Leite hiperproteico

Leite com proteína adicionada vale a pena?

Para pessoas saudáveis que já batem a meta diária de proteína, a suplementação pode ir, literalmente, pelo ralo 

O leite naturalmente é um alimento com boa e suficiente quantidade de proteína, seja ele integral, semidesnatado ou desnatado. “Do ponto de vista nutricional, para a maioria das pessoas, a versão comum já é suficiente dentro de uma dieta equilibrada”, afirma a nutricionista Olga Amancio, da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN).

Ainda assim, novas versões, com proteína adicionada, têm aparecido nas prateleiras dos supermercados. “Ajudam quem tem dificuldade de bater a meta diária sem aumentar muito o volume de comida”, explica o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Leite hiperproteico

Ingestão de leite
(Crédito: freepik/ Freepik)

Mas Olga alerta que a suplementação de proteína deve ser avaliada e indicada por um profissional adequado. Até porque, apesar de ser fundamental, a proteína em excesso pode causar prejuízos à saúde. 

De forma geral, a Organização Mundial da Saúde recomenda que de 10 a 15% da ingestão energética diária total de um adulto seja de proteínas. Isso é o equivalente a 50g a 75g para uma pessoa com peso corporal saudável que consome cerca de 2000 calorias por dia.

A ingestão pode ser maior se feita por adolescentes, atletas e pessoas que estão construindo ou precisam manter quantidades significativas de massa muscular.

“Em termos práticos, 200 ml de leite fornece cerca de 6g a 7g de proteína, um impacto relevante dentro da meta diária”, ilustra Durval.

Os leites hiperproteicos costumam ter o dobro desses valores, mas é preciso considerar que essa bebida não será a única fonte de proteína da pessoa ao longo do dia. O nutriente também está presente em alimentos como:

  • Carne vermelha
  • Carne de aves
  • Pescados
  • Ovos
  • Derivados do leite
  • Leguminosas, como o feijão

Risco de proteína em excesso

Urina
(Crédito: freepik/ Freepik)

A meta de proteína é quanto o organismo precisa desse nutriente para desempenhar suas funções. “Se uma pessoa saudável já bate a meta, o corpo lida com a carga maior aumentando a excreção de ureia”, revela o nutrólogo.

De forma bem simplificada, a proteína ingerida e que o corpo não precisa para funcionar se transforma em xixi – e vai, literalmente, pelo ralo.

Mas isso também pode causar prejuízos à saúde de quem tem doença renal, além de poder aumentar calorias e impactar o equilíbrio nutricional da dieta.

“Hipertrofia é treino somado a proteína total do dia, energia e sono. O produto não substitui esse ‘pacote’”, completa Durval.

Ultraprocessado com cara de saudável

Leite ultraprocessado
(Crédito: fajri nugroho/ Pexels)

Vale dizer também que há muitas bebidas lácteas não só com proteína adicionada, mas também com adoçantes, corantes, saborizantes, aromatizantes, espessantes e outros.

Nesses casos, a bebida deixa de ser um produto minimamente processado e se torna ultraprocessado, podendo causar prejuízos à saúde para além dos listados acima. 

A recomendação das entidades médicas é a de evitar ultraprocessados e privilegiar alimentos mais naturais para uma alimentação saudável. Listas curtas de ingredientes, sem espessantes e aromatizantes, por exemplo, sugerem produtos de melhor qualidade nutricional.

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