Saúde 24 de junho, 2026 Por Fernanda Labate

GABA é o novo “queridinho” das marcas de suplementação: vale a pena tomar?

GABA

Entenda o que dizem a ciência e a medicina sobre o GABA e sobre a ideia de ingerir esse neurotransmissor em suplementos para melhorar o sono e promovar relaxamento

Um dos novos focos de marcas de suplementação é o chamado GABA, sigla para ácido gama-aminobutírico. Esse neurotransmissor está relacionado com sono e relaxamento – e, por isso, agora já aparece em pílulas e até gummies que prometem gerar efeitos positivos nessa área. 

Nesse contexto, a ciência valida as funções do GABA no organismo, mas alerta que a busca por essa substância em suplementos pode gerar não apenas gastos altos e desnecessários como também o atraso no tratamento real de problemas como insônia e ansiedade. Entenda abaixo:

GABA: como age no cérebro, suplementação e mais

(Crédito: xb100/Freepik)

Conforme explica a médica endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP), o ácido gama-aminobutírico – ou GABA – é um neurotransmissor. Trata-se, portanto, de uma substância que “carrega mensagens” entre os neurônios para gerar as mais diversas reações no corpo.

Nesse contexto, o GABA atua na inibição do sistema nervoso. Assim, ele participa de processos como controle do sono, do apetite e de sensações de relaxamento – e, justamente por essas funções, ele tem aparecido cada vez mais em suplementos que prometem noites melhores e maior tranquilidade.

O que o GABA faz no sono?

O GABA tem papel central na indução e na manutenção do sono. Isso acontece conforme esse neurotransmissor suprime os sistemas responsáveis pelo estado de alerta, permitindo que o cérebro desacelere. No contexto do sono, os neurônios que produzem GABA disparam com mais intensidade, e mantêm essa atividade enquanto a pessoa dorme.

GABA
(Crédito: supliful/Unsplash)

É seguro tomar Gaba?

Conforme explica a médica, ter “deficiência de GABA“, não existe. Segundo informações da Cleveland Clinic, níveis mais baixos desse neurotransmissor têm, sim, relação com ansiedade, depressão e epilepsia – mas isso não significa que é preciso aumentar sua quantidade no organismo, e sim que é necessário tratar essas condições. Esse tratamento, por sua vez, ajudam a modular o GABA agindo em seus receptores, envolvendo medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos.

Mas, afinal, tomar GABA faz bem? Este é um ponto controverso, pois, segundo estudos e a própria especialista, a suplementação com GABA não se sustenta em bases científicas. Até o momento, não existe comprovação sobre a ingestão da substância ser suficiente para fazê-la agir no corpo. Esta revisão de estudos sobre o tema publicada no periódico Frontiers, por exemplo, frisa que as investigações mais recentes são, ainda, inconclusivas.

“Nós não temos evidências científicas de que, ao ingerir GABA, ele consiga ultrapassar a barreira hematoencefálica e vá para o sistema nervoso central. Sei que é frustrante, porque existem muitas coisas legais que ele parece fazer, mas não temos evidências robustas disso”, diz ela.

GABA
(Crédito: pvproductions/Freepik)

GABA na alimentação

A produção de GABA no organismo tem ligação com a vitamina B6. Sendo assim, ingerir alimentos que contêm essa vitamina (como leguminosas, oleaginosas e outros) poderia estimular a produção do neurotransmissor. É preciso, porém, ver isso com muita cautela, pois embora a alimentação seja essencial para manter uma boa saúde, nenhuma comida trata problemas específicos de saúde.

“Um exemplo: sardinhas têm ômega-3 e podem ajudar na estabilização da ansiedade. Mas você pode comer um milhão de sardinhas – se tiver um transtorno ansioso ou um estado compulsivo, vai continuar tendo”, disse ela.

Sendo assim, além de não haver comprovação de que o suplemento de GABA ajuda a relaxar, mesmo que não exista uma doença como ansiedade na base do problema, isso também não é o tratamento adequado. Pessoas que sofrem com sono de má qualidade, insônia, agitação, alterações de humor e dificuldade para relaxar devem buscar avaliação médica especializada, desviando de promessas que parecem “mágicas”, mas com pouca sustentação científica.

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