Saúde 18 de março, 2026 Por Gabriela Brito

Nova estratégia contra vírus que quase ninguém conhece pode marcar nova fase na saúde pulmonar no Brasil

Vacina bebês

Ministério da Saúde adotou vacina e imunizante contra o Vírus Sincicial Respiratório, que pode causar bronquiolite e pneumonia, especialmente em bebês

Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O nome é estranho, mas junto dele podem vir infecções respiratórias bem conhecidas, como a bronquiolite e a pneumonia. Bebês e crianças pequenas podem ser gravemente afetadas, e consequências ao sistema pulmonar podem ocorrer a longo prazo.

Mas o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma vacina e um imunizante que podem marcar uma nova fase na saúde pulmonar brasileira quando o assunto é VSR.

Proteção contra o VSR

Nova estratégia contra vírus respiratório pode marcar nova fase na saúde pulmonar no Brasil
(Crédito: freepik/ Freepik)

O VSR pode causar infecções em pessoas de todas as idades, mas principalmente bebês com menos de 6 meses de idade apresentam maior risco para formas graves da doença. Além disso, o vírus pode contribuir para quadros como o de asma ao longo da vida.

É um vírus altamente contagioso, tanto que, até os dois anos, praticamente todas as crianças já terão tido contato com o vírus. 

Desde dezembro de 2025, todas as gestantes têm direito a receber uma vacina contra o vírus: a vacina vírus sincicial respiratório A e B (recombinante).

Já em fevereiro de 2026, o SUS também passou a ofertar a todos os recém-nascidos prematuros e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas um imunizante que garante proteção praticamente imediata contra o VSR: o nirsevimabe.  

É uma estratégia combinada para garantir que as crianças já estejam protegidas contra o vírus em um possível primeiro contato com ele, evitando o desenvolvimento de infecções respiratórias. 

“Eu diria que estamos vivenciando um momento histórico em termos de saúde pública quando a gente fala em infecção em pequenos”, celebrou a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, em evento da Sanofi sobre o imunizante nirsevimabe.

“O impacto hospitalar, a qualidade de vida das crianças – e dos adultos que vão se transformar -, com certeza vai ser diferente. A gente vai olhar [a questão da saúde pulmonar] diferente daqui pra frente”, concordou  a pneumologista Ângela Honda, diretora executiva da Fundação ProAr.

Vacina para gestantes

Vacina grávidas
(Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Destinada a gestantes a partir da 28ª semana, a vacina contra o VSR em grávidas funciona por meio da imunização passiva: a mãe produz anticorpos e transfere para o bebê por meio do cordão umbilical.

Desta forma, o bebê já nasce protegido contra o vírus. A proteção é temporária, mas altamente eficaz na fase em que a criança pode ser mais prejudicada.

Imunizante para bebês

Saúde bebês
(Crédito: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde)

A vacina das gestantes é indicada no terceiro trimestre, quando a transferência de anticorpos da mãe para o bebê é mais eficiente. Com isso, crianças prematuras poderiam acabar desprotegidas.

É para solucionar esse problema que o imunizante nirsevimabe foi incorporado ao SUS. Ele é destinado a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.

Diferentemente da vacina tradicional, o nirsevimabe é um anticorpo pronto que atua logo após a administração.

Bebês a termo, que não são prematuros, também podem receber o imunizante pelo sistema privado de saúde. 

Os resultados da nova estratégia no Brasil poderão começar a ser avaliados após a temporada de VSR de 2026, que já começou. O sucesso vai depender também da adesão dos brasileiros à vacina e ao imunizante.

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