Tenho endometriose: jovem conta como descobriu doença que a fez sofrer por 18 anos

Doença difícil de ser detectada, a  endometriose acomete mulheres do mundo todo e, até que o diagnóstico chegue, muitas passam anos de horror. Exemplo é o caso de Caroline Salazar, 35 anos, que sofre com a doença desde os 13, mas recebeu o diagnóstico e começou o tratamento apenas aos 31.

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Com  c ólicas  muito fortes e constantes, médicos afirmaram que Caroline, aos 15 anos, tinha ovários policísticos. Mas, mesmo com o tratamento com anticoncepcionais, ela não via melhoras. “O engraçado é que eu nunca procurei muitos médicos. Eu sempre fui no mesmo e tratava ovários policísticos com pílula anticoncepcional”, conta. O resultado positivo para a endometriose veio apenas em 2009.

Tomando remédio com dosagem hormonal sem parar, Caroline acredita que, por isso, os sintomas da doença tenham sido mascarados. Para ela, a pior fase foi dos 24 anos até o momento da descoberta. “Eu sentia muitas dores. Minhas pernas eram pesadas, meu  abdômen inchava muito a ponto de eu não conseguir usar calça jeans, sentia cólicas muito fortes, tinha  sensações de desmaios, frequentes dores de cabeça e muita dor durante o ato sexual que fizeram com que eu ficasse longos períodos sem sexo”, relata.

Diagnóstico da endometriose

Mas foi a  dor durante o sexo que apontou o caminho para a doença de Caroline. O então namorado da jornalista, enquanto trabalhava em uma palestra médica sobre a endometriose, ouviu sobre os sintomas da doença e os relacionou com o problema da namorada.

Na busca por um médico para comprovar a hipótese, a jornalista procurou seu proctologista que pediu todos os exames específicos e o resultado foi como o previsto pelo casal. Caroline sofria de endometriose.

Tratamento

Caroline demorou 18 anos para descobrir doença (Crédito: Divulgação/)

Em 2009, fazendo parte do ambulatório especializado da Unifesp a jornalista começou o tratamento. Tendo que tomar anticoncepcional continuamente e fazer fisioterapia pois todo seu assoalho pélvico encontrava-se tencionado, Caroline foi mandada embora. “Eu trabalhava em uma redação e eles não entendiam que eu precisava fazer fisioterapia. Quando fui mandada embora me senti vítima de preconceito, como se eu fosse uma inválida, e, como meu emocional estava abalado, entrei em depressão”, conta.

Mas a solução para o problema estava mais perto do que ela imaginava. Autora do blog A Endometriose e Eu, hoje Caroline ajuda mulheres em todo o mundo a enfrentar o  diagnóstico e o tratamento da endometriose, além de dar palestras sobre o assunto. “Eu estava me sentindo invalida e estava quase ficando louca. Criar o blog foi uma escapatória para eu não me entregar para a depressão”, fala.

O tratamento seguiu e, mesmo depois de entrar em  menopausa induzida, tratamento reversível que suspende os hormônios da fertilidade, a jornalista continuou sentindo fortes dores. Em 2010, conseguiu a primeira videolaparoscopia, mas foi apenas depois do segundo procedimento que recuperou sua qualidade de vida. “Hoje eu tenho uma vida normal. Não sinto dores e se antes odiava minha menstruação, agora enxergo ela de outra forma”, revela.

 “Ninguém entende o quanto a gente sofre com a endometriose. Por isso, muitas mulheres ficam caladas. Sentir dor no período menstrual não é normal. A menstruação não tem que ser dolorosa. Procure um médico e investigue tudo até o fim”, finaliza.