As chamadas PANCs ganham espaço na alimentação por serem nutritivas, acessíveis e cheias de tradição brasileira
Muito além da alface, da couve e do agrião, existe um universo de plantas comestíveis que por muito tempo ficaram esquecidas nas hortas, quintais e receitas regionais brasileiras. Conhecidas como PANCs, sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais, essas hortaliças vêm conquistando espaço por aliarem sabor, diversidade nutricional e conexão com tradições locais.
Ricas em fibras, vitaminas e minerais, muitas dessas plantas são consideradas alimentos funcionais e podem ajudar a deixar a alimentação mais variada e equilibrada. Além disso, costumam ser resistentes, fáceis de cultivar e importantes para a agricultura familiar, preservando conhecimentos passados de geração em geração.
O que são as hortaliças não-convencionais?

As hortaliças não-convencionais são vegetais consumidos tradicionalmente em determinadas regiões, mas que ainda não fazem parte do consumo cotidiano da maioria da população. Muitas vezes, elas crescem espontaneamente e chegam até a ser confundidas com “mato”, apesar de serem totalmente comestíveis e nutritivas.
As PANCs também carregam um valor cultural importante. Em diferentes estados brasileiros, essas plantas aparecem em receitas típicas, fortalecendo identidades regionais e incentivando uma alimentação mais diversa e próxima da natureza.
Por que incluir PANCs na alimentação?

Assim como outras hortaliças, as PANCs ajudam no bom funcionamento do organismo por serem fontes de fibras, vitaminas, sais minerais e compostos bioativos. Entre os principais benefícios, estão:
- Maior variedade nutricional no prato;
- Auxílio na saciedade;
- Melhor funcionamento intestinal;
- Baixo valor calórico;
- Fácil digestão;
- Incentivo ao consumo de alimentos frescos e naturais.
Além disso, diversificar os vegetais consumidos pode contribuir para ampliar a ingestão de nutrientes diferentes ao longo da semana.
12 hortaliças não-convencionais para conhecer e experimentar

Ora-pro-nóbis
Uma das PANCs mais famosas do Brasil, a ora-pro-nóbis tem folhas ricas em fibras e costuma aparecer em receitas mineiras com frango, angu e carnes, em especial a costelinha. Também pode ser usada em omeletes, sopas e refogados.
Taioba
Muito popular em Minas Gerais, a taioba pode substituir a couve em diversas preparações. As folhas são usadas cozidas ou refogadas com angu, arroz, carne moída e frango. Importante: ela não deve ser consumida crua.
Jambu
Tradicional da culinária amazônica, o jambu é conhecido pela sensação de dormência suave que provoca na boca. É ingrediente clássico do tacacá e do pato no tucupi.
Bertalha
Com folhas parecidas com o espinafre, a bertalha funciona bem em refogados, sopas e preparações quentes. É uma opção simples para variar os vegetais do dia a dia.
Beldroega
Rica em folhas e talos com textura suculenta, a beldroega pode ser usada em saladas, caldos e sopas, ajudando a trazer mais frescor às refeições.
Capuchinha
Com sabor levemente picante, semelhante ao agrião, a capuchinha adiciona cor e personalidade às saladas. As flores também são comestíveis e muito usadas na finalização de pratos. Os frutos verdes em conserva podem substituir as alcaparras.

Vinagreira
Ingrediente tradicional do arroz de cuxá maranhense, a vinagreira pode ser usada em saladas, refogados, sucos e até geleias.
Peixinho
Quando empanado e preparado à milanesa, o peixinho ganha sabor parecido com peixe, o que explica seu nome curioso. Também pode entrar em omeletes, sopas, refogados e até sucos.
Maxixe
Bastante presente na culinária nordestina, o maxixe pode ser consumido cozido, refogado ou junto com arroz, carnes e feijão.
Azedinha
As folhas têm sabor ácido e funcionam bem em saladas, sucos, sopas e molhos.
Almeirão-de-árvore
Versátil, pode ser usado como couve ou espinafre em refogados, tortas, bolinhos e pratos quentes.
Mangarito
Com textura semelhante à batata ou mandioca depois de cozido, o mangarito pode virar purê, sopa, bolinho ou acompanhamento.

Outras opções de PANCs
- Araruta
- Capiçoba
- Chicória-do-Pará
- Chuchu-de-vento
- Crem ou raiz forte
- Cubiu
- Inhame/ Cará
- Jacatupé
- Jurubeba
- Língua-de-vaca/ Cariru/ Talinum
- Serralha
- Taro/Inhame
Como consumir as PANCs no dia a dia?

O jeito mais simples de começar é incluir pequenas quantidades em preparações já conhecidas, como omeletes, arroz, sopas, saladas e refogados. Muitas dessas hortaliças substituem vegetais tradicionais sem exigir grandes mudanças na rotina.
Outra dica é procurar receitas típicas brasileiras que já utilizam essas plantas naturalmente. Assim, além de experimentar novos sabores, também é possível conhecer mais da cultura alimentar do país.
Onde encontrar PANCs?

As PANCs podem ser encontradas em feiras orgânicas, agroecológicas, hortas urbanas e pequenos produtores locais. O ideal é evitar colher plantas em ruas e calçadas, já que esses locais podem apresentar contaminação.
Buscar alimentos de procedência confiável ajuda a garantir mais segurança no consumo e também fortalece produtores que preservam a biodiversidade alimentar brasileira.
Este texto contém informações das cartilhas “Hortaliças não-convencionais: tradicionais” e “Plantas alimentícias não convencionais (PANCs)”.

