Uma cena exibida pela novela Malhação, da TV Globo, envolvendo a questão de transmissão do HIV causou revolta na mãe de Cazuza, Lucinha Araújo. O cantor morreu em 1990 em consequência das sequelas da Aids. Na cena, dois jovens se machucam durante um jogo de basquete e acabam com sangramentos leves na cabeça, o que causa um grande alvoroço devido ao fato de um dos adolescentes ser soropositivo. Lucinha, que é presidente da Sociedade Viva Cazuza, organização não-governamental que presta assistência a portadores do vírus HIV, usou as redes sociais para publicar uma carta de repúdio à novela, chamando de “desserviço à saúde pública” o modo como a situação foi retratada. Entenda a seguir o que aconteceu.
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Como o portador de HIV é tratado: caso “Malhação”
No episódio do dia 25 de dezembro de 2015, dois alunos (Henrique e Luciana) se trombam durante um jogo de basquete e machucam a cabeça. Nervoso, o menino diz ser HIV positivo e pede para que a colega vá imediatamente à enfermaria. Na continuação da cena, o rapaz diz ainda que evita ao máximo fazer esportes e situações em que possa se machucar.
Em post publicado na página da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo diz que Malhação contribui para o obscurantismo em relação ao HIV e ainda que o folhetim passa informações erradas ao desaconselhar a prática de exercícios físicos por portadores do HIV e ao mostrar um médico receitando antirretrovirais em uma “situação em que dois jovens dão uma cabeçada”.
Veja o post completo:
Em entrevista à coluna de Ancelmo Gois no jornal O Globo, o diretor da novela, Emanuel Jacobina, disse que, sabendo da delicadeza e da importância do tema do HIV para a sociedade, o programa recorreu a uma consultoria especializada para escrever os capítulos: “Mostrar a possibilidade de uma vida normal, na qual está incluída a prática de esportes, é um dos pontos de chegada da estória de Henrique” e complementou convidando Lucinha Araújo para participar da novela falando sobre sua admirável experiência no Viva Cazuza e no combate à Aids no Brasil.
Como o HIV é transmitido e quando a PEP deve ser tomada
A profilaxia pós-exposição (PEP) é uma opção quando ocorre algum acidente que possibilite a passagem do vírus HIV de uma pessoa para outra ou mesmo quando houve relação sexual desprotegida com alguém que possui Aids.
De acordo com o Ministério da Saúde, antes de ser recebida essa medicação, que impedirá que o vírus se multiplique no corpo, deve ser feita uma avaliação do risco da exposição. Ela dirá quais são as chances de contaminação segundo alguns critérios:
- Tipo de material biológico envolvido: sangue, sêmen e fluidos vaginais são os mais infectantes, enquanto suor, saliva e vômito, por exemplo, não apresentam riscos;
- Tipo de exposição: quando ocorre através de pele não íntegra, mucosas e mordidas com presença de sangue as chances de contágio são maiores;
- Tempo transcorrido entre a exposição e o atendimento: o limite para iniciar a PEP é de 72 horas;
- Condição sorológica para HIV tanto da pessoa exposta ao vírus quanto do portador: para estar indicada a PEP, o portador deve ser soropositivo ou não saber seu status viral e a pessoa exposta ao vírus deve ser soronegativa.
Avaliando esses critérios, é papel do médico dizer se o medicamento é ou não necessário.
Preconceito contra a pessoa com Aids
Ter o vírus da Aids não é contraindicação para praticar esportes, frequentar a escola, trabalhar ou realizar qualquer outra tarefa do dia a dia. Relações sexuais com camisinha, beijos, abraços e outras manifestações de carinho também não devem ser evitadas.
Caso ocorram acidentes com trocas de fluidos corporais como os citados acima, de fato, o mais indicado é procurar auxílio médico, que dirá qual será o tratamento adequado.








