Cor da casca não altera os nutrientes do ovo, mas outras características trazem informações importantes sobre as galinhas
Versátil, acessível e nutritivo, o ovo é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, do café da manhã ao jantar. Rico em proteínas de alta qualidade, vitaminas e minerais, ele ganhou ainda mais espaço nos últimos anos graças ao interesse crescente por alimentação saudável, praticidade e bem-estar.
Mas, diante da prateleira do mercado, uma dúvida ainda é comum: afinal, existe diferença entre o ovo branco e o marrom? Apesar de muita gente acreditar que o ovo de casca escura é “mais forte” ou mais nutritivo, a ciência mostra que as diferenças estão muito mais ligadas à genética da galinha e ao sistema de criação do que pela cor da casca.
Ovo branco e ovo marrom têm a mesma composição nutricional

Do ponto de vista nutricional, não há diferenças relevantes entre ovos de casca branca e ovos de casca marrom, também chamados de vermelhos. Ambos oferecem proteínas, vitaminas A, D, E, B2, B9 e B12, além de minerais e colina, nutriente importante para o cérebro e o sistema nervoso.
A clara concentra proteínas de alta qualidade, enquanto a gema reúne gorduras, vitaminas, minerais e compostos bioativos associados à melhora de marcadores inflamatórios, ligados a alterações metabólicas e doenças crônicas.
A cor da casca não tem relação com a alimentação da galinha. O que define se o ovo será branco ou marrom é a genética da ave. Em geral, galinhas de penas claras e lóbulos das orelhas brancos produzem ovos brancos, enquanto aves maiores e de penas avermelhadas costumam botar ovos marrons.
A alimentação da galinha pode influenciar a cor da gema, mais amarela ou alaranjada, mas não a cor da casca.
Então por que o ovo marrom costuma ser mais caro?

O preço mais elevado dos ovos marrons está ligado principalmente ao tipo de ave que os produz. As galinhas que botam ovos vermelhos ou marrons geralmente são mais pesadas, consomem mais ração e exigem maior custo de produção.
Além disso, existe uma percepção cultural de que o ovo marrom seria mais nutritivo ou “mais natural”, o que aumenta sua procura em alguns mercados e influencia o preço final.
O tamanho do ovo muda conforme a idade da galinha

Além da cor, os ovos também são classificados pelo peso. No Brasil, os ovos destinados ao consumo humano são divididos principalmente nas categorias A e B, sendo os da categoria B destinados à industrialização.
Os ovos da categoria A podem ser classificados como:
- Jumbo: mínimo de 68 g por unidade
- Extra: entre 58 g e 67,99 g
- Grande: entre 48 g e 57,99 g
- Pequeno: abaixo de 47,99 g
Outro detalhe curioso é que o tamanho do ovo costuma aumentar conforme a idade da galinha. No início do ciclo produtivo, as aves colocam ovos menores. Com o passar das semanas, os ovos tendem a ficar maiores.
O sistema de criação das galinhas

Mais do que a cor da casca, muitos consumidores passaram a observar como as galinhas são criadas. O avanço das discussões sobre bem-estar animal fez crescer o interesse por ovos caipiras, cage free e sistemas livres de gaiola.
As galinhas poedeiras possuem comportamentos naturais importantes para sua saúde física e mental, como ciscar, tomar banho de areia, abrir as asas, empoleirar-se e fazer ninhos. Sistemas tradicionais em gaiolas podem limitar esses comportamentos e causar estresse crônico às aves.
Por isso, cresce o interesse por sistemas de produção que priorizam maior liberdade de movimentação.

Sistema convencional
As aves vivem em gaiolas organizadas em bateria. É o modelo mais tradicional da produção de ovos, com espaço mínimo indicado por ave igual ou superior a 350 cm².
Sistema em gaiolas mobiliadas
As gaiolas possuem poleiro, ninho, tapete e lixa para desgaste de unhas, com espaço livre individual por ave de ao menos 750 cm².

Cage free ou livre de gaiola
As galinhas ficam soltas dentro dos aviários, com acesso a ninhos, poleiros e espaço para se movimentar, mas sem acesso ao ambiente externo.
Caipira ou colonial
Além de circularem livres no galpão, as aves têm acesso a áreas externas para pastejo e contato com o ambiente ao ar livre.
O sistema deve respeitar o limite de até sete aves por metro quadrado no galpão e de até duas aves por metro quadrado na área externa.
Esses sistemas costumam ter maior apelo entre consumidores que buscam produtos alinhados ao bem-estar animal e à produção mais ética.
Um alimento versátil, nutritivo e acessível

O ovo continua sendo um dos alimentos mais democráticos da alimentação brasileira. Vai bem sozinho, em omeletes, receitas doces, massas, bolos, suflês e acompanhando legumes e verduras.
Além da praticidade, ele reúne nutrientes importantes para diferentes fases da vida: ajuda no crescimento e desenvolvimento de crianças e jovens, contribui para manutenção da massa muscular e pode ser um aliado tanto em estratégias de emagrecimento quanto em planos alimentares voltados ao ganho de massa.
Ovo faz mal para o colesterol?
Durante muitos anos, o ovo foi visto com desconfiança por causa do colesterol presente na gema. Hoje, pesquisas mais recentes mostram que o que pesa mais no risco cardiovascular é o conjunto da dieta e do estilo de vida, incluindo excesso de gorduras saturadas, sedentarismo, tabagismo e baixa ingestão de fibras.
Por isso, o ovo pode fazer parte de uma alimentação saudável, especialmente quando preparado de forma simples, como cozido ou pochê, sem excesso de gordura.
Como conservar ovos corretamente

Para garantir segurança alimentar, alguns cuidados são importantes:
- Manter os ovos refrigerados entre 4°C e 12°C
- Respeitar a data de validade indicada na embalagem
- Evitar consumir ovos crus
- Higienizar as mãos e utensílios após o contato com ovos crus
- Os ovos não devem ser lavados antes de serem armazenados em casa, nem mesmo apenas com água.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, os ovos fazem parte do grupo de alimentos in natura, aqueles obtidos diretamente de animais ou plantas e que chegam ao consumidor com poucas alterações após sua produção.
Sendo assim, é um alimento que pode estar na base da nossa alimentação.
Este texto contém informações do “Guia alimentar para a população brasileira”, do artigo “Caminhos da Comida de Verdade: o ovo é seu verdadeiro coringa na cozinha” e da publicação “Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição : material de apoio para profissionais de saúde”, ambos do Ministério da Saúde, das publicações “Cor da casca de ovos de diferentes linhagens como fator de identificação visando mercados alternativos” e “Os ovos que consumimos”, da Embrapa Suínos e Aves, do Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017, da Portaria SDA nº 747, de 6 de fevereiro de 2023 e o Manual de boas práticas para o bem-estar de galinhas poedeiras criadas livres de gaiola da Embrapa.

