Alimentação 30 de junho, 2016 • Por admin

Fibromialgia

De vez em quando, todo mundo sente alguma dor. Seja por aquela maldita mania de ficar praticamente dobrada ao meio na frente do computador, pelo desconforto de uma gripe tão típica dessa época do ano ou até pelo cansaço de trazer para casa as intermináveis compras do supermercado. Nada, porém, que um bom banho, uma noite de sono bem dormida, um pouquinho de carinho e um simples analgésico não cure. No entanto, quando a sensação de dor é constante, é sinal de que algo está errado e que, provavelmente, há uma causa médica que precisa ser diagnosticada e tratada. Mas quando o problema não é descoberto, o desconforto abre alas para uma terrível angústia, multiplicando o problema e o sofrimento. Isso é o que ocorre com a maioria das pessoas que sofrem com a fibromialgia, uma síndrome que atinge principalmente mulheres entre 30 e 60 anos, difícil de ser diagnosticada e dolorosa para a mente e para o corpo.

A fibromialgia é uma forma de reumatismo que se torna ainda mais intensa, já que aumenta a sensibilidade do paciente à dor. Acredita-se que cerca de 3% da população mundial tenha o problema, que é mais freqüente em mulheres, representando mais ou menos 80% dos casos. Embora ela não traga seqüelas como deformidades físicas, a síndrome pode prejudicar seriamente a qualidade de vida de quem a desenvolve. “Minha vida parou por oito meses, até que eu conseguisse descobrir o que estava acontecendo. Deixei de trabalhar, sentia dores terríveis até para andar do quarto ao banheiro. A sensação é de que o corpo está inteiro doente”, conta a advogada Helena Figueiras, que descobriu que tinha fibromialgia há cinco anos. “O primeiro sintoma da doença e o principal deles é a dor. Ela varia de moderada a severa, em geral, começa na região dos ombros e do pescoço e depois se torna generalizada, se concentrando na segunda costela, cotovelos, nádegas, quadril e joelho”, explica a reumatologista Evelin Goldenberg, especialista no assunto. Além da dor que não passa, a maioria dos pacientes se queixa de fadiga, dor de cabeça, distúrbios do sono, sensação de formigamento nos pés e nas mãos, prisão de ventre ou diarréia, palpitação, boca e olhos secos e até perda de memória. Por isso, consequentemente, a fibromialgia também abala profundamente o lado emocional do doente.

Como se não bastasse, na maior parte dos casos, o paciente também se vê obrigado a passar por uma verdadeira via crúcis, percorrida com uma bolsa cheia de radiografias e outros exames a tiracolo. Isso acontece em função da enorme dificuldade que existe em detectar a doença com precisão. “O que muitas vezes frustra os pacientes é que eles vão ao médico, fazem vários exames no corpo todo e não encontram nada. Muitos acreditam que estão loucos, o que só faz aumentar a depressão e as dores”, comenta a Dra. Evelin. Para se ter um diagnóstico exato é preciso fazer um exame detalhado e contar com a ajuda de um profissional que conheça bem o problema, para combinar estes resultados com o histórico e os sintomas de cada paciente.

Os fatores que podem favorecer as crises de fibromialgia são os mais diversos e vão desde um simples resfriado até traumas emocionais como um acidente de carro. Recentemente, muitos estudos têm pesquisado o papel de alguns hormônios nas manifestações de dor, nas alterações de sono e de humor e as suas relações com a fibromialgia. Essas pesquisas podem resultar num melhor entendimento da doença, que até bem pouco tempo não era levada muito a sério. “Na maioria das vezes, acreditava-se que os problemas emocionais eram os fatores determinantes do quadro. Ou então era diagnosticada a fibrosite, por se achar que houvesse um processo inflamatório muscular”, conta a Dra. Evelin.

Por enquanto, o tratamento da fibromialgia é feito combinando medicamentos com fisioterapia, técnicas de relaxamento, apoio psicológico e acupuntura. “Esse tipo de terapia vem sido muito utilizada no tratamento de síndromes dolorosas, porque diminui consideravelmente a dor e a ansiedade”, acrescenta a Dra. Evelin. Apesar desse interesse crescente, a fibromialgia ainda é um mistério para muitos reumatologistas. Por isso, se aquela dorzinha insistir em ficar no corpo por um longo período, o melhor é procurar um profissional com bastante experiência clínica o quanto antes. Assim, o problema pode ser controlado sem maiores sofrimentos e o bem-estar da cabeça e do corpo mantidos.

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