Saúde 30 de outubro, 2026 • Por Gabriela Brito

Retatrutida gera mais que o dobro da perda de peso da semaglutida em estudo de Fase 3

Retatrutida

Medicamento experimental também apresentou maior redução da glicose no sangue em adultos com diabetes tipo 2 após 80 semanas de tratamento

A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, apresentou resultados superiores aos da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, em um estudo de Fase 3 com adultos com diabetes tipo 2. Após 80 semanas, os participantes que receberam a substância perderam, em média, entre 19,5% e 20,9% do peso corporal, enquanto aqueles tratados com semaglutida tiveram redução média de 9,4%. Os dados preliminares foram divulgados pela empresa em 28 de outubro de 2026.

A pesquisa TRANSCEND-T2D-2 também identificou uma redução maior no exame de hemoglobina glicada, que mede a média dos níveis de glicose no sangue nos meses anteriores. Apesar dos resultados promissores, a retatrutida ainda está em fase de investigação, não foi aprovada por agências reguladoras e não pode ser comercializada legalmente para uso humano. Os resultados completos do estudo ainda serão apresentados em um congresso médico e publicados em uma revista científica revisada por pares.

Retatrutida promoveu perda de até 20,9% do peso corporal

tratamento diabetes
(Crédito: Magnific/ Magnific)

O estudo acompanhou 1.298 adultos com diabetes tipo 2 que não apresentavam controle adequado da doença com metformina, com ou sem o uso de outro medicamento chamado inibidor de SGLT2.

Os participantes foram divididos em três grupos: dois receberam retatrutida, nas doses de 9 mg ou 12 mg, e o terceiro recebeu semaglutida injetável de 2 mg, a maior dose aprovada nos Estados Unidos para o tratamento do diabetes tipo 2.

A retatrutida foi iniciada na dose de 2 mg, com aumentos a cada quatro semanas até atingir a dose-alvo de 9 mg ou 12 mg.

Após 80 semanas, os resultados divulgados pela Eli Lilly mostraram:

  • Retatrutida 9 mg: perda média de 19,5% do peso corporal, equivalente a 20,1 kg.
  • Retatrutida 12 mg: perda média de 20,9% do peso corporal, equivalente a 21,5 kg.
  • Semaglutida 2 mg: perda média de 9,4% do peso corporal, equivalente a 9,5 kg.

Em relação ao controle da glicose, as duas doses de retatrutida reduziram o exame de hemoglobina glicada em média 2,2 pontos percentuais. No grupo que recebeu semaglutida, a redução foi de 1,8 ponto percentual.

A hemoglobina glicada é um exame utilizado para acompanhar o controle do diabetes, pois indica a média dos níveis de glicose no sangue nos últimos dois a três meses.

A farmacêutica também informou que a retatrutida apresentou melhorias superiores às da semaglutida em alguns fatores de risco cardiovascular avaliados, como colesterol não HDL, triglicerídeos e pressão arterial sistólica.

Como funciona a retatrutida?

A retatrutida é uma molécula de aplicação semanal que atua em três receptores hormonais: GIP, GLP-1 e glucagon. Por isso, é classificada como um agonista triplo.

Esses hormônios participam de processos relacionados ao metabolismo e ao controle da glicose. O GLP-1, por exemplo, está associado à regulação do apetite, à saciedade e à liberação de insulina.

A diferença é que, enquanto medicamentos como a semaglutida atuam no receptor de GLP-1 e a tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1, a retatrutida combina a ação sobre os três receptores.

A proposta é ampliar os efeitos sobre o controle metabólico e o peso corporal. Entretanto, ainda são necessários estudos para compreender melhor sua eficácia e segurança.

TRIUMPH-1 acompanhou adultos sem diabetes

tratamento obesidade
(Crédito: Magnific/ Magnific)

Outro estudo de Fase 3, chamado TRIUMPH-1, avaliou a retatrutida em 2.339 adultos com obesidade, mas sem diabetes tipo 2. Os resultados foram publicados no periódico científico The New England Journal of Medicine (NEJM).

Após 80 semanas de acompanhamento, a perda média de peso foi de 17,6% entre os participantes que receberam a dose de 4 mg, 23,7% com 9 mg e 25% com 12 mg. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 3,9%.

A pesquisa também investigou possíveis benefícios em condições associadas à obesidade. Entre os participantes com osteoartrite de joelho, por exemplo, houve redução da dor. Também foram observadas melhoras em indicadores relacionados à apneia obstrutiva do sono.

Os resultados ampliam as evidências sobre o potencial da retatrutida no tratamento da obesidade e de condições relacionadas ao excesso de peso. No entanto, esse estudo não comparou a molécula a outros medicamentos, mas sim ao placebo.

Quais são os efeitos colaterais da retatrutida?

Os efeitos adversos mais frequentes observados no estudo TRANSCEND-T2D-2 foram gastrointestinais, como:

  • Diarreia;
  • Náusea;
  • Constipação;
  • Vômitos;
  • Dispepsia (desconforto na parte superior do abdômen).

Além desses, também foram registradas infecções do trato urinário.

A maioria dos eventos foi considerada leve a moderada e, segundo a farmacêutica, geralmente se resolveu durante o tratamento.

As taxas de interrupção do tratamento por efeitos adversos foram maiores entre os participantes que receberam retatrutida: de 4,8% entre aqueles que receberam a dose de 9 mg e de 7,9% entre os que receberam 12 mg. No grupo da semaglutida, o índice foi de 2,7%.

Retatrutida é mais potente que Mounjaro?

tratamento canetas emagrecedoras
(Crédito: Magnific/ Magnific)

Embora a retatrutida tenha apresentado resultados superiores aos da semaglutida no estudo TRANSCEND-T2D-2, a pesquisa não comparou diretamente a substância ao Mounjaro (tirzepatida).

A Eli Lilly também está conduzindo o estudo de Fase 3 TRIUMPH-5, que avalia a retatrutida em comparação direta com a tirzepatida em adultos com obesidade, com ou sem diabetes tipo 2.

Portanto, ainda não é possível afirmar, com base no estudo TRANSCEND-T2D-2, que a retatrutida promove maior perda de peso ou tem maior eficácia que a tirzepatida.

Retatrutida já está disponível?

Não. A retatrutida continua em investigação clínica e não recebeu aprovação de nenhuma agência reguladora no mundo. Por isso, não pode ser comercializada legalmente para uso humano.

Além do diabetes tipo 2 e da obesidade, a Eli Lilly estuda a molécula em outras condições, como apneia obstrutiva do sono, dor relacionada à osteoartrite do joelho, dor lombar crônica e doenças cardiovasculares.

Os resultados completos do TRANSCEND-T2D-2 ainda serão apresentados em um congresso médico e publicados em uma revista científica revisada por pares. Até lá, os dados divulgados pela fabricante devem ser interpretados como preliminares.

Referências: Comunicado de imprensa “Lilly’s retatrutide delivered greater A1C reduction and more than double the weight loss of Ozempic’s highest approved dose in head-to-head trial“, Eli Lilly, PR Newswire, 28 de outubro de 2026; artigo informativo “What to know about retatrutide“, Eli Lilly, atualizado em outubro de 2026; artigo científico “Retatrutide, a Triple Hormone Receptor Agonist, for Treatment of Obesity“, The New England Journal of Medicine (NEJM), publicado em 29 de setembro de 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2604169.

Faz uso de “canetas emagrecedoras”?

COMPARTILHE: