Fitness 21 de maio, 2026 Por Fernanda Labate

Mais do que um jogo: por que o tênis virou terapia para corpo e mente

Estudos apontam que benefícios do tênis incluem ganhos de longevidade, saúde mental e vínculos sociais que vão além do que qualquer outra atividade física costuma oferecer

Quem pratica tênis nem sempre o encara como uma atividade que requer habilidades e faz suar. Muitos sentem que a prática acalma, ajuda com a ansiedade, espanta as preocupações e ainda traz sensação de pertencimento – e, com o “boom” desse esporte especialmente no Brasil, a ciência já está encontrando as causas dessas sensações.

Entenda abaixo por que o tênis é, para muitos, algo que vai muito além de aprender técnicas e suar a camisa contra adversários:

Tênis desponta como refúgio para além do exercício

benefícios do tênis
(Crédito: Laryssa Ares/Unsplash)

Os praticantes regulares de tênis costumam relatar uma combinação de sensações difícil de encontrar como fruto de outras atividades. Há, por exemplo, a sensação de “cabeça vazia” após uma sessão, o prazer de reencontrar grandes parceiros de quadra, e o sentimento de que corpo e mente estão mais conectados.

Essas percepções, inclusive, podem ir além de relatos pessoais, segundo a ciência. Isso porque alguns estudos observacionais sobre os benefícios do tênis têm mapeado os efeitos positivos da prática – e já encontraram explicações interessantes.

Aqui, vale lembrar que estudos observacionais identificam associações, e não relação confirmada de causa e efeito. Ainda assim, isso não muda um ponto importante: a prática do tênis não é contraindicada a menos que o praticante tenha recomendações médicas específicas. Sendo assim, mesmo que os achados científicos não se confirmem, jogar segue sendo uma forma prazerosa e social de se manter ativo – algo que já vale muito.

Segundo a ciência, os benefícios do tênis incluem:

Foco total que espanta as preocupações

benefícios do tênis
(Crédito: Denis Zelenykh/Unsplash)

Para quem pratica tênis, é comum a sensação de que a quadra funciona quase como uma pausa forçada nos pensamentos, e isso tem explicação neurológica. Esse esporte exige que a atenção esteja totalmente concentrada em avaliar a velocidade da bola, “ler” o adversário, posicionar corretamente o corpo e rebater – tudo em uma frações de segundo, sem espaço mental para mais nada.

Segundo informações da organização de saúde norte-americana Nuvance Health, o córtex visual e o córtex motor trabalham de forma integrada durante a partida, renovando as vias neurais a cada jogada. Além disso, a prática também ativa o córtex pré-frontal (responsável pelo planejamento estratégico e pela tomada de decisões) constantemente.

Esse estado de foco absoluto se aproxima do que a psicologia chama de “flow”, ou seja, a experiência de imersão total em uma atividade, associada a bem-estar e sensação de funcionamento pleno de corpo e mente. No tênis, isso tende a surgir naturalmente, baixando os níveis de estresse do praticante.

Pertencimento

(Crédito: Christian Tenguan/Unsplash)

Um dos fatores que mais diferencia o tênis de outras atividades populares, como corrida e musculação, é seu caráter social. Isso porque a modalidade exige que o praticante jogue com outras pessoas – e esses vínculos no esporte têm grande impacto na saúde física e mental.

Uma revisão publicada no periódico Systematic Reviews, por exemplo, analisou a relação entre prática esportiva e saúde mental em adultos, e apontou que participar de esportes tem ligação com maior bem-estar psicológico, menor incidência de depressão e ansiedade. 

Segundo a revisão, isso tudo é ainda mais impactante no caso de esportes coletivos como o tênis, pois quem pratica jogos em grupo com regularidade tende a relatar maior suporte social, melhor comunicação e maior satisfação com a própria vida.

Desafio cognitivo

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(Crédito: Toa Heftiba/Unsplash)

O tênis exige muito do físico do praticante – mas também de sua mente. Com a necessidade de antecipar os movimentos do adversário, adaptar estratégias em tempo real e manter o controle emocional em momentos decisivos, essa prática faz o cérebro “suar”, treinando áreas relacionadas à memória, à resolução de problemas e ao raciocínio rápido.

Longevidade

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(Crédito: Andrew Heald/Unsplash)

Além de tudo isso, a ciência também já explora a hipótese de uma ligação entre o tênis e a longevidade.

Um estudo observacional publicado no Mayo Clinics Proceedings, por exemplo, avaliou 9 mil pessoas durante um período de até 25 anos, e demonstrou que práticas que proporcionam pertencimento regular e ambientes de suporte, como o tênis, podem nos fazer viver mais.

Os achados desse estudo, inclusive, foram mais expressivos nos esportes de raquete do que em modalidades solitárias. Nele, pesquisadores descobriram que praticantes de tênis vivem, em média, 9.7 anos a mais do que pessoas sedentárias, superando os benefícios de longevidade de esportes como natação (3.4 anos), ciclismo (3.7 anos) e futebol (4.7 anos). 

Além disso, outro estudo, publicado no British Journal of Sports Medicine, a prática de esportes de raquete demonstra associação com queda de 47% no risco de morte por qualquer causa, e de 56% no risco de morte por causas cardiovasculares.

Antes de entrar em quadra, consulte um médico

Os benefícios do tênis o tornam um esporte muito completo e divertido, mas é importante tomar precauções antes de começar. Isso porque, para pessoas com histórico de condições de saúde específicas, a prática de atividades físicas requer atenção e, de preferência, avaliação médica prévia.

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