Novas substâncias tentam preservar ou aumentar a massa muscular durante o emagrecimento, mas ainda estão em teste
Após o avanço com as chamadas “canetas emagrecedores”, a indústria farmacêutica tem voltado sua atenção a um efeito não desejado do processo de perda de peso: a diminuição de massa magra, que inclui a massa muscular.
Apitegromab e bimagrumab são alguns dos medicamentos experimentais que já chegaram a estudos clínicos para avaliar se é possível perder mais gordura sem comprometer tanto a massa magra.
Como funcionam os “remédios para músculos”?

Uma das principais estratégias mira a miostatina, proteína que funciona como um freio para o crescimento muscular.
O apitegromab é um anticorpo que inibe seletivamente a ativação da miostatina. Em um estudo de fase 2 com 102 pessoas com sobrepeso ou obesidade, quem recebeu o medicamento junto com tirzepatida teve, em média, 1,9 kg a menos de perda de massa magra em 24 semanas do que quem recebeu tirzepatida e placebo.
Já o bimagrumab bloqueia os receptores de activina tipo II, que participam da sinalização da miostatina e de outras moléculas relacionadas ao crescimento muscular. Em um estudo de fase 2 com 507 adultos com obesidade, a combinação de bimagrumab e semaglutida fez com que uma parcela maior do peso perdido viesse da gordura, em comparação com o uso da semaglutida isolada.
O L-β-aminoisobutírico (L-BAIBA) é outra molécula que entrou no radar, mas está em estágio bem mais inicial.
Um estudo publicado em agosto encontrou relação entre os níveis de L-BAIBA e o condicionamento aeróbico em humanos, além do aumento da molécula após treinamento de endurance. Experimentos em células e camundongos também apontaram efeitos sobre metabolismo e adaptação muscular.
Outra estratégia experimental é a inibição da enzima 15-PGDH. Resultados em camundongos indicaram melhora da regeneração e da força muscular durante o uso de semaglutida, mas ainda não há demonstração desse efeito em humanos.
Elas vão substituir musculação e proteína?

Não há evidências de que essas substâncias possam dispensar a prática de atividade física e o consumo adequado de nutrientes.
Os medicamentos estudados têm como principal objetivo complementar o tratamento de condições como obesidade, perda muscular e doenças específicas, e não substituir exercício ou alimentação adequada.
Inclusive, musculação ou outro exercício de resistência e ingestão adequada de proteínas continuam entre as principais estratégias para preservar a massa muscular durante o processo de perda de peso.
As novas substâncias também ainda precisam demonstrar se o aumento ou a preservação da massa magra se traduz em mais força, mobilidade e qualidade de vida no longo prazo.
Referências: Artigos “Apitegromab for lean mass preservation during tirzepatide-induced weight loss: a randomized, double-blind, placebo-controlled phase 2 trial”, “Bimagrumab plus semaglutide alone or in combination for the treatment of obesity: a randomized phase 2 trial” e “The metabokine β-aminoisobutyric acid mediates exercise performance and skeletal muscle adaptation through a PGC1α-BAIBA-PPARδ axis”, publicados na Nature Medicine; artigo “15-PGDH inhibition promotes muscle repair and strength recovery during GLP-1 receptor agonist–induced weight loss”, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences

