Da higiene diária ao acompanhamento médico, hábitos simples podem prevenir problemas e melhorar a qualidade de vida
Cada vez mais homens se preocupam com a saúde do pênis, mas a urologista Karin Anzolch, da Sociedade Brasileira de Urologia, afirma que ainda há um caminho importante a percorrer.
“Muitos homens continuam postergando cuidados por questões culturais ou por falta de informação”, alerta a especialista em entrevista ao Tá Saudável.
Erros comuns que afetam a saúde do pênis
1. Desatenção com a higiene

A higiene diária adequada, com água e sabonete, deve ser feita em toda a região do pênis, incluindo as virilhas e a retração do prepúcio (a pele que cobre a cabeça do pênis), quando presente.
“Também é importante manter a região seca, usar roupas íntimas confortáveis e evitar umidade prolongada”, explica Karin. Na prática, isso quer dizer que aquela última gota de urina deve ser seca antes de voltar o pênis para a cueca depois de urinar.
2. Negligenciar sintomas

A presença de dor, secreção, lesões, saliências ou alterações na pele da região do pênis podem ser sinais de que algo não está certo com a saúde íntima.
Além de observar alterações no pênis, os homens também devem ficar atentos à saúde dos testículos.
“Nunca é demais orientar que todo homem, especialmente os mais jovens, até os 35 anos, devem incluir nos seus cuidados o autoexame dos testículos. Qualquer diferença de tamanho, sensibilidade ou consistência deve ser esclarecida o quanto antes com um especialista.”
A urologista explica que o câncer de testículo, apesar de relativamente raro, é o tumor sólido mais frequente nos homens entre 15 e 35 anos. “É altamente curável, acima de 90% dos casos, porém a maior oportunidade está nos estágios iniciais.”
3. Praticar sexo sem camisinha

“O uso de preservativo nas relações sexuais é um dos pilares da prevenção.”
Longe de apenas evitar uma gravidez indesejada, tanto a camisinha masculina quanto a feminina são indispensáveis na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Basta escolher uma das duas e colocar antes do início do ato sexual.
4. Evitar consultas com urologistas

O acompanhamento médico periódico deve ser feito mesmo na ausência de sintomas. “Muitas doenças crônicas se iniciam de forma assintomática”, alerta a especialista.
Assim como as mulheres cuidam da saúde com ginecologistas, os homens podem ter no urologista um apoio para acompanhamento médico.
“O urologista é o especialista capacitado para avaliar, orientar e tratar as condições relacionadas à saúde do trato urinário e genital masculino. Mais do que tratar doenças, ele atua na prevenção, no diagnóstico precoce e na educação em saúde. A consulta deve ser vista como um cuidado natural, e não apenas como algo a ser procurado diante de problemas.”
Exagero ou realmente necessário?
Muitas condições que assustam e podem impactar a função sexual e a qualidade de vida, quando diagnosticadas precocemente, têm tratamento simples e eficaz.
É o caso de doenças crônicas, tumores, infecções simples até mais graves, como as sexualmente transmissíveis, complicações inflamatórias e câncer de pênis.
“Homens, um recado direto: cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. É responsabilidade e uma demonstração de amor-próprio e por quem é importante para você. Não ignore sintomas, não adie consultas e não deixe o medo e o preconceito falarem mais alto do que o seu bem-estar. Prevenir é sempre mais simples do que tratar”, completa Karin.

