Conheça o papel dessa substância no corpo, os sintomas de deficiência de vitamina D e os critérios para suplementação
A vitamina D é um assunto frequente em consultórios e entre quem aposta em suplementos para melhorar a saúde. Isso porque ser deficiente nessa substância é bem comum, causando sintomas como fadiga, baixa imunidade e dores. Ao mesmo tempo, a suplementação indiscriminada não é indicada – e oferece riscos.
Entenda abaixo o que é, os sintomas da deficiência de vitamina D, o que ela faz no organismo e quando repor:
Vitamina D: o que é, quem precisa tomar e mais

Apesar do nome, a vitamina D funciona quase como um hormônio. Segundo informações do Office of Dietary Supplements, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (ODS/NIH), se trata de uma substância lipossolúvel que pode ser obtida pela exposição solar, por alguns alimentos e pela suplementação.
Acontece que, em todos esses cenários, ela chega ao organismo de forma biologicamente inerte, ou seja: precisa ser ativada pelo próprio corpo para funcionar. Esse é um processo que passa pelo fígado e pelos rins, até que a substância se transforme em calcitriol e possa, enfim, agir no organismo.
As funções da vitamina D no corpo são variadas. Ainda segundo o ODS/NIH, ela promove a absorção de cálcio no intestino, ajudando a fortalecer os ossos, participa do funcionamento dos músculos, do cérebro e também do sistema imunológico. Além disso, ela tem papel na regulação do metabolismo da glicose e no controle de inflamações.
O que causa a deficiência?

Um dos principais fatores para deficiência de vitamina D é a baixa exposição ao sol. Segundo o ODS/NIH, a síntese da vitamina para que ela possa agir no corpo depende da radiação ultravioleta, e esse processo pode ser afetado por diversos fatores como características da pele, estação do ano, poluição, entre outros.
Para funcionar, a exposição ao sol deve ocorrer sem filtro solar e sem o bloqueio de vidros (ou seja, a exposição em ambientes internos não conta). Lembrando que se expor ao sol sem filtro solar, especialmente em horários de pico, é fator de risco para câncer de pele. Sendo assim, a ideia é limitar a exposição a alguns minutos, de preferência pela manhã.
Além disso, o excesso de gordura corporal também pode potencializar a deficiência. Segundo estudos publicados em periódicos como Obesities e Nutrition Bulletin, isso acontece porque o tecido adiposo tende a “sequestrar” essa substância, que é lipossolúvel. Isso reduz a biodisponibilidade da vitamina no corpo em pessoas com obesidade – que, inclusive, tendem a precisar de doses maiores na suplementação.
Riscos e sintomas da falta de vitamina D

Como as funções da vitamina D no corpo são amplas, os sintomas da deficiência são muitos (e notáveis). É possível, por exemplo, sentir:
- Cansaço excessivo;
- Fraqueza muscular;
- Dores nas articulações;
- Baixa imunidade;
- Alterações de humor;
- Queda de cabelo.
Além dos sintomas desagradáveis, há também riscos e complicações para quem tem a deficiência. Eles incluem:
- Raquitismo em crianças;
- Risco de osteoporose a longo prazo;
- Maior suscetibilidade a infecções;
- Alterações no metabolismo.
Alimentos com a vitamina

Ainda que a dieta contribua pouco para os níveis de vitamina D, alguns alimentos têm essa substância. As melhores fontes naturais são peixes gordurosos (como salmão, atum, truta e cavala), além do óleo de fígado de peixe. Em menores quantidades, ela também aparece em fígado bovino, gema de ovo e queijo.
Quem precisa suplementar vitamina D?

A suplementação da vitamina D – inclusive por conta própria – tem se tornado cada vez mais comum, mas é algo que exige cautela e avaliação médica. Isso porque, para suplementar algo corretamente, é preciso, primeiro, identificar se há ou não deficiência, algo possível apenas a partir de exames.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os valores saudáveis de vitamina D no organismo são:
- Acima de 20 ng/mL para adultos saudáveis até 60 anos;
- Entre 30 e 60 ng/mL para idosos, gestantes, pessoas com osteoporose, doenças ósseas, doenças crônicas ou que usam medicamentos com corticoides.
Sendo assim, que tem níveis normais de vitamina D não precisa suplementar, e a suplementação deve ser acompanhada por exames de revisão pois há riscos para o excesso da substância no corpo. Segundo a SBEM, valores acima de 100 ng/mL podem causar excesso de cálcio no sangue, gerando náuseas, fraquezas, cálculos renais e, em casos graves, dano renal ou cardíaco.
Isso, inclusive, só ocorre a partir da suplementação exagerada, e não com a produção natural de vitamina D a partir da exposição solar.
Como e quando tomar

Para quem tem deficiência e suplementa a vitamina D, não existe um horário mais ou menos adequado para tomar a cápsula. O ODS/NIH, porém, orienta a tomar o suplemento junto de uma refeição ou lanche que contenha gordura, visto que a vitamina é lipossolúvel.
É importante lembrar também que o médico é quem estipula o período pelo qual o suplemento deve ser consumido. Não se indica tomar por mais ou menos tempo do que o indicado na receita.
