Agência atualizou regras após identificar possível risco de danos ao fígado ligado ao consumo de altas doses da substância
A Anvisa atualizou as regras para suplementos alimentares com cúrcuma e passou a estabelecer limites máximos de consumo da substância. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (22) e vale para produtos com curcumina e tetraidrocurcuminoides, bioativos derivados da raiz conhecida como açafrão-da-terra ou cúrcuma.
A decisão foi motivada pela identificação de possível risco de danos ao fígado associados ao uso desses produtos, especialmente em altas doses ou em formulações que aumentam a absorção. Com isso, a agência também passou a exigir alertas nos rótulos e orientações mais claras ao consumidor.
O que mudou com a nova regra

A atualização define quantidades seguras para o consumo diário de curcuminoides em suplementos.
Os suplementos passam a ter limites máximos diários de até 130 mg de curcumina ou 120 mg de tetraidrocurcuminoides.
Os limites de consumo da curcumina devem ser calculados pela soma de seus três principais componentes (curcumina, desmetoxicurcumina e bisdesmetoxicurcumina).
Já o tetraidrocurcuminoides entra agora na lista de ingredientes permitidos, porém com restrição de mistura desse novo componente com o extrato natural da planta no mesmo produto para evitar sobrecarga ao organismo.
Outra mudança importante é a obrigatoriedade de avisos nos rótulos, alertando sobre possíveis riscos ao fígado e recomendando cautela para alguns grupos.
Gestantes, lactantes, crianças e pessoas com problemas hepáticos, biliares ou com úlceras gástricas não devem fazer uso desse tipo de suplemento. Pessoas com enfermidades ou em tratamento com medicamentos devem consultar um médico antes do consumo.
Benefícios da cúrcuma e riscos

A cúrcuma é amplamente estudada por ser associada a efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, atribuídos principalmente à curcumina. Apesar disso, as evidências clínicas ainda são limitadas ou inconsistentes para muitos dos benefícios atribuídos.
De qualquer forma, o uso em forma de suplemento, especialmente em doses elevadas, não é isento de riscos. Avaliações internacionais identificaram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides.
Esse risco está associado especialmente a produtos com tecnologias que aumentam a absorção da curcumina, elevando sua concentração no organismo.
Já o uso culinário da cúrcuma, como tempero, continua sendo considerado seguro.
Como usar a cúrcuma com segurança
O primeiro ponto é diferenciar o alimento do suplemento. O uso da cúrcuma na alimentação cotidiana e em pequenas quantidades é considerado seguro.
Para suplementos, a recomendação é:
- respeitar as doses indicadas no rótulo
- evitar o uso prolongado sem orientação profissional
- não combinar diferentes produtos com cúrcuma
Pessoas com doenças no fígado, vesícula ou que usam medicamentos contínuos devem buscar orientação antes de consumir. Além disso, é importante ficar atento a sinais como cansaço intenso, pele amarelada ou urina escura, que podem indicar problemas hepáticos.
Em resumo, a cúrcuma pode fazer parte de uma rotina saudável, mas o uso concentrado exige cautela e, agora, passa a ser mais controlado pelas autoridades sanitárias.
Este texto contém informações do National Center for Complementary and Integrative Health sobre a cúrcuma, do artigo “Turmeric benefits: A look at the evidence” da Harvard Health Publishing e da Instrução Normativa nº 438/2026 da Anvisa.

