Transtorno da Hipermobilidade Articular é diagnosticado quando a capacidade da pessoa de movimentar as articulações além do limite vem com série de sintomas
Algumas pessoas podem naturalmente ser mais flexíveis que outras. São os chamados hipermóveis. E não é necessariamente um problema, a não ser que essa habilidade venha acompanhada de outras situações.
Quando uma pessoa muito flexível tem também dores, entorses e luxações frequentes, por exemplo, é um sinal de alerta para algumas possíveis síndromes, como o Transtorno da Hipermobilidade Articular (também chamado de Transtornos do Espectro da Hipermobilidade).
Hipermobilidade articular sintomática

A reumatologista Licia Mota, diretora científica da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica em entrevista ao Tá Saudável que os sintomas vão depender do grau da hipermobilidade.
Da mesma forma que algumas pessoas não sentem nada, outras sentem alguns sintomas e outras, muitos. A gravidade desses sintomas também varia.
De qualquer forma, a flexibilidade excessiva pode vir acompanhada de:
- • dores articulares recorrentes
- • entorses frequentes
- • sensação de articulação frouxa
- • estalos articulares
- • sensação de fadiga muscular
- • luxações ou subluxações recorrentes
- • quadro de dor difusa, que pode ser semelhante ao de fibromialgia
- • problemas gastrointestinais
- • taquicardia postural
- • desmaios
- • histórico familiar de aneurisma ou alterações vasculares
- • entre outros
Como é feito o diagnóstico

Os médicos fazem o diagnóstico da hipermobilidade ao avaliar a amplitude dos movimentos feitos pela pessoa. A partir daí, leva-se em consideração os outros sintomas e o histórico do paciente.
O ortopedista Frederico Barra, presidente do Comitê de Doenças Osteometabólicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, conta que também podem ser pedidos exames como a densitometria com composição corporal, de termografia e testes laboratoriais genéticos para ajudar a chegar ao diagnóstico correto.
Além do Transtorno da Hipermobilidade Articular, outras síndromes e desordens também apresentam a hipermobilidade como um dos sintomas, como a Síndrome de Ehler-Danlos, a Osteogênese Imperfeita ou a Síndrome de Marfan.
Reumatologistas são os especialistas mais indicados para fazer o diagnóstico, mas médicos especializados em dor, como ortopedistas e fisiatras também podem ser procurados.
O que causa?

A hipermobilidade sintomática é um problema que já vem do nascimento. A pessoa não adquire, já nasce assim, mesmo que os sintomas só surjam ou se intensifiquem ao longo da vida.
Fatores genéticos contribuem, e acredita-se que uma alteração no tecido conjuntivo e no colágeno do paciente façam com que muitos sintomas surjam.
O colágeno é a proteína que dá sustentação aos tecidos e está presente em todo o corpo: na pele, nas articulações, nos músculos, na parede intestinal… até nos vasos sanguíneos.
É por isso que uma “simples” alteração no colágeno pode causar tantos sintomas diversos e que podem afetar diferentes aspectos da vida.
Tratamento dá qualidade de vida

Justamente por ser algo genético, não há cura. Porém é possível tratar os sintomas para dar qualidade de vida e autonomia ao paciente.
O acompanhamento tende a ser multidisciplinar, com diferentes profissionais, de diferentes áreas, de acordo com as necessidades individuais de cada paciente.
Mas, de forma geral, é essencial que o paciente hipermóvel faça treinos para fortalecimento muscular e estabilidade.
O uso de medicamentos também pode ser necessário, assim como mudança de hábitos.
A flexibilidade natural tende a diminuir com a idade, mas, se a pessoa adquire lesões ao longo da vida, sem tratamento adequado o quadro pode se agravar.









