A importância de aquecimento, mobilidade e ajustes na carga para treinar com segurança em temperaturas mais baixas
Treinar no frio exige um cuidado especial com a preparação do corpo, mas ajustar alguns detalhes no início da prática faz toda a diferença no rendimento e na segurança dos exercícios, permitindo continuar em movimento.
Para reunir dicas práticas que ajudam a melhorar diretamente a disposição em dias de temperaturas mais baixas, o Tá Saudável conversou com Felipe Silva de Souza, Professor e Personal Trainer (CREF 190536-G/SP).
Treinar no frio: especialista entrega como melhorar o rendimento
A sensação de preguiça e a maior resistência para iniciar as atividades, em dias frios, têm explicações físicas e comportamentais.
De acordo com Felipe, isso acontece “porque o corpo demora um pouco mais para aquecer e os músculos podem apresentar maior sensação de rigidez. Além disso, sair de um ambiente quente e confortável também aumenta a dificuldade de começar”.
Mobilidade dinâmica para rigidez
É comum sentir o corpo mais “duro” nas manhãs ou noites frias. Na visão do especialista, é importante começar o treino já aquecido, optando pelas mobilidades dinâmicas, prática que consiste em mover ativamente as articulações por toda a sua amplitude de movimento.

“No frio, é importante dar mais atenção ao aquecimento e preparar o corpo de forma gradual. A mobilidade dinâmica pode ajudar a melhorar os movimentos e diminuir a sensação de rigidez antes do treino”, destaca Felipe.
Primeiros 5 a 10 minutos: a chave do treino
Nos dias frios é indispensável não ter pressa nos minutos iniciais. Para quem está começando o treino, a dica do profissional é “começar com movimentos leves, como caminhada, bicicleta, trote ou exercícios com o próprio peso”.
“A ideia é aumentar os batimentos e a temperatura corporal aos poucos, sem começar diretamente com exercícios pesados”, explica Felipe.

Aquecimento em dias frios
Esqueça aqueles alongamentos estáticos prolongados antes de pegar pesado. O foco no inverno, segundo o personal trainer, deve ser o movimento contínuo, que inclui as mobilidades dinâmicas, anteriormente citadas.
“O ideal é que seja dinâmico e progressivo. Pode começar com alguns minutos de atividade leve e depois incluir movimentos relacionados ao treino. Não existe um tempo obrigatório: o importante é sentir que o corpo está preparado antes de aumentar a carga”.
Sem energia ou travado: como ajustar o treino
Diferenciar o cansaço mental da rigidez física ajuda a adaptar a rotina sem perder o foco nem lesionar o corpo. Em casos onde predomina a rigidez, segundo Felipe, “pode-se aumentar um pouco o aquecimento e progredir a carga mais lentamente”.

Quando a questão é a falta de energia, “vale reduzir temporariamente a carga ou o volume do treino. Adaptar o treino é melhor do que forçar o corpo”.
O erro mais comum
Entre todas as falhas cometidas na musculação ou na corrida nos dias frios, uma se destaca. De acordo com o personal trainer, o principal deslize é “pular o aquecimento e ir direto para cargas altas”.
“No frio, é ainda mais importante fazer uma preparação gradual para que o corpo esteja pronto para movimentos mais intensos”, complementa.

O corpo gasta mais calorias no inverno?
Questionado sobre os rumores de que o frio promove um emagrecimento mais acelerado ao queimar mais calorias, Felipe adverte que é preciso tomar cuidado com essa interpretação.
“O frio pode aumentar um pouco o gasto de energia do organismo para manter a temperatura corporal, mas isso não significa que o treino necessariamente queimará muito mais calorias. A intensidade e a duração do exercício continuam sendo os principais fatores”.

Cuidados e sinais de alerta
Felipe adverte que respeitar os limites individuais é indispensável para evitar lesões musculares e problemas de saúde. O personal também reforça a importância de optar por roupas adequadas à temperatura e focar na ingestão de água antes e depois do treino.
“O principal cuidado é evitar começar o exercício de forma brusca. É importante fazer um bom aquecimento, usar roupas adequadas, manter a hidratação e respeitar os sinais do corpo. Dor forte, tontura, fraqueza intensa ou falta de ar fora do normal são sinais para interromper o exercício e buscar avaliação”.
