ozempic manipulado

Por que canetas de Mounjaro mais baratas ou manipuladas são um problema e como se proteger

Veja por que não recorrer ao “Mounjaro do Paraguai” ou outras versões que podem te levar ao hospital

Em meio à popularização do uso de “canetas emagrecedoras” como Mounjaro e Ozempic, diversas complicações se tornam comuns – e não necessariamente devido aos remédios. Devido ao preço alto das medicações, há quem opte por versões manipuladas ou contrabandeadas de outros países, mas é preciso se atentar para evitar riscos que já vêm causando internações.

“Mounjaro do Paraguai” ou manipulado é seguro?

Mounjaro
Mounjaro é efetivo no tratamento para diabetes e obesidade (Crédito: jcomp/Freepik)

Lipoless, T.G. e “canetas emagrecedoras” manipuladas com nomes diversos têm alcançado cada vez mais adeptos. O uso delas, porém, traz riscos à saúde e é desencorajado tanto por médicos quanto por órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para entender o porquê, é preciso saber que o princípio ativo do Mounjaro, a Tirzepatida, é protegido por patente. Quem detém a patente é a farmacêutica Eli Lilly, criadora da molécula – e tudo isso significa que a tecnologia exata para recriar a substância não é de conhecimento público.

Sendo assim, empresas que afirmam fabricar a Tirzepatida e a vendem com outros nomes, como acontece no Paraguai, aproveitam brechas na legislação do país para fazê-lo. Dessa forma, não é possível afirmar que o que compõe essas canetas seja, de fato, Tirzepatida. Não se trata, portanto, de um genérico como muitos pensam.

É o que explica a médica Tassiane Alvarenga, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP). “Mesmo que ‘prometa’ ser Tirzepatida, sem o registro e o controle de qualidade não existe garantia de equivalência. Para ser ‘a mesma coisa’, teria de haver garantia regulatória, identidade da molécula, pureza, estabilidade, esterilidade, biodisponibilidade e consistência de lote”, explica a médica.

Além disso, sem o registro da Anvisa, esses medicamentos não podem sequer ser comercializados no Brasil. Dessa forma, a única maneira de obtê-los é por alternativas ilegais – e isso piora o cenário, já que pode haver transporte e refrigeração inadequados.

Manipulação pode ser tão ruim quanto a falsificação

A manipulação, segundo órgãos competentes e profissionais da área, também é um problema. Conforme explica a médica, não é possível afirmar com segurança que o Mounjaro manipulado sequer contêm Tirzepatida.

“Mesmo que haja rótulo ou ‘laudo’ informal, o paciente e o médico não conseguem verificar com o mesmo rigor de um medicamento industrializado registrado. Pode não ser a molécula correta, conter impurezas, subprodutos ou variações. Pode haver também subdose, que leva a ineficácia, ou superdose, que leva a eventos adversos. Além disso, injetáveis exigem controle estéril e testes de qualidade”, pontua a médica.

Mesmo com alertas de órgãos como a Anvisa e a SBEM, porém, o público continua atraído pela oferta de medicamentos por valores mais baixos – e os efeitos disso são visíveis. 

Em janeiro de 2026, por exemplo, uma mulher foi internada em Belo Horizonte após usar “Mounjaro do Paraguai” de forma irregular e sem prescrição médica. Ela teve complicações neurológicas que, no hospital, foram creditadas a uma intoxicação medicamentosa.

Riscos de medicamentos falsificados e manipulados

remédios para emagrecer
(Crédito: Freepik)

As possíveis complicações que pacientes podem ter ao usar essas medicações são diversas. Entre os principais problemas, a endocrinologista cita:

Intoxicação

Como não é possível sequer afirmar que se trata de Tirzepatida, o “Mounjaro do Paraguai” e o manipulado podem conter literalmente qualquer substância – e isso é um risco alto. “Pode haver uma molécula diferente, impurezas, subprodutos e misturas indevidas”.

