Exercícios no frio podem aumentar o gasto energético, mas emagrecimento não depende apenas de baixas temperaturas
Quando o inverno se aproxima, logo começam a surgir notícias e publicações nas redes sociais sobre os benefícios da atividade física no frio. Recentemente, começou a circular que praticar exercícios em temperaturas mais baixas queima mais gordura.
Estudos recentes apontam que o frio, de fato, pode influenciar a forma como o organismo utiliza gordura e carboidratos durante o exercício e até em repouso, mas mudanças no peso corporal dependem de mais fatores do que apenas a temperatura do ambiente.
Maior gasto de energia

Quando o ambiente esfria, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal estável. Esse esforço aumenta o gasto energético do organismo e faz o corpo consumir mais energia para produzir calor.
Na prática, isso significa que o frio pode alterar a forma como o corpo utiliza energia: em temperaturas baixas, o organismo tende a priorizar a queima de gordura como combustível em vez dos carboidratos.
Além disso, o frio estimula a chamada gordura marrom, um tipo de gordura que ajuda o organismo a gerar calor queimando calorias. Diferente da gordura branca, mais associada ao acúmulo de energia, a gordura marrom tem papel metabólico importante e costuma ser mais ativa em ambientes frios.
Queima de gordura durante os treinos

Um estudo publicado em 2020, intitulado “High-intensity interval exercise in the cold regulates acute and postprandial metabolism”, analisou como o corpo reage ao treino intervalado de alta intensidade em temperaturas frias.
Os pesquisadores avaliaram participantes que realizaram sessões de HIIT em ambiente neutro, a 21°C, e em ambiente frio, a 0°C. O principal resultado foi um aumento da oxidação de gordura durante o exercício realizado no frio.
Isso significa que, naquele momento do treino, o organismo utilizou mais gordura como fonte de energia. Ao mesmo tempo, houve menor uso de carboidratos.
Os pesquisadores destacam, porém, que os efeitos metabólicos pareceram ser mais concentrados durante o exercício. No dia seguinte, após uma refeição rica em gordura, as diferenças foram discretas e não mostraram grandes diferenças em relação ao treino feito em temperatura normal.
Além disso, o estudo avaliou respostas metabólicas imediatas ao exercício, não perda de peso ao longo do tempo.
O frio faz emagrecer mais rápido?

Essa é uma das maiores simplificações feitas nas redes sociais.
Embora exista aumento do gasto energético e maior uso de gordura durante o exercício, isso não significa que treinar no frio, sozinho, provoque emagrecimento acelerado.
A perda de gordura corporal continua dependendo de fatores como alimentação, qualidade do sono, frequência de treino, intensidade dos exercícios e equilíbrio hormonal.
Além disso, muitas pessoas sentem mais fome no inverno justamente porque o organismo demanda mais energia para manter o corpo aquecido.
Cuidados importantes para treinar no inverno

Treinar no frio pode ser confortável e seguro, desde que alguns cuidados sejam respeitados:
- Aposte em roupas adequadas: Prefira peças leves, respiráveis e em camadas. Tecidos tecnológicos ajudam a manter o calor sem prejudicar os movimentos.
- Não pule o aquecimento: O corpo demora mais para atingir a temperatura ideal no frio. Reserve alguns minutos extras para preparar músculos e articulações.
- Hidrate-se mesmo sem sede: Durante o inverno, a sensação de sede costuma diminuir, mas o corpo continua perdendo líquidos normalmente.
- Atenção à respiração: Pessoas com asma, rinite ou problemas respiratórios podem sentir desconforto maior ao treinar em temperaturas baixas.
- Respeite os limites do corpo: Frio extremo, dores musculares intensas ou sensação exagerada de cansaço podem ser sinais de que o corpo precisa desacelerar.
Este texto contém informações dos artigos “High-intensity interval exercise in the cold regulates acute and postprandial metabolism”, “Is Exercising in Cold Weather a Better Workout?” e “Prática de exercícios físicos no frio: faz bem?”.


