Alimentação 18 de agosto, 2026 Por Gabriela Brito

Suplementos que não parecem suplementos: como será a próxima geração e o que muda na absorção

Suplementos que não parecem suplementos

Gomas, sprays, tiras e adesivos tornam a suplementação mais prática, mas será que também melhoram a absorção?

A próxima geração de suplementos alimentares aposta em formatos que vão muito além das tradicionais cápsulas e comprimidos. Gomas, pastilhas, sprays, tiras que se dissolvem na boca e até adesivos estão ganhando espaço em diferentes mercados, impulsionados pela busca por praticidade, conforto e maior adesão ao consumo.

Mas um formato mais moderno não significa, automaticamente, uma absorção melhor. O que determina a biodisponibilidade de um nutriente é uma combinação de fatores: a substância utilizada, sua dose, a formulação, sua solubilidade, a interação com outros componentes e o caminho que ela percorre no organismo. 

O que é um suplemento alimentar?

No Brasil, a Anvisa define suplementos alimentares como produtos destinados ao consumo oral para complementar a alimentação de pessoas saudáveis com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos. Entre as formas citadas pela agência estão comprimidos, cápsulas, pastilhas, pós e barras.

A própria Anvisa determina que o rótulo informe a forma de apresentação do produto, além da recomendação de uso, advertências, restrições, composição e quantidade dos nutrientes ou outras substâncias presentes.

Em outros mercados, a lista também é ampla. Nos Estados Unidos, por exemplo, suplementos podem aparecer como comprimidos, cápsulas, softgels, líquidos, gomas e pós. Na União Europeia, a legislação trata os suplementos como fontes concentradas de nutrientes ou outras substâncias comercializadas em formas de dose, como comprimidos, cápsulas e líquidos em doses medidas.

Os formatos mais tradicionais

suplementos alimentares
(Crédito: magnific/ Magnific)

Cápsulas

São estruturas com uma parte externa que contém o ingrediente, normalmente em pó, pellets ou, no caso das cápsulas moles, substâncias líquidas ou semissólidas.

As cápsulas duras devem ser ingeridas com líquido. Já os softgels são especialmente úteis para ingredientes que precisam ser formulados em meios oleosos ou semissólidos.

Comprimidos

São feitos pela compressão de uma mistura de ingredientes em pó. Podem receber revestimentos que ajudam a proteger os componentes, melhorar a estabilidade ou mascarar sabores desagradáveis.

Em geral, são ingeridos com líquido.

Pós

Podem vir em sachês, sticks ou potes com medidor. Dependendo da formulação, são dissolvidos em água ou adicionados a alimentos e bebidas.

É um formato especialmente interessante para ingredientes que precisam ser fornecidos em quantidades maiores, como proteínas e alguns aminoácidos.

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Líquidos

Incluem soluções, xaropes e outras misturas, geralmente apresentadas em frascos ou ampolas. Quando a embalagem contém várias doses, pode vir acompanhada de conta-gotas ou medidor.

Alguns produtos precisam ser diluídos antes do consumo.

Efervescentes

São comprimidos desenvolvidos para serem dissolvidos em água. A reação libera gás carbônico e transforma o produto em uma bebida.

Além de facilitar o consumo, o formato pode ajudar a mascarar sabores desagradáveis de determinados ingredientes, com aromas e adoçantes.

As novas gomas e pastilhas

suplemento em gummy
(Crédito: magnific/ Magnific)

Gomas

As gummies são uma das principais novidades que chegaram ao mercado de suplementos. Elas pertencem à categoria dos formatos mastigáveis e podem ter diferentes texturas, sabores, cores e formatos.

A principal vantagem não é necessariamente uma absorção maior, mas uma experiência de consumo diferente. Para pessoas que têm dificuldade para engolir cápsulas e comprimidos, por exemplo, o formato pode facilitar a rotina.

Não é possível dizer que gummies apresentam maior ou menor absorção do que comprimidos de forma geral. A resposta depende do nutriente, da formulação e das condições de liberação e absorção.

É importante dizer ainda que muitas gomas incluem adição de açúcares, corantes ou edulcorantes na formulação.

