Saúde 22 de outubro, 2026 • Por Gabriela Brito

Esse hábito pode ajudar a manter o cérebro saudável durante o envelhecimento

cérebro saudável

Se exercitar está associado a maior volume cerebral em idosos, inclusive em áreas ligadas à memória e ao raciocínio

A prática regular de atividade física está associada a um cérebro mais preservado durante o envelhecimento, segundo uma revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity. O estudo reuniu dados de 2.684 pessoas com idade média de 70 anos e identificou que os idosos mais ativos apresentavam maior volume cerebral, inclusive em regiões relacionadas à memória e à cognição. A pesquisa foi conduzida por Sara Oliveira Dias de Lucena, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob orientação do professor Lucas Melo Neves, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Os resultados reforçam a importância do movimento para a saúde ao longo da vida, especialmente diante do envelhecimento da população e do aumento da preocupação com doenças que afetam a memória, como o Alzheimer. Embora a redução do volume cerebral faça parte do envelhecimento natural, fatores como atividade física, controle de doenças crônicas e estímulo cognitivo podem influenciar esse processo. 

Como a atividade física pode ajudar o cérebro?

maior volume cerebral em idosos
(Crédito: Centre for Ageing Better/ Unsplash)

A revisão analisou 19 estudos observacionais que avaliaram os níveis habituais de atividade física dos participantes e o volume de diferentes estruturas cerebrais, medido por ressonância magnética. Ao todo, foram examinadas 76 estruturas e regiões do cérebro.

Os pesquisadores identificaram uma associação entre maior nível de atividade física e maior volume cerebral total. Entre as áreas que se destacaram estão o hipocampo e a substância branca, estruturas importantes para o funcionamento cognitivo.

O hipocampo participa da formação de novas memórias e está entre as regiões mais sensíveis ao envelhecimento. Já a substância branca funciona como uma rede de comunicação entre diferentes áreas cerebrais, contribuindo para o processamento de informações.

Em alguns dos estudos analisados, idosos que atingiam a recomendação mínima de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS), de cerca de 150 minutos por semana, apresentavam um hipocampo de 7% a 10% maior do que o de participantes menos ativos.

Essa diferença não significa que o exercício aumente necessariamente o hipocampo de qualquer pessoa nessa proporção. O resultado representa uma associação observada em parte dos estudos analisados.

Por que o cérebro muda com a idade?

beneficios da atividade fisica
(Crédito: Gabin Vallet/ Unsplash)

A partir da meia-idade, o cérebro passa por mudanças estruturais graduais, que incluem a redução do volume de algumas regiões, alterações nas conexões entre as células nervosas e mudanças na substância branca.

Essas transformações podem afetar funções como memória, atenção e velocidade de raciocínio. A intensidade dessas mudanças varia de pessoa para pessoa e também depende de fatores relacionados ao estilo de vida e às condições de saúde.

Segundo os pesquisadores, uma das possíveis explicações para a associação entre exercício e preservação cerebral é o estímulo à produção de fatores neurotróficos, como o BDNF, uma proteína que favorece a sobrevivência e a capacidade de adaptação dos neurônios.

A atividade física também pode melhorar o fluxo sanguíneo cerebral, estimular a formação de novos vasos sanguíneos e contribuir para a redução de processos inflamatórios crônicos. Esses mecanismos são investigados pela ciência como possíveis caminhos pelos quais o exercício beneficia o cérebro.

Quanto exercício é necessário?

como envelhecer com saúde
(Crédito: Matheus Protzen/ Unsplash)

A OMS recomenda que adultos pratiquem de 150 a 300 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa ou uma combinação equivalente das duas intensidades, respeitando as condições de saúde e a capacidade individual. 

Isso pode incluir caminhadas em ritmo acelerado, andar de bicicleta, dançar ou praticar outras atividades que elevem a frequência cardíaca. 

Também é importante incluir exercícios de fortalecimento muscular.

Quem está sedentário pode começar gradualmente, com períodos curtos de movimento, e aumentar a duração e a frequência conforme a adaptação. Em caso de doenças crônicas, limitações de mobilidade ou dúvidas sobre a prática segura, vale buscar orientação de um profissional de saúde.

O exercício preserva o cérebro?

beneficios da atividade fisica para o cérebro
(Crédito: Dane Wetton/ Unsplash)

Apesar dos resultados promissores, existe uma limitação importante: os estudos reunidos na revisão são observacionais. Isso significa que eles identificam associações, mas não comprovam que a atividade física seja a causa direta do maior volume cerebral.

Também é possível, por exemplo, que pessoas com melhor saúde cerebral tenham mais facilidade para permanecer fisicamente ativas. Para investigar essa questão, os pesquisadores estão preparando uma nova revisão focada em estudos de intervenção, que acompanham idosos participantes de programas estruturados de exercícios.

A principal mensagem é que movimentar o corpo regularmente está associado a uma melhor preservação da estrutura cerebral durante o envelhecimento. A atividade física não garante a prevenção do Alzheimer ou de outras formas de demência, mas faz parte de um conjunto de hábitos que favorecem a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos.

Referências: reportagem “Idosos mais ativos têm volume cerebral preservado em áreas de memória e raciocínio, mostra estudo”, de Fernanda Bassette, para Agência FAPESP; artigo “Physical Activity and the Volume of Different Brain Regions and Structures in Older Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis”,publicado no Journal of Aging and Physical Activity, DOI: https://doi.org/10.1123/japa.2025-0053.

Para mexer o corpo:

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