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Novo dispositivo ajuda a prever risco de infarto até anos antes de acontecer: entenda como funciona

Nova tecnologia importada prevê risco cardiovascular até 48 meses antes de eventos graves como infarto e AVC, e já está disponível em hospitais

Doenças cardiovasculares como infarto e AVC são a principal causa de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Muitas vezes, esses eventos graves ocorrem inclusive em pessoas que não apresentavam obstruções arteriais graves, gerando um dos grandes desafios da cardiologia: prever.

Em muitos casos, o problema está na instabilidade da placa de gordura acumulada na parede do vaso, algo que exames tradicionais nem sempre mostram com precisão – mas uma nova tecnologia norte-americana chamada Makoto promete melhorar esse cenário, prevendo o risco cardiovascular até anos antes do evento acontecer. Entenda abaixo:

Dispositivo ajuda a prever risco cardiovascular

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(Crédito: Drazen Zigic/freepik)

Batizada de Makoto Intravascular Imaging System, essa tecnologia combina dois métodos já conhecidos na cardiologia: o ultrassom feito por dentro da artéria (IVUS-HD) e uma técnica que identifica de que as placas de gordura são feitas (espectroscopia com infravermelho próximo, ou NIRS).

Ainda que não seja usado, por exemplo, em check-ups preventivos, ele pode aparecer durante um cateterismo, procedimento invasivo indicado quando há suspeita ou confirmação de doenças nas artérias do coração. O médico avalia se existe entupimento, enquanto o dispositivo vai além da imagem tradicional, mostrando a composição da placa.

Dessa forma, é possível identificar, por exemplo, quais placas são mais “instáveis” – e, portanto, têm maior risco de se romper, criando coágulos que provocam infarto. Ao identificar esse perfil de maior risco, o exame ajuda a refinar a conduta médica, apontando melhores estratégias de tratamento. 

A partir dele, é possível decidir aumentar a dose de medicamentos ou realizar uma intervenção cirúrgica até 48 meses antes de um evento grave acontecer. É o que explica o cardiologista intervencionista Hideo Kajita. “A avaliação da vulnerabilidade da placa fornece o elo entre a morfologia e o risco de eventos futuros, permitindo ao médico enxergar além da obstrução e compreender o potencial evolutivo da doença”, afirma.

Substitui exames preventivos comuns?

risco cardiovascular
(Crédito: Freepik)

É importante frisar que essa tecnologia pode fazer parte de procedimentos de cateterismo, tanto emergenciais quanto de investigação em pacientes com suspeita ou doenças confirmadas. Ainda assim, ele não substitui outros exames ou condutas de prevenção comuns, como controle de colesterol, pressão arterial, diabetes, entre outros.

Ele não é, portanto, algo a que qualquer pessoa pode ter acesso como um exame preventivo, e sim uma tecnologia disponível para médicos em casos selecionados.

Tecnologia que prevê risco cardiovascular já existe no Brasil?

No Brasil, o Makoto é comercializado pela Nipro, empresa japonesa com atuação global. Seu uso depende da disponibilidade da tecnologia em hospitais, que já aparece em instituições renomadas como o Hospital Sírio-Libanês (São Paulo), o Hospital Santa Lúcia (Brasília), no Hospital Biocor (Belo Horizonte), no Hospital do Coração de Duque de Caxias (Rio de Janeiro) e no Hospital Beneficente de Belém (Pará).

Por ser um recurso usado durante o cateterismo, sua utilização depende de indicação médica.

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