio da Starbucks Brasil e reforça tendência mundial. 2026.
