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Alimentação, uma questão de educação

Publicado 30 Jun 2016 – 08:25 PM EDT | Atualizado 20 Mar 2018 – 12:57 PM EDT
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Uma maneira prática de conhecer os hábitos alimentares de uma família é vasculhar a despensa da casa e verificar os alimentos e produtos disponíveis. Legumes em abundância de tipos e cores são bons sinais. Biscoitos recheados, leite condensado, estoque de latas de óleo e refrigerantes na geladeira denunciam um estilo de vida pouco compromissado com a dieta saudável. Precisamos ficar atentos a isso, porque educação alimentar se aprende em casa.

Tanto os alimentos que costumamos comer quanto a maneira como nos alimentamos no decorrer de um dia são heranças da rotina aprendida dentro casa. Isso significa que a semelhança física - e nisso inclui-se a silhueta - entre pais e filhos vai além das características genéticas. Segundo a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, na maioria dos casos de pais obesos com filhos também muito gordos o problema é comportamental. "A influência genética existe. Quando uma criança é obesa mesmo antes de ir para a escola, com uns cinco anos, deve ser por característica genética. Mas isso ocorre numa porcentagem menor. Maior parte das vezes é uma questão de hábito mesmo", afirma.

Sabemos que a principal causa da obesidade infantil é a influência ambiental. Basta vermos que a incidência da doença vem aumentando e é muito maior em países onde o consumo de fastfood é grande e o sedentarismo, crescente, como ocorre nos EUA


Nutricionistas, endocrinologistas e profissionais da área de saúde parecem ser unânimes quanto ao fato de que os maus hábitos alimentares são determinantes na questão da obesidade. "Numa doença complexa e multifatorial como esta não devemos desconsiderar o aspecto genético. Porém, sabemos que a principal causa da obesidade infantil é a influência ambiental. Basta vermos que a incidência da doença vem aumentando e é muito maior em países onde o consumo de fastfood é grande e o sedentarismo, crescente, como ocorre nos EUA", esclarece o endocrinologista Geraldo Santana, diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia. A boa notícia, segundo Dr. Geraldo, é que por ser o fator ambiental o mais importante, ótimos resultados são alcançados quando os pais ajudam a mudar os hábitos alimentares da casa.

Alimentação, comportamento e cultura

A socióloga Hilaine Yaccoub passou pela cirurgia bariátrica. Mais conhecida como cirurgia de redução do estômago, ela é indicada para pessoas obesas com índice de massa corpórea (IMC) acima de 40, e que não conseguem perder peso pelos métodos tradicionais, ou para quem sofre de problemas de saúde relacionados à obesidade mórbida. Hilaine acabou seguindo os passos da irmã, que já havia sido submetida à mesma operação, e ficou muito satisfeita com o resultado. Não é à toa que a outra irmã de Hilaine também já tenha recebido a indicação para fazer a mesma cirurgia.

"Somos uma família de gordinhos que sempre se reuniu para comer muito. Temos descendência libanesa e tradição de fazer verdadeiros banquetes nas reuniões familiares. Se juntar para comer é a principal forma de se divertir. Isso é cultural", analisa Hilaine, que perdeu 40 quilos em um ano, trocou o manequim 52 pelo 42 e hoje se sente feliz e livre para curtir a vida. "Quando se é gordo, você não quer se movimentar, não tem coragem de dançar, por exemplo. Depois que fiz a cirurgia e emagreci, todos os meus referenciais mudaram. Você deixa de ser a gorda animada que conta piadas e passa a ser uma pessoa normal, bonita e desejada. Até o paladar muda. Hoje em dia não faço mais dietas. Como chocolate, mas em vez de uma barra, como um tablete, em vez de comer uma caixa de bombom, escolho um, tomo um picolé de frutas no lugar de duas bolas de sorvete. Antes, eu comia quantidade e agora, qualidade", compara Hilaine.

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