Saúde 16 de abril, 2026 Por Fernanda Labate

Anvisa proíbe duas marcas de “Mounjaro do Paraguai”: veja quais são e os riscos do uso

mounjaro do paraguai

Marcas de “Mounjaro do Paraguai” Tirzedral e Gluconex tiveram distribuição, comercialização, importação e uso proibidos pelo órgão

Em meio à crescente busca por Mounjaro mais barato ou tirzepatida (princípio ativo) importada sem necessidade de receita médica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de duas marcas vindas desse país. Segundo o órgão, essas canetas emagrecedoras estavam circulando ilegalmente no Brasil – e, como qualquer medicamento sem registros, oferecem riscos.

Anvisa proíbe Gluconex e Tirzedral, marcas de “Mounjaro do Paraguai”

mounjaro do paraguai
(Crédito: Freepik)

A Anvisa determinou nesta semana a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral no Brasil. A medida proíbe a comercialização, a distribuição, a importação e o uso desses produtos – fabricados por empresas não identificadas –, em território nacional.

De acordo com a agência reguladora, os dois produtos são amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis à base de GLP-1, peptídeo inibidor de apetite como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Nenhum deles, porém, tem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. 

Isso significa que não é possível garantir aspectos como:

  • Composição (se os remédios realmente contém tirzepatida, e só ela);
  • Eficácia (se cumprem o que prometem);
  • Segurança (má manipulação ou substâncias falsas podem oferecer risco);
  • Integridade do produto (devido à importação com transporte possivelmente inadequado).

Essa proibição vem em um momento no qual a Anvisa está endurecendo as regras sobre esse tipo de medicamento, especialmente quando o assunto é manipulação e importação. Isso porque, frequentemente, os remédios são produzidos de forma inadequada, transportados sem refrigeração e, acima de tudo, prometem algo que não podem cumprir.

Riscos de usar “Mounjaro do Paraguai”

(Crédito: freepik/freepik)

Os riscos de usar canetas importadas de marcas que não sejam a oficial da farmacêutica Eli Lilly são muitos e começam pelo fato de que a empresa detém a patente da tirzepatida. Isso significa que só ela tem a “receita correta” da molécula, impedindo a possibilidade de outras empresas ao redor do mundo afirmarem que seus medicamentos contêm essa substância.

Além disso, a manipulação também é perigosa. Isso porque, conforme divulgou a Eli Lilly em carta aberta, boa parte dos locais que oferecem a manipulação usam o princípio ativo importado de fontes “perigosas e ilícitas”. Outro ponto é que várias farmácias comercializam o medicamento em forma de comprimido e até spray nasal – formas de administração não estudadas pela empresa que desenvolveu e detém a patente da molécula.

Por fim, esse tipo de venda facilita a compra sem receita – bem como o uso sem acompanhamento. Essas práticas, por sua vez, também podem prejudicar a saúde do paciente.

Considerando tudo isso, a médica Tassiane Alvarenga, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP), explica que usar esses medicamentos gera riscos como:

  • Intoxicação (por molécula potencialmente diferente da correta, uso de outras substâncias em conjunto e transporte inadequado que estraga o produto);
  • Subdosagem (pois a dose indicada na embalagem pode não corresponder ao que está no frasco);
  • Superdosagem (pois o uso sem acompanhamento favorece a auto administração de doses mais altas buscando mais resultados);
  • Pancreatite (por perda de peso excessiva sem acompanhamento médico).

Como se proteger

Mounjaro e pancreatite
(Crédito: Tá Saudável)

Em meio ao crescimento desse mercado paralelo, é preciso se proteger. Nesse contexto, é importante saber, por exemplo, que as únicas substâncias para esse tipo de tratamento regularizadas no Brasil são liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Sendo assim, medicamentos à base de retatrutida podem ser falsos e não devem ser usados.

Além disso, o preço desses remédios é tabelado. Sendo assim, ao encontrá-los com valores muito menores que o normal, convém desconfiar. Por fim, é importante priorizar redes de farmácias conhecidas e o medicamento produzido pela própria farmacêutica.

Mais sobre canetas emagrecedoras

COMPARTILHE: