Bem-estar 15 de abril, 2026 Por Fernanda Labate

Esta prática de bem-estar pode “reconfigurar” sua mente, diz estudo com imagens do cérebro

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Estudo avaliou com ressonância magnética praticantes da atividade que participaram de um retiro e notaram mudanças na atividade do sistema nervoso

A meditação é uma prática cujos benefícios são conhecidos, e o alívio de estresse e ansiedade é um dos mais documentados. Mas, afinal, como isso acontece? Segundo um estudo recente, esse efeito pode ser fruto de uma verdadeira “reprogramação” do cérebro, algo visível até em exames de imagem. Entenda abaixo:

Estudo aponta que meditação pode reprogramar o cérebro

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(Crédito: Drazen Zigic/Freepik)

Sete dias de meditação intensa foram suficientes para cientistas da Universidade da Califórnia, em San Diego (Estados Unidos), notarem mudanças no cérebro e no sangue dos participantes de um estudo. O trabalho, publicado no periódico Communications Biology, sugere que a meditação pode “reconfigurar” redes neurais e alterar a biologia do organismo.

Liderada pelo professor Hemal H. Patel e pelo doutorando Alex Jinich-Diamant, a pesquisa acompanhou 20 adultos saudáveis durante um retiro de sete dias conduzido pelo educador Joe Dispenza. Ao longo da semana, os participantes realizaram cerca de 33 horas de meditação guiada. Para medir os efeitos, os estudiosos fizeram ressonâncias magnéticas e exames de sangue após o retiro.

Os resultados foram curiosos. Isso porque as imagens de ressonância magnética demonstraram redução na atividade de regiões do cérebro associadas ao “diálogo interno” – aquele fluxo de pensamentos incessantes e às vezes descontrolados que muitas pessoas têm. No lugar, foram observados padrões de atividade mais focados e eficientes.

Além disso, o plasma coletado das amostras de sangue também foi observado. Ao aplicá-lo em neurônios cultivados em laboratório, houve estímulo do crescimento de novas ramificações e conexões entre células nervosas. Por fim, pesquisadores também observaram aumento nos níveis de opióides naturais do organismo (ou seja, substâncias ligadas ao bem-estar físico, com alívio de dor e mais benefícios).

Com isso, o líder do estudo teoriza que os benefícios da meditação vão além do alívio imediato de estresse. “Trata-se de mudar fundamentalmente como o cérebro se engaja com a realidade. […] Estamos vendo as mesmas experiências e padrões de conectividade neural que normalmente exigem psilocibina [substância alucinógena], agora alcançados apenas pela prática intensa de meditação”, disse Patel.

Já o co-autor vê o estudo como possível evidência da integração entre corpo e mente. “O que acreditamos, como focamos nossa atenção e as práticas das quais participamos podem deixar impressões mensuráveis em nossa biologia”, disse Jinich-Diamant em um comunicado à imprensa.

Estudo tem limitações

(Crédito: THLT LCX/Unsplash)

Embora a pesquisa mostre evidências de que a meditação pode agir no cérebro de forma a mudar a maneira como ele reage ao mundo, há limitações. Para cravar o achado e entender exatamente como isso acontece, seria necessário realizar um estudo com mais participantes em ensaios clínicos controlados, especialmente em populações específicas (como pessoas com dor crônica ou doenças inflamatórias).

Ainda assim, a meditação é uma prática simples que não tem contraindicações – então é possível aproveitar os benefícios dela independentemente dos achados serem confirmados ou não.

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