Saúde 11 de agosto, 2026 Por Gabriela Brito

Como funciona o Foundayo, nova pílula de GLP-1 aprovada no Reino Unido

Como funciona a Foundayo

Medicamento oral da Eli Lilly já foi autorizado nos EUA e Emirados Árabes Unidos, mas segue sem registro no Brasil

Uma nova opção oral para o tratamento da obesidade acaba de avançar no cenário internacional. A agência reguladora do Reino Unido, a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), autorizou o orforglipron, comercializado como Foundayo, para controle do peso e também para o tratamento do diabetes tipo 2. A decisão fez do Reino Unido o primeiro país europeu a aprovar o medicamento, que já havia recebido autorização nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes Unidos.

Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o Foundayo pertence à mesma classe dos medicamentos que atuam sobre o receptor do GLP-1, mas é um comprimido de uso diário, e não uma injeção. Além disso, pode ser tomado com ou sem alimentos e sem as mesmas restrições de água e horário exigidas para algumas formulações orais de semaglutida. No Brasil, porém, o medicamento ainda não possui registro na Anvisa.

O que é o Foundayo?

Foundayo orforglipron emagrecimento
(Crédito: Divulgação/ Lilly)

O Foundayo é o nome comercial do orforglipron, um agonista do receptor do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo após a alimentação. Ele participa da regulação da glicose e também de mecanismos relacionados à fome e à saciedade.

O orforglipron ativa o receptor de GLP-1 e, entre outros efeitos, atua em mecanismos envolvidos na regulação do apetite. Com isso, pode aumentar a sensação de saciedade, reduzir a fome e diminuir a ingestão alimentar. Em pessoas com diabetes tipo 2, também mostrou contribuir para a redução da glicemia.

Nos Estados Unidos, a indicação aprovada pela FDA é para adultos com obesidade ou para adultos com sobrepeso que tenham pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso. O tratamento deve ser associado a uma dieta com redução de calorias e aumento da atividade física.

Forma de tomar o orforglipron

Uma das principais novidades do orforglipron é justamente o fato de ser um GLP-1 oral com poucas restrições de administração.

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A bula americana orienta que o comprimido seja tomado uma vez ao dia, com ou sem alimentos. Ele deve ser engolido inteiro, sem ser partido, triturado ou mastigado. A dose começa em 0,8 mg e pode ser aumentada gradualmente, conforme a resposta e a tolerabilidade, até o máximo de 17,2 mg uma vez ao dia.

A flexibilidade contrasta com a semaglutida oral, cuja absorção depende de condições específicas de administração. No caso da semaglutida oral tradicional, por exemplo, o medicamento precisa ser tomado em jejum, com uma pequena quantidade de água, e é necessário aguardar antes de comer, beber ou tomar outros medicamentos por via oral.

Isso não significa que o orforglipron seja necessariamente mais eficaz. A vantagem demonstrada até agora está principalmente na conveniência da administração.

Quanto peso é possível perder com o Foundayo?

Os resultados dos estudos clínicos mostram perda de peso significativa, embora os números variem conforme a dose e o perfil dos participantes.

Os dados apresentados pela empresa são referentes a estudos com duração de 72 semanas e devem ser interpretados como médias dos grupos, e não como uma previsão de quanto cada pessoa vai emagrecer.

Entre adultos sem diabetes, a perda média de peso foi de:

  • 7,4% (cerca de 7,8 kg) com 5,5 mg;
  • 8,3% (cerca de 8,6 kg) com 9 mg;
  • 11,1% (cerca de 11,3 kg) com 17,2 mg;
  • 2,1% (cerca de 2,4 kg) com placebo.

Entre adultos com diabetes tipo 2, a perda média foi de:

  • 5,1% (cerca de 5,3 kg) com 5,5 mg;
  • 7% (cerca de 7,2 kg) com 9 mg;
  • 9,6% (cerca de 9,6 kg) com 17,2 mg;
  • 2,5% (cerca de 2,7 kg) com placebo.

Em ambos os estudos, os participantes também seguiram uma dieta com redução calórica e aumentaram a atividade física. Portanto, os resultados não representam o efeito do medicamento isoladamente.

A Lilly também destaca que, no estudo com adultos sem diabetes, 18,4% dos participantes que receberam 17,2 mg perderam pelo menos 20% do peso corporal, contra 2,9% no grupo placebo. Entre os participantes com diabetes tipo 2, esse resultado foi observado em 10,8% dos que receberam 17,2 mg, contra 0,7% com placebo. A empresa ressalta, porém, que o resultado de 20% no grupo com diabetes foi baseado em uma avaliação menos rigorosa e pode ter ocorrido por acaso.

Quais são os efeitos colaterais?

Como acontece com outros medicamentos que atuam sobre o GLP-1, os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais.

Entre os eventos relatados estão:

  • náusea;
  • constipação;
  • diarreia;
  • vômitos;
  • indigestão;
  • dor abdominal;
  • distensão abdominal;
  • refluxo;
  • gases;
  • dor de cabeça;
  • cansaço;
  • queda de cabelo.

A bula também traz alertas para eventos menos frequentes, mas potencialmente graves, como pancreatite, reações gastrointestinais graves, lesão renal associada à desidratação, reações de hipersensibilidade e doenças da vesícula biliar.

Outro ponto de atenção é o aumento da frequência cardíaca observado nos estudos. Na avaliação da FDA, a frequência de pulso aumentou em média alguns batimentos por minuto em relação ao placebo.

Alerta sobre câncer de tireoide

Por precaução, o Foundayo é contraindicado para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

A bula americana traz um alerta em destaque sobre o possível risco de tumores de células da tireoide. Esse alerta está relacionado a achados observados com medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1 em roedores. 

No caso específico do orforglipron, a bula informa que a molécula não é farmacologicamente ativa em ratos e camundongos, o que limita a avaliação desse risco nesses animais. Ainda não se sabe se o medicamento pode causar tumores de células C da tireoide em humanos.

E quando o Foundayo chega ao Brasil?

Foundayo Brasil
(Crédito: Pavel Danilyuk/ Pexels)

Por enquanto, ainda não há registro sanitário identificado para o Foundayo na Anvisa.

Isso significa que a autorização concedida nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes Unidos ou no Reino Unido não permite automaticamente a comercialização do medicamento no Brasil. Cada país possui seu próprio processo regulatório.

O orforglipron já aparece em documentos da Anvisa relacionados à pesquisa clínica no país, mas isso não equivale a registro sanitário. Até 11 de agosto de 2026, não há uma autorização da Anvisa que permita tratar o Foundayo como um medicamento comercializado regularmente no país.

Para quem está no país, isso também significa que produtos vendidos pela internet como “orforgliprona” ou “Foundayo” sem registro e origem comprovada não devem ser tratados como equivalentes ao medicamento aprovado pelas agências reguladoras.

Indicação do orforglipron

O medicamento não deve ser encarado como uma solução estética ou de uso livre. Trata-se de um medicamento de prescrição, destinado a situações clínicas específicas e que exige avaliação individual de benefícios, riscos, contraindicações e possíveis interações com outros tratamentos.

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A aprovação em diferentes países amplia as opções para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas também reforça uma questão que acompanha toda a classe dos GLP-1: eficácia não elimina a necessidade de acompanhamento médico e de uma abordagem que inclua alimentação, atividade física e cuidado contínuo.

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