Agachamento com step para elevar o corpo virou moda nas academias, mas nem sempre é necessário ou seguro
As academias se tornaram um local que dita tendências, e algumas delas se manifestam dentro do próprio treino. Nesse contexto, uma das mais difundidas nas redes sociais é o uso de steps para elevar o corpo na hora de realizar exercícios como o agachamento sumô – mas, afinal, todo mundo precisa replicar isso no próprio treino? Entenda abaixo:
Para que serve agachamento com step?

O agachamento sumô é um exercício em que o praticante afasta os pés um do outro, segura um peso de forma centralizada e flexiona os joelhos enquanto projeta o quadril para trás. Nesse contexto, subir em um par de steps pode ajudar, mas, segundo Cacá Ferreira, gerente técnico corporativo da Companhia Athletica, a técnica tem apenas um objetivo.
“No sumô, a gente recomenda que a pessoa agache em uma amplitude onde os quadris fiquem abaixo da linha do joelho. Se ela estiver segurando um peso como um halter grande na frente do corpo e tentar agachar nessa amplitude, o halter vai bater no chão e ela será impedida”, aponta ele, explicando que os steps servem justamente para garantir que o peso não bata no chão conforme o praticante desce na amplitude máxima.
Sendo assim, quando usado dessa forma, o step permite, sim, que o estímulo que o exercício causa no corpo seja maior. “Estudos mostram que quando você faz um agachamento mais completo, abaixo da linha dos joelhos, você recruta tanto a parte da frente (quadríceps) quanto a parte de trás (isquiotibiais e glúteos) de maneira mais equilibrada”, pontua.
Agachamento com step não é para todo mundo

Apesar da vantagem, o agachamento com step não beneficia todo mundo que pratica o exercício. Um exemplo é o caso de pessoas que já atingem a amplitude indicada para essa atividade sem que o peso bata no chão. Nesses casos, os steps não têm função alguma, e não precisam ser usados.
Além disso, Cacá frisa que seguir esse tipo de tendência antes de compreender e executar o agachamento sumô corretamente pode trazer riscos. Segundo ele, um iniciante na prática nem sempre conhece a melhor postura para fazer o exercício – e, por isso, esse não é o momento ideal para focar em aumentar a amplitude ao máximo.
“Não é correto ter como obrigatoriedade uma pessoa fazer o agachamento sumô desde o início com o máximo de amplitude, mas descompensando a coluna, as articulações, projetando o tronco para frente, jogando o peso nas pontas dos pés, desconectando os calcanhares do chão, fazendo o joelho ir para dentro”, explica ele, afirmando que casos assim podem resultar em lesões.
Como começar a fazer agachamento sumô

Segundo ele, o processo correto – especialmente para quem tem alguma limitação pré-existente, como histórico de lesões, problemas nos joelhos, obesidade, entre outras – inclui avançar aos poucos, lembrando que o aumento da amplitude também é um tipo de progressão (assim como aumento de carga ou de repetições).
“A amplitude é um fator de intensidade, e é necessário começar com intensidade menor, progredir com controle e evoluir mantendo a técnica. O correto é fazer com que a pessoa ganhe essa amplitude ponto a ponto”, frisa o profissional, enfatizando a importância não só de buscar orientação de qualidade, mas de não se deixar guiar por tendências nas redes sociais.
“É muito importante as pessoas saberem fazer as perguntas: ‘Para que serve esse exercício?’, ‘qual vantagem vou ter?’, ‘o que pode me gerar de problema se eu executar errado?’, ‘estou preparado para esse movimento?’, ‘preciso desse exercício nesse momento?’. Muitas vezes um exercício simples, bem executado, usando tudo o que ele pode oferecer, gera muito mais resultado. É melhor seguir aquele exercício da moda ou o exercício correto para o meu corpo?”, diz ele, aconselhando que praticantes pensem no futuro.
“Espero que todo mundo procure ter um momento presente no treino, mas pensando no momento do futuro, de sustentar esse treino ao longo dos anos. A sustentabilidade vai depender das suas escolhas no momento presente. Precisamos nos respeitar, e não seguir a experiência do outro”, conclui.
