Alimentação 13 de outubro, 2026 • Por Gabriela Brito

É possível aumentar o GLP-1 naturalmente? Suplementos apostam na ideia

GLP-1 natural

Fibras, proteínas e sono adequado podem favorecer liberação do hormônio, mas não reproduzem o efeito dos medicamentos

O sucesso dos medicamentos que imitam a ação do GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, abriu espaço para uma nova aposta no mercado de bem-estar: suplementos que prometem estimular a produção natural desse hormônio. Nos Estados Unidos, a marca Lemme, fundada por Kourtney Kardashian, já vende cápsulas com essa proposta.

Sim, é possível aumentar o GLP-1 naturalmente. O hormônio é produzido pelo próprio organismo, principalmente após as refeições, e participa do controle da glicose e do apetite. O que ainda não tem evidências suficientes é que suplementos consigam estimular sua produção de forma consistente e gerar efeitos relevantes sobre o peso.

O que é GLP-1 e para que ele serve?

o que é GLP-1
(Crédito: Susan Wilkinson/ Unsplash)

O GLP-1 é um hormônio produzido principalmente pelo intestino em resposta à alimentação. Ele ajuda a regular a glicose no sangue, estimula a liberação de insulina quando necessário e contribui para a sensação de saciedade, além de retardar o esvaziamento do estômago.

Os medicamentos conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1 imitam a ação desse hormônio e prolongam seus efeitos no organismo. Por isso, podem ajudar no controle da glicemia e do apetite, com indicações que variam conforme o medicamento.

Estimular a produção natural de GLP-1, porém, não é o mesmo que usar um medicamento que age sobre esse sistema.

Como aumentar o GLP-1 naturalmente?

aumentar GLP-1
(Crédito: Alazar Kassahun/ Unsplash)

A alimentação pode favorecer a liberação do hormônio. Segundo a nutricionista Lívia Almeida, do Hospital Samaritano Higienópolis, de São Paulo, alimentos ricos em fibras e proteínas são especialmente interessantes nesse processo.

Na prática, vale incluir no dia a dia:

  • Fibras: aveia, feijão, frutas, verduras, chia e linhaça.
  • Proteínas: ovos, peixes, frango, iogurte natural e leguminosas.
  • Fontes de gorduras boas: alimentos como azeite, castanhas e sementes, em porções adequadas a uma alimentação equilibrada.

Esses alimentos podem contribuir para uma digestão mais lenta e para uma sensação de saciedade mais duradoura. O efeito depende da refeição como um todo, e não de um ingrediente isolado.

Atividade física e sono adequado também fazem parte dos hábitos que ajudam a regular o funcionamento do organismo e contribuem para a saúde metabólica. Ainda assim, não existe uma fórmula alimentar que garanta aumento específico do GLP-1 ou emagrecimento.

Aumentar o GLP-1 emagrece?

GLP-1 perda de peso
(Crédito: Amo Journey/ Unsplash)

Embora a liberação natural do hormônio participe da saciedade, a perda de peso depende de vários fatores, incluindo o conjunto da alimentação, o gasto energético, o sono e as condições individuais de saúde.

Além disso, o GLP-1 produzido naturalmente tem ação curta e é rapidamente degradado pelo organismo. Os medicamentos que imitam sua ação foram desenvolvidos para produzir efeitos farmacológicos mais prolongados.

Por isso, estimular a liberação natural do hormônio por meio da alimentação não equivale aos efeitos dos medicamentos agonistas de GLP-1 ou garante perda de peso. Pessoas com obesidade ou diabetes não devem substituir um tratamento prescrito por alimentos ou suplementos com essa promessa.

Suplementos que prometem estimular o GLP-1 funcionam?

suplemento de GLP-1
(Crédito: Divulgação/ Lemme)

Apesar das limitações das evidências, algumas marcas já exploram essa tendência fora do Brasil. É o caso da Lemme, que comercializa nos Estados Unidos o Lemme Reset, apresentado como um suplemento para apoiar a produção de GLP-1.

Segundo a fabricante, a fórmula reúne “ingredientes clinicamente estudados que auxiliam na produção de GLP-1, no controle do apetite e no gerenciamento de peso”: extrato de limão, extrato de açafrão e extrato de laranja-vermelha. 

Mas há uma diferença entre estudar um ingrediente em condições específicas e demonstrar que um produto comercial produz resultados relevantes em pessoas. Ainda são necessárias evidências clínicas mais robustas para confirmar que suplementos desse tipo aumentam o GLP-1 de maneira consistente e promovem benefícios significativos para o controle do peso.

A empresa também informa que o suplemento não contém GLP-1 sintético e não é um medicamento agonista desse hormônio.

O que a Anvisa diz sobre suplementos para emagrecer?

(Crédito: Oren Elbaz/ Unsplash)
(Crédito: Oren Elbaz/ Unsplash)

No Brasil, suplementos alimentares são destinados a complementar a alimentação, com ingredientes autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Eles não devem ser tratados como medicamentos nem substituir uma alimentação equilibrada.

A agência também informa que a legislação não permite alegações de perda de peso ou emagrecimento na propaganda de suplementos alimentares.

Além disso, a necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente, com orientação de um profissional de saúde.

Como identificar promessas exageradas?

promessas glp-1
(Crédito: Louis Hansel/ Unsplash)

Para a nutricionista Lívia Almeida, é importante desconfiar de produtos que prometem reproduzir os efeitos dos medicamentos sem serem os próprios medicamentos.

Na hora de avaliar uma oferta:

  • Desconfie de promessas de emagrecimento rápido ou sem esforço.
  • Tenha cautela com produtos que afirmam produzir os mesmos resultados dos medicamentos agonistas de GLP-1.
  • Confira os ingredientes, a finalidade declarada e as alegações do fabricante.
  • Converse com um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação.

A dica principal é não confundir uma promessa comercial com um benefício comprovado. Para favorecer a saciedade e a saúde metabólica, o ponto de partida continua sendo uma alimentação variada, atividade física e hábitos sustentáveis, sem esperar que um suplemento reproduza a ação de um medicamento.

produção de glp-1
(Crédito: Eduardo Gorghetto/ Pexels)

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