Envelhecimento natural do sistema imunológico faz com que a vacina da gripe seja essencial para quem já passou dos 60
Gripe e resfriado são infecções respiratórias comumente confundidas, mas que, na prática, são bem diferentes. O resfriado costuma acontecer de forma mais frequente e não é debilitante, já a gripe “derruba” a pessoa, especialmente as crianças e quem já passou dos 60 anos.
As pessoas com 60 anos ou mais são público-alvo da campanha anual de vacinação contra gripe justamente pelo envelhecimento do sistema imunológico que ocorre naturalmente, independentemente do estilo de vida.
Imunossenescência

“Todo mundo envelhece, dia a dia, perdendo a capacidade de ter uma resposta aos agentes infecciosos”, explica a geriatra Maisa Kairalla em entrevista ao Tá Saudável. Nós conversamos com ela e outros médicos em evento da Sanofi sobre a temporada de gripe 2026.
Por conta do envelhecimento natural, a resposta do sistema imunológico ao vírus é mais lenta, enfraquecida e confusa. E quanto mais frágil é a pessoa, quanto mais doenças crônicas ela tiver, pior é essa resposta.

Mesmo mantendo um estilo de vida saudável, a jornalista e apresentadora Silvia Poppovic, de 71 anos, sentiu na pele essa diferença pela imunossenescência.
“Tenho absoluta certeza que, se eu não tivesse me vacinado, teria sido hospitalizada um tempo atrás. Eu fiquei muito frágil, assustada, senti medo. Foi a primeira vez que eu senti que a gripe ‘pegou feio’.”
É falso que vacina causa gripe

“A vacina é de vírus morto e esquartejado. É impossível no nosso país alguém ter gripe causada pela vacina. O que existe é a cocirculação e a sazonalidade”, afirma a infectologista Rosana Richmann.
A vacina da gripe é contra os vírus influenza de subtipos A e B, mas existem mais de 200 vírus que podem causar uma infecção respiratória, alerta a especialista.
Por conta disso, nessa época de maior circulação de vírus, que é quando ocorre a campanha de vacinação, é comum as pessoas ficarem doentes.
“Às vezes, o pessoal confunde o conceito. O objetivo número um de uma vacina para qualquer vírus respiratório não é que você não tenha a doença, é que você não tenha uma doença grave, que aquele vírus não te leve para uma emergência, não te leve para uma hospitalização”, reforça Rosana.
Para se ter ideia, o Boletim InfoGripe da Fiocruz de 9 de abril destacou a prevalência dos vírus influenza A, influenza B, vírus sincicial respiratório, rinovírus e SARS-CoV-2 (Covid-19) nas quatro semanas epidemiológicas anteriores.
Este ano já foram notificados 31.768 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, sendo 13.205 (41,6%) com resultado positivo para algum vírus respiratório. A mortalidade é maior entre os idosos, principalmente associada à influenza A e à Covid-19.
O maior problema é que a gripe pode evoluir para quadros mais graves de:
- Pneumonia
- Descompensação de doenças crônicas
- Eventos cardiovasculares
A principal forma de proteção contra casos graves e óbitos pelo vírus é a vacina, que confere proteção por temporada de gripe.
Resposta à vacina

Atualmente, no Brasil, estão disponíveis as vacinas padrão trivalente ou quadrivalente e a de alta concentração.
A vacina padrão trivalente é a oferecida na rede pública na campanha de vacinação anual, para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes e pessoas a partir de 60 anos, além de grupos prioritários.
Mas como a resposta do sistema imunológico das pessoas com mais de 60 anos é mais lenta, foi desenvolvida uma vacina de alta concentração, que por enquanto está disponível apenas no serviço privado.
Enquanto a vacina padrão tem 15 microgramas de antígenos para cada subtipo de influenza, a de alta concentração tem 60 microgramas. Por esse motivo, ela é recomendada preferencialmente para todos os adultos a partir de 60 anos de idade.
Cuidado para o futuro

“Prefiro morrer antes se eu tiver que sobreviver apenas. Minha vida já foi tão maravilhosa que eu quero contar com todo apoio que puder para viver bem. Para mim, não basta sobreviver, e a vacina é uma grande aliada nesse sentido”, afirma Silvia Poppovic.
Rosana Richmann concorda ao dizer que “não adianta só querer viver mais. Nós vamos viver mais. Só que a gente precisa viver bem”.
Com as vacinas é possível evitar uma série de doenças que inflamam o organismo e geram danos que se acumulam ao longo dos anos, acrescenta Maisa Kairalla.
A também jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle, de 65 anos, conta que na infância recebeu todas as vacinas. É assim também que cria o filho, Gabriel, de 17 anos. “Meu maior orgulho é a carteirinha de vacinação dele.”
Ainda assim, ela revela que tinha até certa “ignorância” em relação às vacinas recomendadas para quem tem mais de 60:
- Influenza (gripe)
- Pneumocócicas conjugadas VPC20, VPC15 ou VPC13 e polissacarídica VPP23
- Herpes zóster (se não vacinado aos 50)
- Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche) – dTpa ou dTpa-VIP
- Dupla adulto (difteria e tétano) – dT
- Hepatite B (se não vacinado previamente)
- Febre amarela (se não vacinado previamente)
- Vírus sincicial respiratório (bronquiolite e pneumonia)
- SARS-CoV-2 (Covid-19)
“Sinceramente, eu acho muita ignorância negar a ciência que nos deu saúde para estarmos aqui. Estamos envelhecendo. A expectativa de vida do brasileiro bateu os 75 anos. Eu quero chegar nesses 75 com qualidade de vida. Eu estou cuidando da Astrid de 80, 90, 103…”, completa Astrid.
Este texto também contém informações da Sociedade Brasileira de Imunizações e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.








