Saúde 31 de março, 2026 Por Rebeca Tosta

Tabagismo não afeta só pulmão e coração: hábito também está ligado à depressão

Cigarro interfere no humor e pode agravar ou desencadear quadros depressivos

Quando pensamos nos efeitos do cigarro para a saúde, de imediato, associamos a problemas nos pulmões e no coração. No entanto, uma pesquisa recente mostra que o tabagismo tem uma relação direta com a depressão.

Feito na Alemanha, o estudo avaliou mais de 170 mil participantes. Com idades entre 19 e 72 anos, eles foram divididos entre não fumantes, ex-fumantes e fumantes ativos. Ao final da pesquisa chegou-se à conclusão de que existe uma relação direta entre a quantidade de cigarros consumidos diariamente e a gravidade dos sintomas depressivos. Entenda.

Qual a relação do tabagismo com a depressão?

(Crédito: rawpixel.com/freepik)

De maneira geral, cada cigarro adicional por dia aumentava 0,05 na escala de sintomas depressivos. Além disso, quanto mais tarde a pessoa começa a fumar, mais tarde tende a surgir o primeiro episódio depressivo. Portanto, a cada ano de atraso no início do tabagismo, o aparecimento da depressão ocorre, em média, 0,24 anos depois.

A explicação está na ação da nicotina no cérebro. Com o passar dos anos, os fumantes podem sofrer alteração nos níveis cerebrais de serotonina, hormônio regulador das emoções que se reduz justamente nos casos de depressão.

Inicialmente, a nicotina até causa uma liberação de dopamina, criando uma sensação passageira de bem-estar. No entanto, esse mecanismo se desgasta e contribui para desregular o humor ao longo do tempo.

Além disso, o tabagismo costuma se intensificar em um quadro depressivo na intenção de aliviar os sintomas. Nesses casos, então, risco de doenças cardiovasculares chega a dobrar. Ou seja, o cigarro pode aliviar momentaneamente a tristeza, mas contribui para aprofundá-la a longo prazo. O cigarro tem ainda uma relação íntima com esquizofrenia, TDAH e abuso de outras substâncias, por exemplo.

E se eu parar de fumar?

No entanto, não basta parar de fumar para que o risco da depressão desapareça. Na verdade, ele é elevado em fumantes ativos e ex-fumantes recentes, com diferenças especialmente acentuadas na faixa etária entre 40 e 59 anos.

Quanto maior o tempo de abstinência, contudo, maior tende a ser o intervalo sem episódios depressivos. O cérebro vai se recuperando e os benefícios para a saúde mental crescem.

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