Bem-estar 07 de agosto, 2026 Por Tatiana Leonel

Queda de cabelo após canetas emagrecedoras: o que é, sintomas e como tratar o eflúvio telógeno

Entenda por que a perda de peso rápida acelera a queda capilar e recomendações de especialistas para recuperar os fios

A busca pelo emagrecimento rápido através de medicamentos modernos trouxe resultados expressivos na balança, mas também acendeu um alerta para a saúde dos fios. Entre as principais queixas dermatológicas atuais, o eflúvio telógeno — uma forma temporária de queda de cabelo intensa associada à perda de peso acelerada — tem se destacado nos consultórios.

O fenômeno, na verdade, não é provocado diretamente pelos remédios, mas sim pela resposta do organismo ao déficit calórico severo e às mudanças metabólicas bruscas. Compreender as causas e adotar uma estratégia integrativa — unindo dermatologia e nutrição — é o caminho para recuperar a densidade capilar sem comprometer os resultados.

Por que o emagrecimento rápido faz cair o cabelo?

O que é eflúvio telógeno?

O eflúvio telógeno é uma condição dermatológica caracterizada pelo aumento volumoso e repentino da queda diária de fios. Ele ocorre quando um evento estressante ou uma alteração metabólica interrompe o ciclo natural do cabelo, antecipando a transição de um grande número de fios da fase de crescimento (anágena) para a fase de repouso e queda (telógena).

A Dra. Marcela Gomes, Médica Dermatologista com título pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), destacou, durante edição do evento de wellness Elas&Ponto, que o Tá Saudável participou, a mudança no perfil dos pacientes que buscam atendimento preventivo.

“Hoje em dia, o grosso das consultas envolve muita queixa de queda de cabelo e de flacidez pelo emagrecimento. As demandas tradicionais, como acne e melasma, continuam passando muito pela clínica no dia a dia, mas o que aumentou consideravelmente é a queda capilar e a perda de firmeza na pele por conta das canetas emagrecedoras”.

sintomas de lúpus
(Crédito: Freepik)

Causas do Eflúvio Telógeno

A raiz do problema não está no princípio ativo dos medicamentos para perda de peso, mas na reação fisiológica do corpo à restrição de nutrientes e energia. A Dra. Marcela também esclareceu o mecanismo por trás do sintoma. “As pessoas acham que a queda de cabelo é por causa da caneta em si, mas normalmente é pelo emagrecimento rápido”, analisou.

“O aporte calórico diminui muito: o corpo estava acostumado a receber uma quantidade de comida e, de uma hora para outra, começa a receber muito menos. Mesmo que a pessoa esteja se alimentando direito, só de ter diminuído tanto essa ingestão, o cabelo já sente”.

Além da perda de peso acelerada, o eflúvio telógeno pode ser desencadeado por:

  • Pós-parto e alterações hormonais bruscas.
  • Interrupção do uso de anticoncepcionais.
  • Infecções, febre alta e estresse físico ou emocional.
  • Deficiências nutricionais de vitaminas e minerais essenciais.

“Trata-se de uma queda de cabelo temporária, mas que deve ser tratada para não atingir níveis mais graves. Situações como pós-parto e parada de anticoncepcional fazem parte desse mesmo diagnóstico de eflúvio, mas cada uma deve ser tratada de acordo com o momento específico que a pessoa está passando”, complementou a Dra. Marcela.

Sintomas mais comuns do eflúvio telógeno

(Crédito: Magnific/drobotdean)
  • Perda difusa de fios: Queda uniforme por todo o couro cabeludo, perceptível ao lavar ou pentear.
  • Acúmulo de cabelo: Presença marcante de fios no travesseiro, escovas e ralo do banheiro.
  • Afinamento e perda de volume: Sensação de que o “rabo de cavalo” está mais fino.
  • Presença de bulbos brancos: Os fios que caem geralmente trazem uma pequena esfera branca na ponta (a raiz na fase telógena).

O papel do acompanhamento multidisciplinar

Para evitar danos estruturais à pele e aos fios durante o tratamento com análogos de GLP-1, o aporte nutricional adequado é indispensável. A Dra. Fernanda Paulucci, Nutricionista especialista em metabolômica, emagrecimento, performance, longevidade, desordens hormonais, metabólicas e gastrointestinais, alerta para os riscos do déficit descontrolado.

“Se usarmos os análogos de GLP-1 de forma consciente, o resultado é excelente, pois melhora a parte dermatológica, o melasma e reduz o estresse oxidativo. No entanto, se o paciente fica sem comer e sem suplementar, enfrentaremos o afinamento da pele, aumento do estresse oxidativo, quebra das tramas de colágeno, flacidez, queda de cabelo e até diminuição da imunidade. Tudo isso reflete diretamente na estética”.

Para garantir um emagrecimento saudável e preservar a saúde capilar, a avaliação individualizada com dermatologista e nutricionista é fundamental antes e durante o uso de medicações para perda de peso.

(Crédito: Magnific/rawpixel.com)

Como tratar o eflúvio telógeno

O tratamento do eflúvio telógeno requer uma abordagem estratégica que foca na remoção da causa base e no estímulo do crescimento saudável dos fios. Por se tratar de um processo multifatorial, a combinação de condutas dermatológicas e nutricionais é o caminho mais eficaz para acelerar a recuperação capilar:

  • Ajuste da dieta e suplementação: Garantir o aporte ideal de proteínas, ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B. Como destacado pela Dra. Fernanda Paulucci, a suplementação correta previne que o déficit calórico comprometa a estrutura do cabelo e o colágeno da pele.
  • Uso de tópicos e ativos estimulantes: Prescrição dermatológica de tônicos, minoxidil ou fatores de crescimento para prolongar a fase anágena e estimular a circulação no couro cabeludo.
  • Procedimentos em consultório: Terapias como microagulhamento, MMP (Microinfusão de Medicamentos na Pele) ou LEDterapia para otimizar a entrega de nutrientes diretamente nos folículos capilares.
  • Acompanhamento médico periódico: A consulta regular com a dermatologista é indispensável para monitorar a evolução da queda, ajustar as doses das medicações para emagrecimento e descartar outras causas associadas de alopecia.

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