Matcha e café têm cafeína, mas em quantidades diferentes – e outros compostos fazem com que as bebidas ofereçam energia também de forma diferente
Inegavelmente, o café faz parte do dia a dia de muita gente, e nem sempre estamos falando de apenas uma xícara, mas sim várias ao longo do dia. A bebida é ótima para trazer energia para o corpo, mas autoridades em saúde como a Food and Drug Administration (FDA) recomendam um limite de 4 xícaras por dia – e, por isso, muitos têm substituído o café por matcha.
Mas, afinal, matcha é mais saudável que café mesmo? Ele contribui com a energia da mesma forma? Entenda abaixo os efeitos da bebida e se a substituição vale a pena:
Matcha: o que é, benefícios com relação ao café e mais

O matcha é um tipo de chá verde em pó que vem de folhas de Camellia sinensis cultivadas de forma específica, incluindo um período sem luz solar direta logo antes da colheita. Isso aumenta a produção de L-teanina, aminoácido associado à sensação de calma e foco.
Após a colheita, as folhas passam por moagem e viram o pó bem fino comercializado para o preparo de bebidas. Sendo assim, enquanto o chá verde comum é preparado por infusão, o matcha é um pó da própria folha, que pode ser misturado com água morna ou leite (matcha latte).
Além da L-teanina, a nutricionista Marcia Gowdak, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), explica que o matcha, assim como o café, também contém cafeína, algo que o torna uma bebida estimulante. Aqui, outros compostos que se destacam, segundo ela, são as catequinas e a clorofila, que têm ação antioxidante.
Matcha e café: qual dá mais energia?

Conforme explica a nutricionista, como o matcha também tem cafeína, ele promove, sim, energia – mas de forma diferente. “Ele geralmente provoca um estímulo mais suave e prolongado do que o café. Isso acontece porque no matcha, a cafeína vem acompanhada de maiores quantidades de L-teanina, que ajuda a promover foco e relaxamento ao mesmo tempo em que modula os efeitos estimulantes da cafeína”, afirma.
Sendo assim, a energia que o matcha promove não vem em picos como a do café, mas sim de maneira estável e prolongada. “Por isso, algumas pessoas mais sensíveis à cafeína toleram melhor o matcha do que o café”, explica a diretora da SBEM, pontuando que quem consome muita cafeína pode precisar de algum tempo consumindo matcha para sentir um efeito parecido.
“No início, algumas pessoas percebem a sensação de energia como menos intensa até o organismo se adaptar”, explica, afirmando que isso acontece porque o matcha, apesar de ter cafeína, tem essa substância em menor quantidade do que o café.
Qual é melhor para a saúde, café ou matcha?

Segundo a nutricionista, não é possível eleger uma bebida melhor ou pior. Isso porque, conforme explica, existem estudos que apontam benefícios no café mesmo quando a bebida é descafeinada – da mesma forma como os outros componentes do matcha trazem benefícios antioxidantes que o café não tem.
Além disso, quanto a malefícios, é preciso esclarecer. “Nenhuma das duas bebidas é prejudicial quando consumida com moderação. As duas podem trazer benefícios à saúde, e ainda é cedo para afirmar que uma bebida é superior à outra”, declara a especialista, pontuando que estudos robustos sobre matcha ainda são escassos devido à popularização recente da bebida.
Aqui, é importante frisar também que, apesar de ambas as bebidas terem benefícios, eles podem ser mais ou menos impactantes a depender de como elas são servidas. O matcha ou o café com leite integral, por exemplo, também incluem gordura e proteína, e adoçá-los com açúcar pode reduzir as vantagens nutricionais do consumo de ambas.
Existe limite para o consumo de matcha?

Como o matcha também tem cafeína, também existe um limite indicado para o consumo – que depende justamente da concentração dessa substância. “Para adultos saudáveis, recomenda-se o consumo de até 400mg de cafeína por dia”, comenta a nutricionista.
Enquanto no caso do café isso totaliza de 3 a 4 xícaras, dependendo do tamanho delas, isso muda quando o assunto é matcha. “Em média, uma xícara de matcha preparada com 1 a 2g de pó tem cerca de 30 a 70mg de cafeína. Assim, o consumo permanece dentro da faixa considerada segura quando limitado a aproximadamente de 3 a 5 xícaras por dia, a depender da concentração do preparo”, conclui.

