Seu smartphone está destruindo sua memória, porque inibe o pensamento cognitivo, e também a memória declarativa. O alerta é feito pelo Dr. Sangeeta Ravat, Chefe do Departamento de Neurologia da Seth GS Medical College and KEM Hospital, nos Estados Unidos. O especialista aponta a co-relação entre o Transtorno de Déficit de Atenção, a hiperatividade e impulsividade, entre os fazem o uso excessivo destes aparelhos.
As razões para preocupar-se
Uma pesquisa realizada pela entidade americana AC Nielsen, em 46 cidades americanas, revelou que o número de smartphones havia chegado 40 milhões. Quase metade dos proprietários/usuários eram menores de 25 anos. Este número gigante de utilizadores foi impulsionado pelo desejo ” de permanecer ligado e ter acesso imediato a redes sociais“.
Mesmo que tais aparelhos tenham sido projetados para tornar a vida mais fácil, e o trabalho do utilizador mais dinâmico/inteligente, os especialistas advertem que os sucessivos sons e atualizações podem jogar o cérebro para um estado de exaustão, afetando as células, e enfraquecendo as funções cerebrais ao longo do tempo.
O que está em jogo
Memória declarativa
As características da memória declarativa referem-se a dados que podem ser conscientemente lembradas, tais como os números importantes de telefone, hora e data de reuniões, ou datas de aniversários, etc. “Enquanto anteriormente lembraríamos com facilidade de pelo menos 10 números de telefone importantes, e isso de forma mecânica, hoje é difícil lembrar cerca de 10% deste total”, avaliou o Dr. Ravat.
Inteligência humana subdesenvolvida
A maior preocupação é com o impacto do smartphone em crianças. Conforme o médico, o processo mental de consciência, percepção, raciocínio e julgamento, só pode ser desenvolvido quando a criança experimenta algo físico, como brincar com barro, blocos, bola, boneca, etc. Mas hoje em dia a sedução provocada por estes aparelhos faz com que essas atividades sejam colocadas de lado. O resultado é o comprometimento das habilidades motoras. “ O celular não te deixa correr, saltar, pintar com lápis e papel, e isso é prejudicial. E afeta o desenvolvimento da habilidade e da inteligência”, sentenciou.
A mente humana não se destina a multi-tarefa
Estar dependente de motores de pesquisa como o Google está deixando nossas mentes preguiçosas. “ Isso nos converte em pensadores pobres”, diz o doutor, complementando que esse grande benefício tecnológico disponível nos smartphones é um grande motivo de preocupação no âmbito neurológico. Há outro agravante. O professor de comunicação na Universidade de Stanford, Clifford Nass, também avalia o fato, e afirma que as funções multi tarefas disponiveís (pesquisar, responder sms, atender a chamada, dar o curti no Facebook, etc, e tudo praticamente ao mesmo tempo) afeta a concentração. ” Não é fisiologicamente saudável porque o ser humano não foi construído para realizar uma infinidade de tarefas ao mesmo tempo. Se o telefone exige esse comportamento, aumenta o estresse e prejudica o seu pensamento cognitivo“.
Para além destas questões, ainda há o fato de que os recursos de comunicação variados (SMS, vídeo, WhatsApp, BBM, Facebook, Twitter) disponíveis na ponta dos nossos dedos, nos torna quase que insensíveis ao ambiente imediato.
O impacto da tecnologia no cérebro também tem sido alvo de estudo no Centro de Saúde do Cérebro, em Dallas, no Texas. O diretor, Dr Sandy Chapman, não gasta muitos argumentos para definir os resultados das pesquisas que a entidade vem realizando: ” O que o smartphone faz é aumentar nossa distração. Nos obriga a pensar muito rápido, e assim, menos sintetizado. Ou seja, está nos deixando mais burros”.








