Saúde 06 de abril, 2026 Por Redação

Estudo pode ter aberto caminho para exame de sangue capaz de detectar depressão

Exame de sangue para depressão

Pesquisadores conseguiram identificar genes alterados nos sistemas neurológico e imunológico de pessoas com depressão

Um estudo identificou genes igualmente desregulados nos sistemas neurológico e imunológico de pessoas com depressão

A descoberta pode ajudar na identificação de biomarcadores do transtorno depressivo e possibilitar, no futuro, o desenvolvimento de exames de sangue capazes de identificar o tipo e grau de depressão.

Estudo dos genes da depressão

Depressão
(Crédito: freepik/ Freepik)

Atualmente, o diagnóstico do transtorno é clínico, feito por psiquiatra ou psicólogo com base no histórico do paciente. 

O estudo de mapeamento genético foi publicado na revista Scientific Reports e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

Os pesquisadores têm identificado uma conexão grande entre os sistemas imunológico e neurológico a partir dos genes.

A depressão é um fenômeno que se espalha pelo corpo inteiro. E o sistema imune é um dos sistemas que descentralizam essa condição, espalhando-a para além do sistema nervoso central. Até por isso, não é raro que uma pessoa com depressão possa apresentar outras manifestações, como inflamações cutâneas ou perda de apetite, por exemplo”, afirma Otávio Cabral-Marques, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador da investigação.

Foram analisados os dados de mais de 3 mil amostras de sangue provenientes de bancos públicos dos Estados Unidos, da Alemanha e da França e identificados 1.383 genes alterados nas células de defesa de pacientes com transtorno depressivo maior.

Do total de genes alterados, 73 também são tradicionalmente associados à conexão entre neurônios. Desses, 18 permitem distinguir de forma consistente pacientes com depressão de indivíduos sem o transtorno.

É um estudo de ciência de dados que ainda precisa ser confirmado biologicamente, mas ele abre possibilidades interessantes para o desenvolvimento futuro de um painel para identificar genes presentes em células do sistema imune circulantes no sangue e que estão envolvidos com a depressão”, conta a pesquisadora Anny Silva Adri.

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