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Pastilhas

As pastilhas são feitas para se dissolver lentamente na boca, sem necessidade de água. Podem ser adoçadas e aromatizadas para facilitar o consumo.

Elas não devem ser confundidas automaticamente com produtos sublinguais. Para que uma substância seja efetivamente absorvida pela mucosa da boca, a formulação precisa ser desenvolvida e estudada para isso.

Os suplementos do futuro

suplemento em adesivo
(Crédito: Divulgação/ barrière)

Tiras que dissolvem na boca

As chamadas oral thin films são películas finas que podem ser colocadas sobre a língua ou em regiões da mucosa oral. Elas se desintegram rapidamente e podem ser desenvolvidas para transportar vitaminas, minerais, compostos bioativos e outros ingredientes.

A tecnologia chama atenção porque pode reduzir a necessidade de água e facilitar o transporte e o consumo. Dependendo da formulação e do local de aplicação, também existe a possibilidade de favorecer a absorção pela mucosa e reduzir a passagem inicial pelo fígado.

Mas há uma diferença entre potencial tecnológico e benefício comprovado em humanos. Revisões recentes apontam as tiras orais como uma plataforma promissora, mas também destacam desafios de formulação, estabilidade, liberação do ingrediente e validação clínica.

Sprays

Os sprays podem ser administrados na boca e, em algumas formulações, são desenvolvidos para contato com a mucosa oral.

Alguns estudos sobre o formato apresentam resultados interessantes, mas a quantidade de evidências ainda é pequena para transformar o formato em sinônimo de “melhor absorção”.

Adesivos

Os adesivos são um caso diferente porque tentam levar o ingrediente através da pele, em vez de pelo sistema digestivo.

A ideia é atraente: colocar o adesivo e deixar que a substância seja liberada gradualmente. O problema é que a pele funciona como uma barreira bastante eficiente. Fazer com que vitaminas e minerais atravessem a pele em quantidade suficiente é um desafio tecnológico.

Por isso, adesivos não devem ser tratados como uma versão mais eficiente das cápsulas. Eles representam uma tecnologia de administração diferente, ainda em desenvolvimento.

Por que a indústria está criando tantos formatos?

Segundo a IADSA, associação global do setor de suplementos alimentares, fabricantes consideram características como estabilidade do ingrediente, composição, resistência às condições do trato gastrointestinal e experiência do consumidor ao escolher uma forma de apresentação.

Há também uma questão prática reforçada pela IADSA: quanto mais fácil e agradável for consumir um suplemento, maior pode ser a chance de a pessoa incorporá-lo à rotina.

Isso ajuda a explicar a popularidade das gummies, das pastilhas, dos sachês individuais e dos formatos que dispensam água. Para alguém que não gosta de engolir comprimidos, uma goma pode ser uma solução de adesão. Para quem viaja ou passa o dia fora de casa, uma tira ou um sachê pode ser mais conveniente.

Praticidade, porém, não é sinônimo de biodisponibilidade.

O que realmente muda na absorção?

absorção de suplementos
(Crédito: ArthurHidden/ Magnific)

A absorção de um nutriente não depende apenas de ele estar em uma cápsula, goma ou spray.

No caso da administração oral, o organismo precisa liberar o ingrediente da matriz do produto, fazê-lo se dissolver, atravessar as condições do trato gastrointestinal e chegar ao local onde será absorvido. Solubilidade, estabilidade, digestão, interação com outros componentes e características do próprio nutriente também interferem nesse processo.

Absorção é a passagem do ingrediente do local de administração para a circulação. Já a biodisponibilidade considera quanto do composto chega à circulação e fica disponível para exercer seus efeitos.

Por isso, uma mudança de formato pode melhorar a biodisponibilidade em determinadas situações, mas não necessariamente em todas.

A vitamina D é um exemplo de como o resultado depende da formulação. Estudos comparando sprays bucais ou sublinguais com cápsulas encontraram tanto resultados favoráveis ao spray quanto resultados semelhantes entre as duas formas. Portanto, não é possível dizer que uma apresentação seja universalmente superior.

No Brasil, a recomendação da Anvisa é seguir as orientações do rótulo e buscar orientação de um profissional de saúde quando houver necessidade de suplementação. 

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