Leite pode ser um alimento coringa em uma alimentação saudável, mas o ideal é entender as necessidades de cada um
O consenso da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) é de que o leite é um alimento nutricionalmente denso, fonte de proteína de alto valor biológico, cálcio facilmente aproveitado pelo organismo, fósforo e vitaminas do complexo B.
Sendo assim, o leite mais saudável é aquele que vai de acordo com o que cada pessoa precisa dele. Vai variar se existe necessidade ou não de controle de peso, confirmação de intolerância à lactose, por exemplo, e até mesmo a forma que vai conservar e consumir dentro do prazo de validade.
Leite integral, semi ou desnatado

“Do ponto de vista nutricional, eles são iguais, exceto no teor de gordura”, explica a nutricionista Olga Amancio, da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, em entrevista ao Tá Saudável.
A legislação brasileira estipula que, para ser considerado leite integral, a bebida deve ter teor mínimo de 3,0g de gordura a cada 100g.
Para o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, não existe “o mais saudável” e, sim, o que se encaixa na meta de cada pessoa:
- • Integral
→ Tem mais gordura
→ Bom para quem não precisa restringir calorias
→ Tende a gerar mais saciedade
→ Bom para crianças, quando indicado
→ Pode ser mais saboroso - • Semi-desnatado
→ “Meio-termo” entre o mais e menos gorduroso
→ Boa opção para o dia-a-dia - • Desnatado
→ Tem redução quase total de gordura
→ Bom para quem precisa reduzir gordura e calorias
→ Tende a gerar menos saciedade
Leites pasteurizado, UHT e em pó

Depois da ordenha, o leite deve ser tratado antes da comercialização. É um processo essencial para evitar a transmissão de doenças.
A bebida passa por tratamento térmico de pasteurização ou ultra-alta temperatura (UAT ou UHT), principalmente. O que varia são as temperaturas utilizadas para aquecer e resfriar o leite e os métodos.
O resultado também é diferente, como algumas características de sabor e validade após o envase. É por isso que leite de caixinha aguenta longos períodos fora da geladeira antes de aberto e o de garrafa, não.
- • Pasteurizado
→ De garrafa ou saquinho
→ Exige refrigeração
→ Tem validade menor - • UHT
→ De caixinha
→ Dispensa refrigeração antes de aberto
→ Maior validade
Depois do tratamento, o leite é envasado. Ele pode ser comercializado em vidro, garrafa, caixinha, saco ou na forma em pó.
A versão em pó é obtida por meio da desidratação do leite integral, desnatado ou semidesnatado. Nesse caso, ele não precisa ser refrigerado.
“O melhor é o que não vira risco por má conservação”, afirma Durval. “É importante escolher o que a pessoa consegue armazenar direito e consumir dentro da validade.”
Leites A, B e C
Voltando para a ordenha, ela pode ser manual ou mecânica. A forma escolhida e o método de pasteurização faziam com que o leite recebesse 3 classificações diferentes: A, B e C.
- • Leite A
→ Ordenhado mecanicamente
→ Pasteurizado e envasado na própria fazenda.
→ Também tem o A2, mas essa é uma outra classificação: a gente explicou a diferença do leite A2 aqui 👈 - • Leite B
→ Ordenhado mecanicamente
→ Pasteurização e envasamento podem ocorrer em locais diferentes.
• Leite C
→ Pode ser ordenhado manualmente
→ Fica armazenado em tanques até que ocorra a pasteurização e o envasamento
Essas diferenças fazem com que haja mais microrganismos nos leites B e, principalmente, no C do que no A, que é tido como o padrão de controle mais rigoroso. De qualquer forma, deixou de ser uma classificação usada oficialmente para tratar do leite.
Versão sem lactose

É o leite com enzima lactase adicionada. Isso faz com que o açúcar do leite, que é a lactose, já seja quebrado antes da bebida ser consumida pela pessoa.
O benefício é possível de ser notado por quem tem intolerância à lactose confirmada ou forte suspeita. Isso porque o intolerante tem redução dessa enzima que o ser-humano naturalmente produz.
“Quem não tem intolerância não precisa comprar sem lactose ‘por saúde’”, afirma o nutrólogo.
Leite é seguro?

Para as sociedades de Nutrologia e de Alimentação e Nutrição, não há evidência científica que justifique a exclusão do leite da alimentação para a população geral.
“Pelo contrário: a retirada indiscriminada pode comprometer a ingestão adequada de cálcio, especialmente em crianças, adolescentes, gestantes e idosos.”
As entidades também negam que haja evidências científicas de que o leite e seus derivados sejam alimentos “inflamatórios”.
“O consumo de leite estará associado a processos inflamatórios apenas em pessoas diagnosticadas com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) e, neste caso, o consumo de qualquer quantidade de leite, derivados e qualquer produto que contenha leite na sua composição deve ser excluído.”
Este texto contém informações da Instrução Normativa nº 76, de 26 de novembro de 2018 e da Associação Brasileira de Nutrologia com a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.









