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Cortar sal e álcool para “secar”, como faz Luciana Gimenez, realmente funciona?

Segundo estudos e especialistas, álcool e sódio podem, sim, ser relacionados não somente a inchaço, mas a ganho de peso por fatores sociais.
Publicado 12 Abr 2022 – 11:48 AM EDT | Atualizado 12 Abr 2022 – 11:48 AM EDT
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- Crédito: @lucianagimenez/Instagram

Se preparando para o Carnaval, Luciana Gimenez comentou recentemente algumas mudanças que fez na alimentação para secar um pouco a tempo da folia. Segundo a apresentadora, cortar álcool e sal da dieta são duas das estratégias mais importantes adotadas por ela para reduzir medidas até o Carnaval - e, segundo a ciência, fazer isso pode, sim, ter um impacto grande no corpo (em vários sentidos).

Luciana Gimenez muda alimentação para o Carnaval


Usando a ferramenta Stories do Instagram recentemente, Luciana Gimenez compartilhou com os seguidores as mudanças alimentares que fez nas últimas semanas antes do Carnaval, que, este ano, acontecerá também fora de época em função da pandemia do Coronavírus. Conforme contou, a ideia é “secar” um pouco o corpo em preparação para a folia - e, para atingir esse objetivo, ela decidiu cortar algumas coisas da rotina alimentar.

“Vou cortar totalmente o álcool, já não sou de beber. Vou cortar o sal e tentar comer comidas frescas, sem condimentos, para estar um pouquinho mais ‘rasgada’”, comentou Luciana.

Cortar sal e álcool ajuda a “secar”?


Tanto o sal em excesso quanto o consumo de álcool realmente podem atrapalhar os objetivos de quem busca perder peso, e isso se deve a uma série de fatores. Além de razões fisiológicas, há também questões sociais que fazem com que estas duas substâncias potencializam o inchaço (e, de forma secundária, o ganho de peso).

No caso do sal, um dos maiores motivos pelos quais ele costuma ser vinculado ao inchaço corporal é o fato de que, segundo estudos, ingerir muito sódio gera sede devido à necessidade do corpo de ter mais líquido disponível para diluir o excesso da substância. Simultaneamente, porém, o volume de urina não aumenta nestas situações, gerando retenção de líquidos.

Já por um lado menos fisiológico, há também a associação entre a quantidade de sal do alimento e as calorias dele. Embora seja possível que a pessoa prepare qualquer prato com mais sal que o necessário por gosto, o nutricionista Guilherme Abieri, da clínica Nutrindo Ideias (Rio de Janeiro), explica que raramente o excesso de sódio capaz de gerar inchaço está vinculado a alimentos saudáveis.

“Geralmente, este excesso provém de alimentos processados ou industrializados, e não do micronutriente natural encontrado nos alimentos”, afirma o especialista, se referindo a alimentos que, muitas vezes, também são mais calóricos, como pizzas, hambúrgueres, entre outros. Isso, além de contribuir para a retenção de líquido, contribui ainda para o ganho de peso a longo prazo.


Enquanto isso, o álcool - que não faz bem em nenhum aspecto - prejudica a perda de peso por vários motivos. Em primeiro lugar, bebidas alcoólicas são, às vezes, consumidas em exagero sob a crença de que, por serem líquidas e nem sempre terem açúcar adicionado, elas não engordam.

O álcool (incluindo bebidas como vodca, gin, entre outras), porém, tem “calorias vazias”: ou seja, é até mais calórico que carboidratos, mas sem trazer nutrientes úteis que geram saciedade como os alimentos fazem.

Junto disso, há ainda a relação complicada do álcool com o apetite. Enquanto algumas pessoas sentem que o apetite se abre e acabam comendo mais do que o necessário (e fazendo más escolhas do ponto de vista nutricional), outras perdem totalmente a fome e ficam sem comer durante horas. Isso, segundo Abieri, desencadeia o processo de catabolização - ou seja, quebra de proteínas -, e prejudica a massa muscular.

Médica nutróloga e biohacker, Roberta Genaro explica ainda que, além destes fatores, o álcool mexe diretamente com o acúmulo de gordura localizada. “[Com o consumo] nossas vias metabólicas são todas alteradas e, entre as consequências, ocorre o favorecimento de acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal devido à ativação da secreção do cortisol, que estimula as células a guardar gordura”, afirma.

Além disso, assim como ocorre com o sal, o endocrinologista Francisco Tostes, também da clínica Nutrindo Ideias, afirma que o álcool nos faz inchar. “Por estimular maior perda urinária e prejudicar a absorção de água pela mucosa intestinal, o álcool faz com que o corpo passe a reter mais líquidos para contrabalancear a desidratação”, ressalta o especialista.

Outro fator relacionado ao álcool que o torna prejudicial para o emagrecimento é o fato de que, conforme lembra Abieri, ele influencia negativamente a rotina. “Ainda temos uma desregulação do sono e a ressaca, onde o indivíduo se encontra superdesidratado e, mais uma vez, deixa de se alimentar de forma fracionada por conta de toda essa confusão metabólica causada no dia anterior”, pontua o nutricionista.

Por fim, há ainda o aspecto social da bebedeira; conforme lembram os três especialistas, o consumo de álcool está, na maior parte das vezes, associado ao consumo de alimentos bastante calóricos e gordurosos. “Na maioria das vezes, essa fome é saciada com alimentos gordurosos e extremamente calóricos. Eu nunca vi ninguém comendo batata doce em uma mesa de bar”, afirma Abieri.

Deixar de consumir sódio pode fazer mal


Ainda que, em excesso, o sódio esteja ligado ao surgimento e à piora de diversos problemas de saúde, a substância é essencial para o corpo, conforme explica Abieri. “Ele é vital e deve ser consumido diariamente. A função dele é a de cuidar para que não percamos toda a água do corpo caso haja desidratação. Ele auxilia também na contração muscular e retém água dentro dos músculos, otimizando o treino e diminuindo a fadiga muscular”, afirma.

Para adultos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que o consumo ideal de sódio por dia fica em 2g - ou seja, 5g de sal (pouco menos de uma colher de chá).

Dietas requerem acompanhamento nutricional

Embora celebridades compartilhem um bocado de suas escolhas nutricionais visando perda de peso, o processo de emagrecimento deve ser personalizado, visando as necessidades específicas de cada paciente.

Cortar alimentos e nutrientes específicos sem o devido monitoramento dos efeitos no corpo pode fazer mal à saúde física e mental - e, conforme já comprovado pela ciência, dietas restritivas tendem a engordar.

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