Ser superflexível é uma característica natural e genética dos hipermóveis, cujas articulações vão além do limite habitual
Colocar a mão no chão com as pernas esticadas pode ser um desafio para muita gente, mas não para os hipermóveis.
A chamada hipermobilidade articular é a capacidade que algumas pessoas têm de movimentar as articulações além do limite habitual de forma natural. Nada de treino: é algo genético, uma capacidade que já nasce com o indivíduo.
Entenda a hipermobilidade

A reumatologista Licia Mota, diretora científica da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que algumas pessoas já nascem com uma maior elasticidade e conseguem fazer movimentos mais amplos que a média da população.
Não é necessariamente um problema, mas o diagnóstico é importante porque, dependendo de outros sintomas associados, pode acender o alerta para algumas síndromes.
As principais causas da hipermobilidade são fatores genéticos e uma alteração na qualidade do colágeno, que é a proteína que dá sustentação aos tecidos e está presente em todo o corpo.
Diagnóstico é clínico
“Nós utilizamos critérios específicos. Existe uma escala para avaliar a amplitude dos movimentos: Beighton score”, conta a especialista.
Essa escala é usada para medir a hipermobilidade das articulações. O teste é bem simples: 9 pontos do corpo são avaliados e, para cada articulação com maior amplitude, a pessoa soma 1 ponto.
Dedo mindinho da mão: até 2 pontos

Os dois dedos mindinhos da mão são avaliados.
Com o braço e a palma apoiados em uma superfície plana, esse dedo deve ser esticado ao máximo. Com a ajuda do indicador da outra mão, pressione-o para trás.
Se criar um ângulo maior de 90º, caracteriza uma hiperextensão e 1 ponto para cada dedo.
Dedão no braço: até 2 pontos

Novamente, os dois dedões devem ser considerados.
Com o braço esticado e a palma da mão para baixo, tente aproximar o dedão do braço com ajuda da outra mão. Há quem consiga tocar no braço.
É somado 1 ponto para cada dedão com essa amplitude de movimento.
Braço esticado: até 2 pontos

Estique completamente os braços com a palma da mão virada para cima.
Algumas pessoas hipermóveis apresentam hiperextensão do cotovelo além do alinhamento normal do braço.
No escore de Beighton, considera-se positivo quando a hiperextensão do cotovelo é maior que 10°.
Novamente, 1 ponto para cada braço.
Joelhos esticados: até 2 pontos

Esse teste é bem simples, basta ficar em pé com as pernas completamente esticadas.
Algumas pessoas com hipermobilidade acabam deixando o joelho “para trás” ao fazer isso.
A perna não fica completamente reta, é como se formasse uma curva na região do joelho.
Aqui vale de novo 1 ponto para cada perna.
Mão no chão: até 1 ponto

Consegue colocar a mão no chão com as pernas esticadas? Então mais 1 ponto.
Resultado:
- Crianças antes da puberdade
• 6 pontos ou mais é positivo - Da puberdade até 50 anos
• 5 pontos ou mais é positivo - 50 anos ou mais
• 4 pontos ou mais é positivo
A pontuação muda de acordo com a idade porque, com o passar dos anos, a pessoa tende a ficar menos flexível.
Apesar dessa escala ser usada no diagnóstico, o especialista pode eventualmente considerar outros pontos e características também.
Inclusive, a hipermobilidade pode ser localizada ou generalizada. A amplitude dos movimentos também varia de pessoa para pessoa.
Sinais de alerta

Como dito anteriormente, a hipermobilidade por si só não é um problema. Mas ela pode vir acompanhada de:
- • dores articulares recorrentes
- • entorses frequentes
- • fadiga
- • luxações ou subluxações recorrentes
- • quadro de dor crônica semelhante ao de fibromialgia
- • problemas gastrointestinais
- • taquicardia postural
- • histórico familiar de aneurisma ou alterações vasculares
- • entre outros
Isso acontece porque a hipermobilidade pode ser sintoma de algumas síndromes, como os transtornos do espectro da hipermobilidade e a Síndrome de Ehlers-Danlos.
E apesar de não haver cura para a condição, há como o paciente tratar os sintomas e conseguir uma melhor qualidade de vida.
O reumatologista é a principal referência para casos como esses.
