Alimentação 30 de junho, 2016 Por Redação

Silicone

Foi-se o tempo em que a marca registrada da mulher brasileira eram os seios pequenos e quadris largos. Com a mudança dos padrões de beleza que atingiu o mundo todo, a moda é ter seios fartos e sensuais. Com inspiração em celebridades que exploram esses atributos, a mulherada lota os consultórios médicos em busca do seio perfeito. O resultado é que o implante de prótese de silicone nos seios é hoje uma das cirurgias plásticas mais procuradas no país, junto com a lipoaspiração. Mas será que vale a pena?

De acordo com o cirurgião plástico Edmar Fontoura, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e responsável pela Clínica Plastiké, no Rio de Janeiro, 90% das cirurgias de implante de silicone atuais têm fins estéticos – apenas 10% são para a reconstrução de mama. “A busca cresceu muito nos últimos anos, tanto entre mulheres que querem aumentar os seios quanto aquelas que desejam corrigir uma queda”, afirma. Mas é preciso atentar para a idade mínima para se submeter à cirurgia, por volta dos 16 ou 17 anos. Dependendo do desenvolvimento do corpo da paciente, pode ser preciso esperar mais um pouco.

Qual o tamanho ideal?

Inicialmente, as próteses para seios eram recheadas com silicone líquido e casos de ruptura ou vazamento eram comuns. Hoje são feitas com gel de silicone coesivo, que não vaza e, portanto, são muito mais seguras, e com revestimento de poliuretano, igualmente firmes e confiáveis. Os tamanhos variam de 135ml a 500ml. O ideal é que o resultado fique o mais natural possível.

As formas também são diversas:

– A prótese de perfil baixo tem cerca de dois centímetros de altura e possui uma base mais larga. É mais indicada para quem quer ficar com o colo mais cheio, mas não quer que o peito fique muito para a frente. Discreta, é pouco usada nas cirurgias.

– A de perfil alto, campeã de preferência entre as brasileiras, tem aproximadamente cinco centímetros de altura e projeta os seios para a frente, sem preencher muito a região do colo.

– A prótese anatômica tem a forma de uma gota e é mais indicada para quem tem mamas com formas bem definidas e só deseja aumentar um pouco o tamanho. Segundo o Dr. Edmar, é mais usada nas cirurgias de reconstrução da mama, sem fins estéticos.

Exercícios também deixam os seios em forma

A parte mais importante de todo o processo é o pré-operatório. O primeiro passo é escolher um cirurgião plástico habilitado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Jamais faça a cirurgia em locais clandestinos ou por pessoas não habilitadas: os riscos de complicações e morte não compensam a economia. A busca por um médico de confiança precisa ser feita com calma. “Visitei uns quatro médicos, todos indicados por pessoas que conheço, antes de tomar a decisão”, conta Kelly Teixeira, 36 anos, decoradora. O mesmo cuidado foi tomado pela pedagoga Denise Lima, de 33. “Tive algumas indicações de amigas que já tinham feito, pesquisei na internet, conheci todos os médicos, mas acabei escolhendo o que soube me explicar mais sobre o assunto”, diz.

Definido o cirurgião, é necessário conversar francamente, tirar todas as dúvidas e ouvir as orientações. Será preciso passar por uma rigorosa avaliação do perfil físico e psicológico, além de exames de sangue e avaliação cardiológica. A escolha da prótese ideal deve ser tomada em conjunto com o médico, de acordo com as proporções do corpo. São levados em conta a estatura, a anatomia do tórax, o conteúdo mamário e até o tipo de pele. Para ajudar, são mostradas fotos de pessoas que passaram pela cirurgia, mostrando como era antes e como o seio ficou depois.

Na consulta, o médico deve explicar como é feita a colocação da prótese. Existem três opções de incisão, a infra-mamária (na dobra embaixo da mama), periaureolar (geralmente na parte de baixo dos mamilos) e pelas axilas. Em geral, o corte é discreto, de quatro a cinco centímetros, dependendo do tamanho da prótese – se ela for muito grande, o corte será maior. Já a anestesia pode ser geral ou local, mas isso deve ser discutido no consultório após a realização dos exames pré-operatórios.

Os riscos da cirurgia são poucos, mas devem ser explicados tintim por tintim. Além da infecção hospitalar, podem ocorrer hematomas e endurecimento dos seios. Endurecimento? Como assim? Bem, em algumas mulheres pode acontecer de o corpo “estranhar” a presença do implante no seio, formando uma cápsula fibrosa ao redor dele. Se ela ficar dura, vai contrair o implante, mudando o formato do seio. Segundo o médico, são poucos os casos em que isso acontece. “De 2% a 4% das mulheres acabam apresentando esse problema, mas ele pode ser corrigido com uma nova cirurgia. Nos casos em que o endurecimento for mais severo, recomenda-se a retirada da prótese e a colocação de uma nova”, observa.

Saiba como é o pós-operatório

Entre as perguntas mais comuns de quem opta pelo implante, duas chamam bastante atenção. Uma delas se refere à amamentação. Será que dá para amamentar normalmente usando a prótese? Dá, sem problemas. Os implantes são colocados abaixo do tecido glandular mamário, por isso não têm a menor interferência no aleitamento.

Outra preocupação é relacionada ao câncer de mama. Ao contrário do que se pensa, as próteses não atrapalham a identificação de um tumor – nem durante o autoexame, feito em casa, tampouco durante exames mais complexos, como a mamografia. Também é mito, segundo especialistas, que as próteses provoquem a doença. Isso não significa que a mulher deva se descuidar do controle. Com ou sem prótese, é preciso fazer o autoexame regularmente e visitar o médico para detectar precocemente o câncer.

A validade das próteses também é bastante questionada. Em geral, elas têm dez anos de garantia, porém as mais modernas, feitas de gel coesivo, duram muito mais tempo e só precisam ser trocadas se houver algum problema. Mesmo assim, seja qual for o tipo da prótese, após uma década é preciso fazer acompanhamento anual com exames de ultrassom e mamografia.

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