Problemas relacionados a subdosagem ou superdosagem

Também não é possível checar se a dose indicada na embalagem é realmente a dose que está dentro das canetinhas. Sendo assim, o paciente pode estar tomando menos ou mais que o indicado, e os dois cenários têm consequências.

“A subdose pode gerar frustração, abandono do tratamento, efeito sanfona e vontade de ‘aumentar por conta própria’. Já a superdose pode levar a eventos gastrointestinais importantes, desidratação, piora da função renal em pessoas vulneráveis e maior risco de complicações em pessoas com comorbidades”, afirma ela.

Problemas relacionados a uso sem acompanhamento

Segundo a endocrinologista, quem compra medicamentos de origem duvidosa, como o “Mounjaro do Paraguai“, geralmente não tem indicação ou acompanhamento médico. Isso pode levar a erros como o de começar o tratamento com uma dosagem alta, como a de 10 ou 15 mg. 

“É especialmente perigoso porque esse remédio exige administração progressiva para tolerabilidade. Doses iniciais excessivas aumentam muito o risco de eventos adversos, e podem levar a idas ao pronto-socorro”, pontua.

Além disso, o simples uso do medicamento sem acompanhamento, mesmo que em dosagem baixa, oferece riscos. Isso porque o processo desconsidera contraindicações, interação com outros medicamentos e falta de monitoramento do processo.

Como evitar Mounjaro falsificado ou manipulado

(Crédito: DC Studio/Freepik)

Com autoridades médicas contraindicando o uso de Mounjaro, Ozempic e outros em versões manipuladas ou falsificadas, é preciso se atentar na hora da compra. Veja abaixo dicas para não comprar Mounjaro falsificado:

Não compre medicamentos fora da farmácia 

A venda do Mounjaro é regulamentada pela Anvisa, e o órgão permite a venda do medicamento apenas em farmácias e drogarias autorizadas. A importação e aplicação do medicamento em clínicas médicas, porém, é permitida caso siga à risca a legislação e ocorra sob autorização.

Sendo assim, adquirir o medicamento em farmácias confiáveis é a melhor forma de garantir a confiabilidade dele. O mesmo vale para Ozempic, Saxenda, Rybelsus e outros. Caso aplique em uma clínica, investigue junto aos profissionais do local a procedência do remédio.

Preço baixo? Desconfie

O preço desses medicamentos é tabelado. Isso significa que farmácias não podem aplicar descontos além do permitido pelo laboratório – e as injeções terão o mesmo preço em todas as drogarias. O que pode mudar é o número de vezes em que ele pode ser parcelado na compra com cartão, bem como taxas que são descontadas na compra online.

Dessa forma, ao ver o medicamento sendo vendido em sites e outros serviços por valores mais baixos (seja a variação grande ou pequena), desconfie e evite a compra.

Conheça as substâncias

É importante conhecer o princípio ativo de qualquer medicamento a ser ingerido. Quando se fala em “canetas emagrecedoras”, as substâncias atualmente permitidas no Brasil são Liraglutida, Semaglutida, Tirzepatida – e medicamentos que contenham outras substâncias não devem ser utilizados.

Apesar de estas serem as únicas substâncias legalizadas, há empresas afirmando comercializar Retatrutida, molécula ainda em fase de desenvolvimento pela farmacêutica responsável. Remédios como esses são falsos e não devem ser utilizados.

Use “canetas emagrecedoras” APENAS com acompanhamento médico

O Mounjaro e outros medicamentos com princípio ativo semelhante têm indicações claras na bula. Em geral, seu uso é indicado para pacientes com diabetes tipo 2 e (ou) obesidade – e o tratamento deve ser acompanhado de perto por médicos.

O tratamento do diabetes e da obesidade feito com as “canetinhas” é complexo e pode trazer efeitos colaterais. Como a alimentação do paciente tende a mudar, é preciso ter acompanhamento para reajustes na dieta, garantia de nutrição adequada, manejo de sintomas relacionados ao remédio e mais.

Além disso, a compra desses medicamentos só é permitida com a retenção da receita. Sendo assim, a única forma de usar os medicamentos sem risco é fazê-lo sob orientação de um endocrinologista ou metabologista.

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