Botão do ônibus, barra do metrô, ao provar roupas: onde se pega Mpox?

“Prima” da varíola erradicada nos anos 80, a Mpox (também conhecida como Monkeypox ou “varíola dos macacos” foi registrada pela primeira vez em 1970 e teve alguns surtos desde então. Em 2022, ela começou a se espalhar pelo mundo de forma inédita e mais recentemente, já em 2026, fez novos casos inclusive no Brasil.

Mas, afinal, como essa doença é transmitida? É preciso deixar de experimentar roupas em lojas e temer os botões e apoios do ônibus em meio ao surto? Apesar de haver muitas recomendações sobre a Mpox nas redes sociais desde o início do surto, nem tudo precisa ser levado em conta — e, a Tá Saudável, o infectologista Eduardo Medeiros, diretor científico da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), esclarece algumas destas questões.

Como se pega Mpox?

Varíola dos macacos
Smith Collection/Gado/Gado via Getty Images

Conforme explica o infectologista Eduardo Medeiros, a Mpox tem como principal meio de transmissão as lesões causadas pela doença. As feridas, que com o desenvolvimento da infecção se tornam pústulas, contêm um líquido altamente infeccioso e, por isso, é correto dizer que qualquer cenário no qual o conteúdo das lesões chegue em quantidade às vias respiratórias é propício para transmissão.

O médico afirma ainda que a Mpox também pode ser transmitida por gotículas com conteúdo viral em espirros e tosses – mas isso tende a se concentrar na fase aguda da doença, além de ser uma forma de contágio menos expressiva, por exemplo, que no caso da Covid-19. A transmissão por aerossóis (gotículas ainda menores, que ficam suspensas no ar por períodos maiores), a princípio, não é vista como relevante.

Sendo assim, é possível dizer que a Mpox é transmitida especialmente nos seguintes cenários:

  • Convívio próximo (doméstico ou hospitalar) com uma pessoa diagnosticada com a doença;
  • Contato físico direto com uma pessoa diagnosticada com a doença (conversas longas e próximas, beijos, relações sexuais, etc);
  • Contato próximo com itens pessoais de uma pessoa diagnosticada com a doença que entraram em contato com as pústulas (como lençóis, roupas, etc);

Mpox no transporte público

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(Crédito: wirestock/Freepik)

Como a transmissão da Mpox por aerossóis não é expressiva e é preciso um contato muito próximo e prolongado entre duas pessoas para que haja contágio, o infectologista afirma que é pouco provável a ideia de pegar a doença no transporte público – especialmente no cenário atual, em que o uso de máscaras no transporte público segue obrigatório devido à pandemia de Covid-19.

Segundo o médico, o contágio por gotículas tem poucas chances de acontecer em um ambiente assim, e o uso de máscaras é capaz de reduzi-lo ainda mais. Além disso, ele lembra que a transmissão por esta via ocorre, em especial, durante a fase aguda da doença – e dificilmente uma pessoa que está nesta fase, provavelmente com febre e feridas dolorosas, estaria circulando normalmente pelo transporte público.

Outra questão que gera dúvidas é a possibilidade de se contrair Mpox após tocar no botão ou no apoio no ônibus ou no metrô e, em seguida, levar a mão à boca. Segundo o infectologista, este tipo de transmissão requer uma quantidade muito grande de vírus na superfície em questão, algo improvável de acontecer no transporte público quando se trata da Mpox.

É importante lembrar, no entanto, que tocar superfícies como estas e levar a mão à boca é algo extremamente propício para a transmissão de outras viroses e é, portanto, indicado ter cuidado com esta situação não apenas durante o surto da Mpox. O médico indica, por isso, sempre higienizar as mãos corretamente usando água e sabão ou álcool em gel.

Roupas transmitem Mpox?

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(Crédito: priscilladupreez/Unsplash)

Conforme explica o diretor científico da SPI, roupas podem transmitir a Mpox – mas isso não significa que é necessário evitar provar peças em lojas, como aconselham alguns internautas desde o início do surto da doença. De acordo com o médico, isso vale para roupas usadas por pessoas que estão na fase aguda da doença e que são manuseadas por outras.

Assim como no caso da transmissão no transporte público, o médico lembra que as chances de uma pessoa que está na fase aguda da Mpox sair de casa para provar roupas em uma loja são extremamente baixas. Sendo assim, não é preciso se preocupar com o ato de experimentar peças na hora de comprá-las, embora seja higiênica a ideia de lavá-las em casa antes de usar.

Além disso, Eduardo Medeiros frisa ainda que, no caso de roupas de fato usadas por uma pessoa diagnosticada com a doença (bem como lençóis e outros itens pessoais), é preciso ter cuidados especiais. Na hora de trocar a roupa de cama do paciente ou lavar as peças usadas por ele, é indicado não sacudi-las para não espalhar vírus no ambiente, usar máscara durante o manuseio, colocá-las diretamente na máquina de lavar e higienizar bem as mãos logo em seguida.

É possível pegar Monkeypox no sexo?

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(Crédito: Freepik)

Mesmo que órgãos de saúde e cientistas ainda estejam estudando a possibilidade de que a Mpox seja transmitida pelo sêmen ou por secreções vaginais, é, sim, possível contrair a doença no sexo – tudo por causa das lesões. Isso porque, durante uma relação sexual, as chances de alguma mucosa entrar em contato com o líquido presente nas feridas é grande, o contato é muito próximo e há intensa troca de fluidos.

É aconselhável, portanto, evitar se relacionar com pessoas que apresentem sintomas da doença e utilizar preservativos durante qualquer relação sexual, como forma de prevenção.

6 cuidados para se proteger da Mpox

Segundo o médico, a prevenção da Mpox envolve:

  • Diminuir o número de parceiros sexuais;
  • Evitar contato próximo com pessoas diagnosticadas com a doença ou que apresentam sintomas (especialmente lesões na pele);
  • Não compartilhar itens pessoais;
  • Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel frequentemente;
  • Se for necessário ter contato com uma pessoa diagnosticada com a doença, é importante se certificar de que ela está completamente vestida para isolar as lesões;
  • Usar máscaras descartáveis na presença de uma pessoa diagnosticada com a doença e ao manusear itens pessoais dela.

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