Seu refluxo e azia tendem a piorar no inverno: médico dá explicação para isso

por | ago 12, 2020 | Saúde

Caracterizado pelo ácido gástrico presente no estômago subindo até o esôfago, na região do pescoço, o refluxo é um problema muito comum – e, segundo especialistas, episódios dele tendem a ser mais comuns no inverno, algo que tem relação com os hábitos alimentares das pessoas em épocas mais frias.

Refluxo piora no inverno: por quê?

Enquanto para alguns o refluxo é apenas um desconforto ocasional, para outras pessoas o problema se apresenta de forma mais intensa, podendo prejudicar desde os dentes até os pulmões dependendo do quão longe os fluidos estomacais chegam ao subir para o esôfago. E tudo isso, de acordo com o médico Eduardo Grecco, aumenta no frio.

De acordo com o especialista, que é gastrocirurgião e endoscopista do Instituto EndoVitta, o refluxo tem, entre suas causas, uma alimentação ruim e hábitos que mecanicamente facilitam a subida do suco gástrico para o esôfago – e estes fatores costumam ser ainda mais comuns em épocas de frio como o inverno.

“No inverno, temos o hábito de consumir alimentos mais quentes, mais gordurosos e em maior quantidade. Além disso, ficamos mais deitados e em casa devido às baixas temperaturas”, afirma o médico, explicando que estes alimentos são mais difíceis de digerir e, junto de outras coisas, como bebidas alcoólicas, aumentam a produção do suco gástrico.

“Para a quebra de moléculas de gordura, existe a necessidade de maior secreção de suco gástrico, consequentemente causando maior irritabilidade do sistema digestivo”, esclarece o médico.

Os sintomas podem se intensificar ainda mais se, além do frio, outros fatores estiverem presentes, como ansiedade, compulsividade e estresse. “Com isso, pode haver aumento no consumo de alimentos mais calóricos e gordurosos, de bebida alcoólica, além do sedentarismo. O estresse estimula muito o sistema nervoso central e, consequentemente, a produção do suco gástrico, que irrita o estômago”, pontua Grecco.

Como amenizar o problema

Segundo o médico, algumas mudanças na rotina podem ser úteis para quem está apresentando a azia característica do refluxo e sentindo o líquido estomacal constantemente subir ao esôfago. “É possível elevar a cabeceira da cama, evitar refeições em grandes volumes antes de dormir, fazer refeições fracionadas e evitar alimentos cítricos, gasosos, cafeína, tabagismo, consumo de álcool e consumo de líquido durante as refeições”, afirma.

Se estas medidas não ajudarem e se outros sintomas mais graves aparecem (como dor intensa no peito, doenças pulmonares de repetição, dor ou entupimento nos ouvidos e dores de dente), é preciso buscar um especialista para avaliar as possíveis complicações do refluxo no corpo, bem como indicar o tratamento mais adequado.

De acordo com Grecco, dependendo do nível do problema, o paciente pode ser orientado a usar medicações específicas ou a fazer um procedimento cirúrgico.

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