Alimentação 30 de junho, 2016 • Por admin

Terapias aquáticas

Chegou o verão e, com ele, a cobrança de estar bonita e em forma. (Porque se existe estação do ano em que não se pode fazer feio, ah, é essa que acaba de começar). Mas, vamos combinar, calor e malhação são duas coisas incongruentes. Com os termômetros lá nas alturas, tudo o que se quer é um bom mergulho. Então aí é que está o segredo do sucesso do seu projeto-verão. Use e abuse dos benefícios das terapias aquáticas, boa pedida tanto para se exercitar quanto para relaxar.

Praticadas dentro de piscinas, as hidroterapias e atividades corporais na água se difundiram muito no Brasil nos últimos anos. Uma das razões para essa popularidade é a evolução técnica dos profissionais. “Muitas técnicas já existiam, mas não eram conhecidas aqui. Há dez anos, houve um boom de fisioterapeutas que iam para fora do país aprender adaptações de terapias praticadas na terra para a água. Hoje, já podemos dizer que o nível dos profissionais brasileiros superou o dos estrangeiros”, acredita Marcelo Roque, fisioterapeuta e diretor da AquaBrasil, empresa que oferece cursos de formação para instrutor das mais diferentes terapias e atividades na água.

Terapia corporal aquática é diferente de hidroterapia. Os trabalhos corporais aquáticos buscam a melhora da qualidade de vida. Já hidroterapia é reabilitação.

E, para quem pensa que a opção de se exercitar na água tem apenas o benefício de aplacar o calor, aqui vai uma informação valiosa. “Quando se está dentro d’água, a pressão hidrostática facilita o retorno venoso, faz com que o sangue retorne mais rápido para o coração, que acaba sendo menos exigido. Isso traz uma série de benefícios ao corpo”, afirma Alexandre Barbosa, coordenador de atividades aquáticas da rede de academias A!Body Tech, no Rio de Janeiro.

Hidroterapia X atividade corporal aquática

Hidroginástica, Hidro Power, Hidro Relax, Watsu, Water Dance, Hidro Jump, Jahara, Hidroterapia, Aquadinamic, Hidrocinesioterapia, Shantágua, Renascimento, Water Pilates, Hidrocapoeira… Diante de tantas opções de exercícios, terapias e atividades na água, é preciso definir o que se está procurando. O objetivo é fortalecer músculos e melhorar o condicionamento físico, ou relaxar? Ou o que está em jogo é recuperar movimentos perdidos depois de um acidente?

Uma das funções mais importantes do trabalho fisioterápico dentro da água é a reabilitação. Quando a atividade está voltada para esse objetivo, recebe o nome de hidroterapia. “Terapia corporal aquática é diferente de hidroterapia. Os trabalhos corporais aquáticos buscam a melhora da qualidade de vida. Já hidroterapia é reabilitação, onde são feitos trabalhos para a coluna, ou voltado para pessoas com danos cerebrais, crianças com síndromes. Na água, a reabilitação não só é mais rápida, como mais lúdica e prazerosa, o que faz diferença para quem precisa se dedicar a uma recuperação. Além de ter menos contra-indicação”, frisa o diretor da AquaBrasil.

Os únicos profissionais aptos a realizar hidroterapias são os fisioterapeutas. Já as terapias corporais aquáticas podem contar com terapeutas de outras áreas, como professores de educação física e massagistas.

Para exercitar

Na academia A!Body Tech, a variedade de atividades que aproveitam a resistência da água para exigir mais força nos movimentos é grande. No Hidro Tae Box, por exemplo, a maior dificuldade em realizar os chutes e socos dentro da piscina proporciona um consumo de calorias maior. No Hidro Jump, o alto gasto calórico é justamente o diferencial. É uma atividade coletiva coreografada, que tem como característica o treinamento cardiovascular e o muscular de baixíssimo impacto – por isso é indicada principalmente a alunos que tenham lesões nos tornozelos, joelhos e coluna.

Se você procura resultados rápidos de aumento da resistência muscular e de perda de peso, o Hidro Power talvez seja uma ótima opção. Mas, atenção! É indicado para pessoas que já possuem um bom condicionamento físico e coordenação motora. Alguns movimentos utilizando equipamentos são de alto grau de dificuldade de execução. “O Hidro Power surgiu como uma evolução da hidroginástica, para alunos que queriam uma aula mais dinâmica e intensa. Usamos caneleiras de 3 quilos, o aquafin, que é um equipamento que parece um morcego e que cria muita resistência na água, e alguns aparatos flutuantes. É para um público avançado, de condicionamento razoável a bom, ou para quem já teve bem condicionado e está querendo retomar”, explica Alexandre Barbosa. Com duração de 50 minutos, é possível gastar 500 calorias na aula de Hidro Power.

Navegando nesse mesmo barco das piscinas, o pilates e até mesmo a capoeira já ganharam versão aquática. Desse modo, é possível se praticar uma atividade física refrescante, sem se sentir um peixe fora d’água. “Eu sou fanático por hidrocapoeira e por isso me empenho tanto em divulgá-la. O interessante é que os movimentos são arredondados, diferentemente da hidroginástica, que é meio robótica”, compara Marcelo Roque. “Entre capoeiristas não faz muito sucesso. Mas, no Spa Maria Bonita, no Estado do Rio de Janeiro, um professor de capoeira implantou a modalidade com alunos obesos e surtiu um resultado maravilhoso”, afirma.

Quanto ao pilates, para quem busca o ganho de tônus muscular que a prática original oferece, sua versão na água talvez não seja a melhor opção. “O princípio é o mesmo. O abdômen é bastante trabalhado e traz uma melhora da postura. Mas não é tão milagroso para a definição dos músculos quanto o de solo”, revela.

Para relaxar

Se o negócio é dar um fim ao estresse e jogar a ansiedade para escanteio, uma piscina aquecida e um bom terapeuta podem fazer milagres. Considerado o primeiro trabalho corporal aquático e um dos mais populares, o watsu (junção de shiatsu com water), por exemplo, trabalha massagem, alongamento e pressão em determinados pontos, propiciando a harmonização do fluxo de energia corporal.

No Espaço Integração, em São Paulo, as sessões de watsu são oferecidas em piscina a 35°C, com movimentos suaves e um ritmo próprio, similar ao Tai Chi. Pode ser usado tanto para reabilitar pacientes quanto para quem deseja transcender e aumentar o nível de consciência corporal, segundo o diretor do Espaço Integração, Maurício Bastos.

Oferecidas pela A!Body Tech, as sessões de jahara também são feitas com a água da piscina aquecida a 34, 35°C. A terapia em geral é individualizada, mas há opção de sessões com grupos de três, para incentivar a socialização. Agora, crianças também podem usufruir da técnica. “O foco do trabalho é a postura e o relaxamento. É indicado para crianças ansiosas, com problemas de sono e concentração”, explica Alexandre Barbosa. A sessão dura de 30 a 40 minutos e, apesar não exigir do cliente uma boa queima de calorias, pode ajudar a emagrecer. “Quem está estressado às vezes compensa na alimentação. O jahara faz com que a pessoa coma menos, porque diminui a ansiedade”, finaliza.

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