Saúde 23 de fevereiro, 2026 Por Gabriela Brito

Como saber se sou hipermóvel? 9 pontos desta escala são valiosos para o diagnóstico

Alongamento

Ser superflexível é uma característica natural e genética dos hipermóveis, cujas articulações vão além do limite habitual

Colocar a mão no chão com as pernas esticadas pode ser um desafio para muita gente, mas não para os hipermóveis.

A chamada hipermobilidade articular é a capacidade que algumas pessoas têm de movimentar as articulações além do limite habitual de forma natural. Nada de treino: é algo genético, uma capacidade que já nasce com o indivíduo.

Entenda a hipermobilidade

hipermobilidade
(Crédito: cookie_studio/ Freepik)

A reumatologista Licia Mota, diretora científica da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que algumas pessoas já nascem com uma maior elasticidade e conseguem fazer movimentos mais amplos que a média da população. 

Não é necessariamente um problema, mas o diagnóstico é importante porque, dependendo de outros sintomas associados, pode acender o alerta para algumas síndromes.

As principais causas da hipermobilidade são fatores genéticos e uma alteração na qualidade do colágeno, que é a proteína que dá sustentação aos tecidos e está presente em todo o corpo.

Diagnóstico é clínico

“Nós utilizamos critérios específicos. Existe uma escala para avaliar a amplitude dos movimentos: Beighton score”, conta a especialista.

Essa escala é usada para medir a hipermobilidade das articulações. O teste é bem simples: 9 pontos do corpo são avaliados e, para cada articulação com maior amplitude, a pessoa soma 1 ponto. 

Dedo mindinho da mão: até 2 pontos

(Crédito: Gabriela Brito/ Tá Saudável)

Os dois dedos mindinhos da mão são avaliados. 

Com o braço e a palma apoiados em uma superfície plana, esse dedo deve ser esticado ao máximo. Com a ajuda do indicador da outra mão, pressione-o para trás.

Se criar um ângulo maior de 90º, caracteriza uma hiperextensão e 1 ponto para cada dedo.

Dedão no braço: até 2 pontos

Escore de Beighton
(Crédito: Gabriela Brito/ Tá Saudável)

Novamente, os dois dedões devem ser considerados.

Com o braço esticado e a palma da mão para baixo, tente aproximar o dedão do braço com ajuda da outra mão. Há quem consiga tocar no braço.

É somado 1 ponto para cada dedão com essa amplitude de movimento.

Braço esticado: até 2 pontos

Escore de Beighton
(Crédito: Gabriela Brito/ Tá Saudável)

Estique completamente os braços com a palma da mão virada para cima. 

Algumas pessoas hipermóveis apresentam hiperextensão do cotovelo além do alinhamento normal do braço.

No escore de Beighton, considera-se positivo quando a hiperextensão do cotovelo é maior que 10°.

Novamente, 1 ponto para cada braço. 

Joelhos esticados: até 2 pontos

Escore de Beighton
(Crédito: Gabriela Brito/ Tá Saudável)

Esse teste é bem simples, basta ficar em pé com as pernas completamente esticadas.

Algumas pessoas com hipermobilidade acabam deixando o joelho “para trás” ao fazer isso. 

A perna não fica completamente reta, é como se formasse uma curva na região do joelho.

Aqui vale de novo 1 ponto para cada perna.

Mão no chão: até 1 ponto

Escore de Beighton
(Crédito: Gabriela Brito/ Tá Saudável)

Consegue colocar a mão no chão com as pernas esticadas? Então mais 1 ponto.

Resultado:

  • Crianças antes da puberdade
    • 6 pontos ou mais é positivo
  • Da puberdade até 50 anos
    • 5 pontos ou mais é positivo
  • 50 anos ou mais
    • 4 pontos ou mais é positivo

A pontuação muda de acordo com a idade porque, com o passar dos anos, a pessoa tende a ficar menos flexível.

Apesar dessa escala ser usada no diagnóstico, o especialista pode eventualmente considerar outros pontos e características também.

Inclusive, a hipermobilidade pode ser localizada ou generalizada. A amplitude dos movimentos também varia de pessoa para pessoa.

Sinais de alerta

Dor no tornozelo
(Crédito: Drazen Zigic/ Freepik)

Como dito anteriormente, a hipermobilidade por si só não é um problema. Mas ela pode vir acompanhada de:

  • • dores articulares recorrentes
  • • entorses frequentes
  • • fadiga
  • • luxações ou subluxações recorrentes
  • • quadro de dor crônica semelhante ao de fibromialgia
  • • problemas gastrointestinais
  • • taquicardia postural 
  • • histórico familiar de aneurisma ou alterações vasculares
  • • entre outros

Isso acontece porque a hipermobilidade pode ser sintoma de algumas síndromes, como os transtornos do espectro da hipermobilidade e a Síndrome de Ehlers-Danlos. 

E apesar de não haver cura para a condição, há como o paciente tratar os sintomas e conseguir uma melhor qualidade de vida

O reumatologista é a principal referência para casos como esses.

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