Saúde 30 de abril, 2026 Por Fernanda Labate

Peptídeos: modismo ou ciência? O que você precisa saber sobre efeitos, segurança e promessas relacionadas a eles

Peptídeos

Muito se fala sobre “tomar peptídeos”, mas, em meio a essa febre, há quem esteja utilizando substâncias sem liberação ou estudos de eficácia e segurança

Afinal, o que são peptídeos? Com a crescente busca por formas de estender a vida e combater o envelhecimento, é comum ouvir promessas sobre substâncias “milagrosas” que teriam esse efeito de forma rápida e segura. Essa função tem sido atribuída a peptídeos diversos – mas, desde falta de conhecimento sobre o termo até substâncias estudadas apenas em roedores, há muito o que se discutir e entender sobre o assunto.

Peptídeos: o que são e por que estão na moda?

Peptídeos
(Crédito: Freepik)

Ao buscar a “melhor versão de si mesmas”, pessoas costumam se deparar com saídas simples: a prática regular de exercícios físicos, a manutenção de uma alimentação balanceada, o acompanhamento médico para questões de saúde, o hábito da leitura, entre outros. É nesse cenário, porém, que surgem supostos “atalhos” – e essa é a função que tem sido atribuída a peptídeos.

Hoje, não é raro ver influencers e até “especialistas” aconselhando o uso de peptídeos como forma de alcançar a pele perfeita, uma vida sexual mais intensa, a recuperação plena do corpo após exercícios físicos, a performance dos sonhos em atividades de alto rendimento e mais. O que quem fala em “tomar peptídeos” pode não saber, porém, é que essas substâncias já existem no corpo – e aos milhares.

Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos, espécies de “blocos” que o corpo também usa para formar outras substâncias. Eles não são uma substância única que faz bem para determinados fins, mas sim uma classe de substâncias variadas. Falar em “tomar peptídeos” é parecido com dizer, por exemplo, “comer proteínas” – ou seja, algo bastante vago.

Além disso, não se trata de uma substância nova. Em um vídeo sobre o assunto publicado nas próprias redes sociais, o médico endocrinologista Rafael Giorgi explica que o corpo humano tem mais de 5 mil peptídeos. A insulina e a ocitocina, por exemplo, são dois deles.

Semaglutida, tirzepatida e mais peptídeos “famosos”

desmame do Mounjaro
(Crédito: freepik/freepik)

Mas, afinal, nenhum peptídeo pode ser usado para melhorar a saúde? Na realidade, pode – e isso já é uma realidade. Ainda que muita gente não saiba, os análogos de GLP-1 (como semaglutida, tirzepatida e outras substâncias presentes em “canetas emagrecedoras”), por exemplo, são peptídeos testados e já amplamente usados na medicina.

Outros exemplos ficam por conta da vasopressina (usada para regular a pressão arterial em algumas situações), da bremelanotida (usada para disfunção sexual feminina) e da teduglutida (usada para pessoas com síndrome do intestino curto).

Tomar peptídeos para pele, recuperação muscular e mais faz bem?

Peptídeos
(Crédito: Freepik)

A “moda” dos peptídeos começa a ficar perigosa conforme esbarra em substâncias sem estudos e vendidas de forma ilegal. Na internet, é muito fácil encontrar pessoas que tomam peptídeos como BPC-157, TB-500 e Epithalon na intenção de recuperar os músculos após exercícios ou viver mais – mas é importante frisar que nenhum deles tem evidências científicas suficientes de eficácia e segurança.

A maioria dos peptídeos que têm circulado entre esses grupos foram estudados apenas em roedores, ou estão em fases muito iniciais de estudos em humanos. Sendo assim, não é possível nem sequer atestar que eles funcionam para esses supostos fins – muito menos afirmar que eles são seguros para o organismo.

Além disso, mesmo que essas substâncias tivessem segurança confirmada e registro em órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda seria necessário avaliar a dose a ser usada e as possíveis interações com outros medicamentos.

Sendo assim, o que o endocrinologista Rafael Giorgi aconselha é utilizar apenas peptídeos (ou qualquer outra substância) dentro do que já foi estudado e aprovado pela ciência. É o caso dos análogos de GLP-1 presentes, por exemplo, no Mounjaro e no Ozempic – que têm indicações claras e devem ser usados sob prescrição e acompanhamento médico.

É importante frisar, inclusive, que algumas ampolas oferecem “combos” de peptídeos contendo inclusive opções já liberadas, como a Tirzepatida. Produtos que não têm autorização da Anvisa, porém, não são seguros pois não é possível confirmar a composição e nem o transporte ou o armazenamento adequados.

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