Pesquisa internacional aponta o que deve movimentar o universo fitness em 2027, da tecnologia ao bem-estar mental
Os wearables, os aplicativos de exercícios e as atividades que trabalham equilíbrio, mobilidade e força estão entre as principais tendências fitness para 2027. É o que mostra a nova edição da pesquisa ACSM Worldwide Fitness Trends, publicada no periódico ACSM’s Health & Fitness Journal, do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM).
O levantamento reuniu respostas de 1.433 profissionais de exercício físico nos Estados Unidos e comparou os resultados com pesquisas de outros 15 países, incluindo o Brasil. O ranking reúne as tendências que os especialistas consideram relevantes para o setor.
Tendências fitness para 2027
1. Relógios inteligentes e outros dispositivos vestíveis

Pela décima vez, a tecnologia vestível ocupa o primeiro lugar do ranking geral da ACSM. Relógios inteligentes, pulseiras e outros sensores permitem acompanhar informações como frequência cardíaca, passos, sono, distância percorrida e atividade física.
Esses dados podem ajudar a identificar padrões e acompanhar a evolução dos treinos. Mas as medições não são igualmente precisas em todos os dispositivos, e os números precisam ser interpretados como estimativas, não um diagnóstico.
2. Aplicativos de exercícios e treinos digitais

Os aplicativos de atividade física aparecem em segundo lugar, recuperando a posição que ocupavam em 2025. Eles oferecem aulas gravadas, transmissões ao vivo e programas de treinamento que podem ser acessados em diferentes horários e lugares.
A integração com relógios inteligentes e o uso crescente de recursos de inteligência artificial também ampliam as possibilidades de personalização. Ainda assim, é importante escolher ferramentas adequadas aos próprios objetivos e ao nível de condicionamento físico.
3. Pilates, yoga e exercícios para equilíbrio e mobilidade

Na terceira posição estão as atividades que combinam equilíbrio, controle corporal e fortalecimento do centro do corpo, como Pilates, yoga, barre e exercícios de mobilidade.
Essas modalidades trabalham diferentes capacidades físicas, incluindo flexibilidade, coordenação e resistência muscular. A proposta é desenvolver o controle dos movimentos e a capacidade de realizar atividades do dia a dia, e não apenas melhorar a aparência física.
4. Exercícios para envelhecer com mais autonomia

Os programas de atividade física voltados a pessoas com 65 anos ou mais aparecem em quarto lugar e permanecem entre as cinco principais tendências pelo quinto ano consecutivo.
O foco está na manutenção da capacidade funcional, da qualidade de vida e da independência. Os exercícios podem ser planejados para trabalhar força, equilíbrio e mobilidade, respeitando as condições de saúde e as habilidades de cada pessoa.
5. Treinamento de força continua em alta

O treinamento tradicional de força subiu da sétima para a quinta posição. Com pesos livres, halteres, kettlebells e faixas elásticas, essa modalidade busca desenvolver força e resistência muscular.
A pesquisa reforça a importância de manter uma rotina consistente e adaptar os exercícios, as cargas e a progressão às condições e aos objetivos de cada pessoa. A orientação profissional ajuda a tornar o treino mais adequado às necessidades individuais.
6. Exercícios para controle do peso

A tendência reúne programas de exercícios voltados à perda, ao ganho ou à manutenção do peso.
As estratégias podem combinar atividade física com orientação nutricional, mudanças de comportamento e intervenções médicas, como medicamentos para o tratamento da obesidade.
7. Aulas coletivas e conexão social

As aulas em grupo subiram da 13ª para a sétima posição. Ciclismo indoor, dança, yoga, boxe e treinos coletivos de força são alguns exemplos.
Além da atividade física, esses encontros podem oferecer oportunidades de convivência e apoio social. Para quem tem dificuldade em manter uma rotina de exercícios, o compromisso com uma turma pode ajudar a tornar a prática mais prazerosa e regular.
8. Tecnologia para personalizar os treinos

A tecnologia orientada por dados ocupa o oitavo lugar. Nesse caso, a proposta vai além de contar passos ou registrar atividades: informações como frequência cardíaca, qualidade do sono, variabilidade da frequência cardíaca e carga de treino podem ajudar a ajustar a intensidade dos exercícios e o tempo de recuperação.
Os dados funcionam como apoio à tomada de decisões, e não como substitutos da avaliação profissional ou das percepções do próprio corpo.
9. Exercício físico e saúde mental

Na nona posição, os exercícios voltados à saúde mental e ao bem-estar seguem entre as dez principais tendências desde que entraram na pesquisa, em 2024.
Atividades aeróbicas, treinamento de força e práticas como yoga e tai chi podem contribuir para o bem-estar psicológico. O destaque mostra que a atividade física é valorizada não apenas pelos efeitos sobre o corpo, mas também por sua relação com o humor, o estresse e a saúde cognitiva.
10. Influenciadores e programas de treino nas redes sociais

Os programas de exercícios conduzidos por influenciadores e embaixadores de marcas retornaram ao top 10, na décima posição.
Criadores de conteúdo podem ampliar o acesso a informações e incentivar a prática de exercícios. No entanto, popularidade não é sinônimo de qualificação. Antes de seguir um treino ou uma recomendação de saúde nas redes sociais, vale verificar a formação e as credenciais de quem produz o conteúdo.
Quais outras tendências aparecem no ranking?

A lista completa das 20 tendências da ACSM inclui também:
- Terapias de calor e frio: saunas, banhos frios, compressas de gelo e aplicações de calor
- Treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT): alterna períodos de esforço intenso com intervalos de recuperação.
- Treinamento funcional: trabalha movimentos usados no cotidiano, como agachar, empurrar e girar.
- Personal trainer: a orientação individualizada voltou ao top 20 e aparece entre as três principais tendências no Brasil.
- Competições fitness: desafios que combinam corrida, força e exercícios funcionais estrearam na pesquisa, em 15º lugar.
- Massagem, vibração e compressão: recursos voltados à recuperação muscular entraram pela primeira vez no top 20, na 16ª posição.
- Clubes recreativos e esportivos para adultos: grupos de caminhada, corrida, ciclismo e outras modalidades.
- Atividades físicas ao ar livre: caminhada, trilhas, ciclismo e esportes praticados em ambientes naturais.
- Desenvolvimento esportivo de jovens: programas que desenvolvem habilidades motoras e capacidades físicas.
- Exercícios em casa: treinos com peso corporal, equipamentos simples e plataformas digitais voltaram à lista, em 20º lugar.
E o que o Brasil deve priorizar em 2027?

O levantamento internacional da ACSM mostra algumas diferenças entre os países. No Brasil, as dez principais tendências são:
- personal training;
- treinamento tradicional de força;
- exercícios orientados por inteligência artificial;
- exercícios para emagrecimento;
- programas fitness para pessoas idosas;
- treinamento funcional;
- exercícios para saúde mental;
- treinamento com peso corporal;
- aulas coletivas;
- coaching de saúde/bem-estar.
O que essas tendências significam para quem quer se exercitar?

O ranking sugere que o universo fitness deve continuar combinando tecnologia, treinos individualizados, força, recuperação e bem-estar. Mas não é necessário acompanhar todas as novidades para ter uma rotina ativa.
A melhor escolha é aquela que considera seus objetivos, suas condições de saúde, suas preferências e sua realidade. Aplicativos e dispositivos podem ajudar, assim como aulas coletivas e orientação profissional, mas a consistência importa mais do que aderir a uma tendência apenas porque ela está em alta.
Referências: artigo “2027 ACSM Worldwide Fitness Trends: Future Directions of the Health and Fitness Industry”, ACSM’s Health & Fitness Journal, 2026.
