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Fogaça se opõe a novas normas para uso de canabidiol: filha do chef melhorou muito com substância

Olivia, filha do chef, faz uso de canabidiol há três anos para amenizar os efeitos de uma síndrome não identificada
Publicado 18 Out 2022 – 02:31 PM EDT | Atualizado 18 Out 2022 – 02:31 PM EDT
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Henrique Fogaça surge com a filha, Olivia, para questionar normas sobre uso de canabidiol Crédito: @henrique_fogaca74/Instagram/Tinnakorn Jorruang/iStock

Usando o Instagram, o chef Henrique Fogaça protestou recentemente contra as novas normas do Conselho Federal de Medicinal (CFM) para o uso da cannabis medicinal. Pai de Olivia, que tem uma síndrome não identificada, ele fala abertamente sobre como a filha melhorou após começar a fazer uso do canabidiol – e, agora, o chef pede que as medidas, com validade de três anos, sejam revistas.

Fogaça se opõe a novas normas para uso da cannabis medicinal


Quatro dias após a publicação de uma atualização nas regras para uso de cannabis medicinal pelo CFM, o chef Henrique Fogaça usou as redes sociais para se posicionar sobre o assunto. Isso porque o apresentador do “MasterChef” é pai da jovem Olivia, que, segundo ele, apresentou uma série de melhoras em seu quadro causado por uma síndrome rara após incluir o canabidiol no tratamento.


Em um vídeo, ele surgiu ao lado de Olivia – que, devido à síndrome, tem convulsões, falta de tônus muscular e mobilidade extremamente restrita –, e explicou seu ponto de vista sobre as normas mais restritivas publicadas pelo órgão.

“O CFM agora está proibindo o uso de cannabis medicinal. Liberaram somente para duas patologias – e isso é muito errado. [...] Por exemplo: a Olivia tem uma patologia que não é definida! Ela tem uma síndrome rara, tem usado canabidiol já faz três anos e tem melhorado muito. Não podemos nos calar, nos privar, tirar a liberdade dos pacientes que têm necessidade”, afirmou o chef em seu manifesto, recebendo comentários de apoio.

Além de Olivia, outras pessoas famosas que já falaram sobre fazer uso do cannabis medicinal incluem as atrizes Claudia Rodrigues e Guta Stresser, que utilizam canabidiol para auxiliar no manejo da eclerose múltipla, e a cantora Negra Li, que revelou nos comentários de Fogaça, fazer uso para fins psiquiátricos.

Assista ao vídeo:


Quem pode usar cannabis medicinal, segundo o CFM?


Oito anos após sua última orientação sobre o uso da cannabis medicinal, o Conselho Federal de Medicina publicou em 14 de outubro de 2022 uma nova resolução, endurecendo as normas para prescrição do canabidiol, único derivado da cannabis sativa liberado pelo órgão para uso medicinal.

Reconhecido por médicos e estudos como algo eficiente para o manejo de certas condições ligadas ao câncer, à epilepsia e até à ansiedade e à depressão, o cannabis tem seu uso restrito pelo CFM a certos tipos de epilepsia. Isso, no entanto, já é uma norma expressa na resolução antiga.


Na nota, o órgão cita a autorização do uso de canabidiol em quadros de epilepsia refratária – ou seja, resistente aos tratamentos convencionais – bem como algumas síndromes que envolvem estes quadros. “O uso do canabidiol foi autorizado tendo em vista o padecimento de crianças e famílias em função da refratariedade ao tratamento convencional para crises epiléticas relacionadas às síndromes de Dravet, Doose e Lennox-Gastaut”, pontua a nota publicada no próprio site da CFM*.

No comunicado, a instituição ainda reiterou que, com a norma, médicos estão proibidos de prescrever canabidiol para indicações terapêuticas diferentes das citadas na resolução, bem como ministrar palestras ou cursos sobre o ativo fora do “ambiente científico”. Sendo assim, a indicação da substância para o manejo de dores durante o tratamento de câncer ou para amenizar sintomas neurológicos causados pelo Alzheimer, por exemplo, pode render punição aos profissionais.

Uso de cannabis medicinal: o que dizem os médicos


A Tá Saudável, a psiquiatra Eliane Nunes, diretora-geral da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC), afirma que há uma série de indicações para o uso de derivados da cannabis sativa – e isso abrange, além do canabidiol, o tetraidrocanabinol (THC), cujo uso medicinal é vedado pela CFM.


Enquanto o primeiro tem ação mais sedativa, o segundo tem ação antidepressiva, e estes efeitos, segundo ela, podem ser benéficos para uma lista com mais de 50 doenças. “Ela pode ajudar no câncer, doenças autoimunes, doenças degenerativas cerebrais, etc”, pontua a especialista, enquanto Saulo Nader, neurologista do Hospital Albert Einstein, explica o possível efeito do uso da substância em diferentes quadros.

“Para algumas pessoas com epilepsia refratária, ajuda a ter menos convulsões. Para aquelas muito ansiosas, ajuda a dar um efeito calmante, a pessoa fica mais tranquila, menos preocupada. Ajuda também no controle do tremor da doença de Parkinson”, afirma o médico, que reitera ainda as diferenças entre o uso medicinal, receitado por médicos, e o uso recreativo, proibido por lei.

“A gente não está falando do uso recreativo da maconha de forma nenhuma. O canabidiol e o THC são substâncias nas quais a gente viu um papel terapêutico e, de longe, não são a maior causa de dependência da erva fumada”, afirma ele, explicando que os remédios não provocam o “barato” proporcionado pelo uso recreativo.

Especialistas lembram ainda que a maconha em si tem uma série de componentes, e que o canabidiol e o THC são apenas dois deles. O uso isolado destes compostos, portanto, traz ações específicas relacionadas a eles, e não os sintomas como perda de noção de tempo, espaço e coordenação, bem como alterações sensoriais – todos quadros relacionados ao uso recreativo da droga.

* A reportagem entrou em contato com o Conselho Federal de Medicina, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.

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