Ministério da Saúde adotou vacina e imunizante contra o Vírus Sincicial Respiratório, que pode causar bronquiolite e pneumonia, especialmente em bebês
Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O nome é estranho, mas junto dele podem vir infecções respiratórias bem conhecidas, como a bronquiolite e a pneumonia. Bebês e crianças pequenas podem ser gravemente afetadas, e consequências ao sistema pulmonar podem ocorrer a longo prazo.
Mas o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma vacina e um imunizante que podem marcar uma nova fase na saúde pulmonar brasileira quando o assunto é VSR.
Proteção contra o VSR

O VSR pode causar infecções em pessoas de todas as idades, mas principalmente bebês com menos de 6 meses de idade apresentam maior risco para formas graves da doença. Além disso, o vírus pode contribuir para quadros como o de asma ao longo da vida.
É um vírus altamente contagioso, tanto que, até os dois anos, praticamente todas as crianças já terão tido contato com o vírus.
Desde dezembro de 2025, todas as gestantes têm direito a receber uma vacina contra o vírus: a vacina vírus sincicial respiratório A e B (recombinante).
Já em fevereiro de 2026, o SUS também passou a ofertar a todos os recém-nascidos prematuros e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas um imunizante que garante proteção praticamente imediata contra o VSR: o nirsevimabe.
É uma estratégia combinada para garantir que as crianças já estejam protegidas contra o vírus em um possível primeiro contato com ele, evitando o desenvolvimento de infecções respiratórias.
“Eu diria que estamos vivenciando um momento histórico em termos de saúde pública quando a gente fala em infecção em pequenos”, celebrou a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, em evento da Sanofi sobre o imunizante nirsevimabe.
“O impacto hospitalar, a qualidade de vida das crianças – e dos adultos que vão se transformar -, com certeza vai ser diferente. A gente vai olhar [a questão da saúde pulmonar] diferente daqui pra frente”, concordou a pneumologista Ângela Honda, diretora executiva da Fundação ProAr.
Vacina para gestantes

Destinada a gestantes a partir da 28ª semana, a vacina contra o VSR em grávidas funciona por meio da imunização passiva: a mãe produz anticorpos e transfere para o bebê por meio do cordão umbilical.
Desta forma, o bebê já nasce protegido contra o vírus. A proteção é temporária, mas altamente eficaz na fase em que a criança pode ser mais prejudicada.
Imunizante para bebês

A vacina das gestantes é indicada no terceiro trimestre, quando a transferência de anticorpos da mãe para o bebê é mais eficiente. Com isso, crianças prematuras poderiam acabar desprotegidas.
É para solucionar esse problema que o imunizante nirsevimabe foi incorporado ao SUS. Ele é destinado a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades específicas: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.
Diferentemente da vacina tradicional, o nirsevimabe é um anticorpo pronto que atua logo após a administração.
Bebês a termo, que não são prematuros, também podem receber o imunizante pelo sistema privado de saúde.
Os resultados da nova estratégia no Brasil poderão começar a ser avaliados após a temporada de VSR de 2026, que já começou. O sucesso vai depender também da adesão dos brasileiros à vacina e ao imunizante.









