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Já ouviu falar em Tartrazina? Corante amarelo pode causar danos à saúde

Publicado 16 Mar 2020 – 09:23 AM EDT | Atualizado 16 Mar 2020 – 09:30 AM EDT
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Corantes são substâncias naturais ou artificiais amplamente usadas na indústria alimentícia para transformar ou intensificar a coloração dos alimentos - e, apesar de eles serem utilizados com base nas condições estipuladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um deles, conhecido como tartrazina, ainda gera debates relacionados à sua segurança.

Tartrazina: o que é e quais seus riscos?

De acordo com o nutricionista Carlos Basualdo, da Clínica Mais, a tartrazina é um dos tipos mais usados de corante artificial e, com sua coloração amarelo-vivo, ele aparece em doces, bebidas energéticas, sucos artificiais e até em medicamentos (como a dipirona em gotas), sendo identificado pela Anvisa com o código E102.

Ainda que esteja na lista dos corantes que podem - seguindo critérios de quantidade e usos estipulados pela Anvisa - aparecer tanto em alimentos quanto em cosméticos e medicamentos, a tartrazina gera discussões há décadas, tudo graças a estudos que estabelecem uma relação entre ela e o desenvolvimento de alergias severas.

Esse tipo de pesquisa teve início nos Estados Unidos e na Europa na década de 1970, mas, no Brasil, os efeitos da tartrazina também são investigados há anos, e um exemplo disso é o estudo intitulado “Avaliação clínico-laboratorial do uso da tartrazina em pacientes atópicos”, divulgado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Levando em consideração inúmeros casos de alergia à tartrazina documentados por outros estudos, a pesquisa testou o potencial alergênico do corante e constatou que, de fato, alguns sintomas podem ser relacionados à substância, como angioedema (inchaço indolor), congestão nasal, rinorreia (nariz escorrendo), coceira e urticária.

O que diz a Anvisa

Com base em dados da Gerência de Medicamentos Novos, Pesquisa e Ensaios Clínicos (GEPEC) e do Programa de Validação de Processos de Registro de Medicamentos (Programa Z), em 2002, a Anvisa publicou uma resolução afirmando que todo medicamento com tartrazina deve trazer no rótulo um alerta destacando a presença da substância na composição.

Desde então, os fabricantes destes produtos tiveram de se adequar à norma de trazer na embalagem os dizeres: “Este produto contém o corante amarelo de TARTRAZINA que pode causar reações de natureza alérgica entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao Ácido Acetil Salicílico”. Nos alimentos, porém, as coisas funcionam de forma diferente.

No mesmo ano, a própria Anvisa colocou em pauta uma possível mudança nas regras de identificação deste corante na embalagem de alimentos, mas, após consultas públicas e debates, a conclusão foi a de que os estudos existentes não comprovavam um potencial alergênico como, por exemplo, o do glúten (cuja presença em alimentos requer um alerta específico no rótulo).

Ainda assim, houve uma mudança e, desde 2002, ficou estabelecido que alimentos com este corante na composição devem trazer seu nome por extenso na lista de ingredientes em vez de apenas seu código (E102) para que pessoas sensíveis à substância possam ter mais facilidade ao identificá-lo e, desta forma, evitar seu consumo.

Legislação estrangeira é diferente

Fora do Brasil, porém, isso funciona de maneira diferente. As pesquisas sobre a tartrazina começaram nos Estados Unidos e na Europa na década de 1970, quando foi estabelecida uma relação entre a substância e reações como asma, rinite, náusea, urticária, eczema e dor de cabeça - e, ainda que a incidência seja baixa, órgãos de saúde norte-americanos estipularam algumas normas específicas para produtos que trazem este corante.

Na década de 1980, foi estabelecido pelo órgão estadunidense de regulação sobre alimentos e medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), que todos os produtos - tanto remédios quanto comidas - com tartrazina na composição deveriam trazer o nome da substância no rótulo em vez de seu código para que pessoas alérgicas a identificassem mais facilmente. Em 2001, as diretrizes se tornaram ainda mais rígidas.

Corantes são perigosos?

Já que no Brasil ainda não é obrigatório destacar a presença da tartrazina em produtos alimentícios, é muito importante ficar atento aos rótulos.

Além de observar os componentes do alimento, é preciso avaliar as reações. Em geral, a alergia a corantes se manifesta com sintomas gastrointestinais ou típicos de processos alérgicos, como coceira e reações na pele - e, sob a suspeita de haver uma relação entre os sintomas e os corantes, é necessário consultar um alergista.

Em geral, porém, ele afirma que, quanto mais naturais os alimentos, melhor. Uma alternativa é a busca por produtos com corantes naturais - que são mais seguros para a saúde e já são a opção de muitas marcas no mercado. Derivados de alimentos e outras substâncias, eles aparecem em uma série de colorações e, para substituir o amarelo da tartrazina, há aqueles fabricados com cúrcuma ou páprica.

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