Bem-estar 06 de maio, 2026 Por Gabriela Brito

Levantamento mostra que correr virou refúgio de autonomia no mundo dos algoritmos

Benefícios da corrida

Praticantes da corrida usam os treinos para melhorar a saúde física e também como forma de aliviar cansaço mental

Em um cotidiano cada vez mais guiado por algoritmos, escolher o que assistir, ouvir ou consumir parece simples, mas pode ter um custo invisível: a perda de autonomia. Aos poucos, decisões que antes eram espontâneas passam a ser influenciadas por recomendações automáticas, moldando hábitos, preferências e até relações.

É nesse cenário que práticas simples, como a corrida, ganham um novo significado. Mais do que exercício físico, elas surgem como uma forma de reconexão consigo mesmo, com o corpo e com o mundo real. É o que mostra o levantamento “Reset da Mesmice”, realizado pela Heineken em parceria com a Box1824.

Busca por autonomia

Corrida
(Crédito: Samuel Arkwright/ Unsplash)

Os dados revelam um desconforto crescente com a influência digital. Hoje, 42,9% dos brasileiros dizem já não conseguir distinguir o que realmente gostam daquilo que foi sugerido por algoritmos. Ao mesmo tempo, 48,9% afirmam que querem depender menos dessas recomendações no futuro.

Esse cenário aponta para um cansaço mental: 25,7% das pessoas identificam esse como o principal custo da vida mediada por algoritmos. Além disso, 38,7% sentem falta de ter um gosto mais próprio, menos padronizado.

Embora os algoritmos ainda sejam importantes, com 60,9% dos entrevistados afirmando que descobrem novas músicas por meio deles, cresce a percepção de que essa mediação limita experiências e reduz a sensação de descoberta genuína.

Corrida como válvula de escape

Indicação de tênis
(Crédito: freepik/ Freepik)

Dentro desse contexto, a corrida aparece como um dos principais territórios de autonomia. Entre quem pratica regularmente, 63,8% afirmam que esse é o único momento em que o resultado depende exclusivamente do próprio esforço, sem interferências externas.

Mais do que performance, o movimento ganha um papel mental e emocional. Ao correr, muitas pessoas conseguem sair do fluxo constante de estímulos digitais e se reconectar com o presente.

Os efeitos dessa desconexão são claros: 44,8% relatam mente mais limpa e 40% dizem ter mais energia para o dia a dia.

Do individual ao coletivo

Levantamento mostra que correr virou refúgio de autonomia no mundo dos algoritmos
(Crédito: Miguel A Amutio/ Unsplash)

A corrida também se fortalece como espaço de socialização fora das bolhas digitais. Para 62,5% dos entrevistados, ela se tornou a principal forma de fazer novos amigos sem influência de algoritmos.

Isso conversa com um movimento mais amplo: 73,9% dos entrevistados dizem preferir conhecer pessoas ao vivo, 46,9% acreditam que conexões profundas acontecem no mundo físico e 52,6% sentem que a “bateria social” recarrega mais em interações presenciais.

Ao mesmo tempo, o digital começa a afetar até as relações. Cerca de 27,6% relatam impaciência com conversas fora dos seus interesses imediatos, e 30% sentem ansiedade diante do imprevisível nas interações.

Quando até o bem-estar vira performance

começar a correr
(Crédito: Freepik)

Apesar de ser um espaço de liberdade, a corrida não está totalmente imune à lógica dos algoritmos. Hoje, 26,4% já percebem a prática sendo monitorada e influenciada por aplicativos e métricas.

Ainda assim, apenas 9,8% enxergam a atividade exclusivamente como uma tarefa a ser otimizada. Isso mostra que, embora a cultura da performance esteja presente, ainda existe espaço para uma relação mais leve e consciente com o movimento.

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