Fitness 05 de maio, 2026 Por Gabriela Brito

Apenas 10 minutos de treino deitado já trazem benefícios para o equilíbrio e a agilidade, aponta estudo

Exercícios deitados

Melhorar controle corporal e eficiência de movimento, além de preservar autonomia, têm se mostrado cada vez mais relevantes

Um novo estudo publicado na revista científica PLOS One mostra que até exercícios feitos deitado, de baixa complexidade e de curta duração, podem gerar ganhos importantes em equilíbrio, agilidade e controle do movimento.

Mobilidade e controle do movimento são fundamentais para tarefas simples, como caminhar, subir escadas ou evitar quedas. Consequentemente, são essenciais para a longevidade com qualidade de vida.

O que o estudo investigou

Core
(Crédito: ROCKETMANN TEAM/ Pexels)

O estudo feito no Japão avaliou um programa de exercícios feito totalmente deitado (posição supina), com foco em dois pontos principais: estabilidade do tronco (core) e coordenação das pernas.

A pesquisa foi feita em duas etapas, com adultos jovens saudáveis. Na primeira, 17 participantes alternaram períodos com e sem o treino, permitindo comparar os efeitos em cada pessoa. Na segunda, 22 pessoas foram avaliadas antes e depois de seguir o programa de exercícios.

O protocolo era fácil de executar, com duração de 10 minutos por dia e frequência diária por 2 semanas. Os exercícios propostos tinham o objetivo de:

  • ativar músculos do core
  • integrar tronco e pernas
  • melhorar coordenação dos membros inferiores

Tudo foi feito em casa, com orientação inicial de um fisioterapeuta. 

Melhora no equilíbrio mesmo sem ganho de força

Equilíbrio
(Crédito: Antoni Shkraba Studio/ Pexels)

Os resultados mostram um ponto importante: o corpo pode melhorar sem necessariamente ficar mais forte.

Após duas semanas, os participantes apresentaram:

  • melhora no equilíbrio estático (ficar parado com estabilidade)
  • melhora no controle do movimento durante tarefas dinâmicas (movimento com controle)
  • aumento da agilidade, medida por testes de deslocamento lateral, com melhor controle de cabeça e tronco durante esses movimentos
  • ganho de flexibilidade do tronco

Por outro lado, não houve melhora significativa em força muscular máxima ou potência (como salto ou corrida).

Isso indica que os benefícios vieram principalmente de adaptações neuromusculares, ou seja, o corpo passou a se organizar melhor para se mover, e não necessariamente ficou mais forte.

Por que esse tipo de treino funciona

Equilíbrio
(Crédito: Thirdman/ Pexels)

O estudo ajuda a explicar que equilíbrio não depende só de músculos fortes, mas de como o corpo coordena diferentes partes ao mesmo tempo.

O corpo humano funciona como um sistema integrado, no qual o tronco precisa estar estável e as pernas precisam responder de forma coordenada para sustentar e movimentar esse peso.

Quando essa comunicação falha, o movimento fica menos eficiente, o risco de dor e lesões aumenta e o equilíbrio piora.

O treino proposto atua exatamente nessa conexão entre tronco e membros inferiores, em um ambiente mais estável (deitado), o que facilita o aprendizado do movimento.

O que isso muda na prática

elevação pélvica
(Crédito: Vlada Karpovich/ Pexels)

Esse tipo de evidência reforça uma mudança importante na forma de pensar exercício físico. Treinar não é só levantar peso, gastar calorias ou ganhar massa muscular.

Também é sobre:

  • melhorar controle corporal
  • aumentar eficiência de movimento
  • preservar autonomia no dia a dia

E talvez o ponto mais relevante: isso pode ser feito com pouco tempo, baixo impacto e sem equipamentos. Embora mais estudos ainda sejam necessários, especialmente em populações clínicas, os resultados são promissores.

Leia mais:

COMPARTILHE: